
Primeiro encontro pan-americano do tema acontece até domingo (8) no Parque Nacional do Iguaçu, com o Brasil como referência.
Uma pegada preta e amarela pintada em árvores, pedras e postes virou, em oito anos, a assinatura de uma política de conservação que agora atravessa fronteiras. Desde quinta-feira (5), o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), recebe o 1º Congresso Pan-Americano de Trilhas, que segue até domingo (8) e reúne delegações do Brasil, da Argentina, do Paraguai, do Equador, do Chile e da Colômbia. O encontro ocorre junto à quarta edição do congresso brasileiro do setor.
Vizinhos olham para o modelo brasileiro
Os países convidados têm se inspirado em um formato peculiar: trilhas conduzidas por voluntários no território, institucionalizadas pelo governo federal e adotadas por estados e municípios. Foi esse arranjo que colocou o Brasil na posição de referência continental.
“Estamos muito felizes e gratos com a realização do primeiro encontro pan-americano de trilhas e isso não seria possível sem a Rede Brasileira”, afirmou a educadora ambiental paraguaia Araceli González, da Red Panamericana de Senderos.
Os números da rede brasileira
A Rede Brasileira de Trilhas foi criada em 2018 e, recentemente, promovida a Sistema. Segundo a organização do congresso, o país tem mais de 250 trilhas planejadas, com mais de 40 mil quilômetros previstos e mais de 16 mil já implementados, todos com a sinalização de pegadas pretas e amarelas.
O Sistema Nacional de Trilhas, o Sintrilhas, foi oficializado em junho deste ano, por decreto. As autoridades brasileiras celebraram a medida na abertura do evento.

“O decreto [do Sintrilhas] transforma a rede nacional de trilhas em uma política pública permanente que traz segurança jurídica, capacidade de planejamento e continuidade”, disse Bernardo Issa, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
A implementação prevê um comitê, ainda em elaboração, responsável por traçar uma estratégia nacional para a agenda. “E esse congresso é o lugar certo pra contribuir na construção dessa estratégia que será incorporada pelo comitê”, completou Issa. Ele também destacou a Política Nacional de Incentivo à Visitação a Unidades de Conservação, aprovada em 2025.
ICMBio banca a presença de quem trabalha nas trilhas
O apoio federal aparece no patrocínio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), patrocinador master do congresso, realizado pela primeira vez dentro de uma unidade de conservação. A autarquia viabilizou a participação de mais de 250 pessoas, entre servidores, terceirizados, comunitários e agentes temporários ambientais (ATAs).
“Nós conseguimos pela primeira vez trazer os nossos agentes temporários ambientais, porque são eles que realmente trabalham duro nessas trilhas e estão conosco no dia a dia”, destacou Iara Vasco, diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação.
Entre os agentes está Ana Kirsch, da Floresta Nacional São Francisco de Paula (RS), onde atua há três anos na sinalização dos Caminhos das Araucárias. É a primeira vez dela no congresso. “É uma oportunidade de aprender, quero viver essa experiência”, disse a ((o))eco.

Rio de Janeiro formaliza parceria com a Rede
O primeiro dia foi marcado pelo 3º Seminário Técnico-Científico da Rede Brasileira de Trilhas e pela assinatura de um acordo de cooperação entre o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea-RJ) e a Rede. A parceria é antiga: o estado é o berço das primeiras pegadas amarelas e pretas, na Trilha Transcarioca.
Os quase 200 km da Transcarioca cruzam a capital fluminense e foram o embrião da própria Rede, lembrou a diretora de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas do Inea-RJ, Julia Bochner, na assinatura do termo. Em setembro, o governo estadual já havia instituído o Programa Estadual de Trilhas.
O grande projeto fluminense é a Volta ao Rio, com 3.500 quilômetros que conectarão mais de 100 unidades de conservação e trilhas existentes.
O que isso significa para a Amazônia
A Amazônia aparece no radar das trilhas de longo curso como um território de grande potencial. Com extensas áreas protegidas e comunidades que vivem de visitação e de produtos da floresta, a região pode se beneficiar de um sistema com regras nacionais, sinalização padronizada e participação de comunitários, como o modelo que ganhou fôlego com o Sintrilhas. Outros biomas já têm iniciativas em andamento, como a Travessia Guadakan, no Pantanal, e os Caminhos do Pampa.
Com a programação até domingo (8), a expectativa é que as discussões alimentem a estratégia nacional que o comitê do Sintrilhas deverá elaborar nos próximos meses.
Com informações de ((o))eco.
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