Armênia recebe a COP17 com 30% de terras e mares a proteger até 2030 e US$ 200 bilhões por ano ainda em busca de origem

Armênia recebe a COP17 com 30% de terras e mares a proteger até 2030 e US$ 200 bilhões por ano ainda em busca de origem
Foto: Gregoire Dubois

Em Yerevan até 30 de outubro, governos fazem o primeiro balanço global do plano de biodiversidade adotado há quatro anos.

Quatro anos depois de assinarem o acordo que prometia frear a perda de natureza no planeta, os governos chegam a Yerevan, capital da Armênia, para uma conta incômoda: o que saiu do papel e o que ficou pelo caminho. A 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, a COP17, começou nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, e segue até o dia 30, com a presença de especialistas, ativistas e tomadores de decisão.

O foco é o Plano de Kunming-Montreal, o marco global para a proteção da biodiversidade adotado há quatro anos. Pela primeira vez, os países farão uma revisão coletiva do progresso, apresentando relatórios nacionais e estratégias e planos de ação atualizados.

Uma conferência que mede promessas

Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre a Biodiversidade, a COP17 reúne em Yerevan governos, especialistas e ativistas até 30 de outubro para avaliar os avanços desde 2022 e indicar onde a ação precisa ser mais rápida.

A secretária executiva da Convenção, Astrid Schomaker, afirmou que “bilhões de pessoas cujas vidas estão sendo afetadas pelos impactos da perda de biodiversidade dependem do progresso que for feito nas próximas duas semanas na capital armênia”.

Ela também destacou que todos são “responsáveis ​​uns pelos outros e pelas gerações futuras”, e lembrou que nenhuma nação, economia ou sociedade está imune a essa perda.

A meta 30 por 30 e o que ela exige

A ambição mais conhecida do plano é o “30 por 30”: conservar 30% das terras e dos mares até 2030, prazo final também para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Para chegar lá, segundo Schomaker, os planos nacionais precisam estar alinhados às metas internacionais, o financiamento deve corresponder às necessidades atuais, e o consumo e a produção têm de respeitar “os recursos finitos do nosso planeta”.

A Convenção trata de combater os principais fatores de perda de biodiversidade: mudanças no uso da terra e dos mares, exploração insustentável de espécies, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.

Armênia recebe a COP17 com 30% de terras e mares a proteger até 2030 e US$ 200 bilhões por ano ainda em busca de origem
Foto: Gregoire Dubois

O dinheiro e a distância entre plano e prática

O plano prevê investimento de pelo menos US$ 200 bilhões por ano, vindos de todas as fontes, até 2030. Desse total, ao menos US$ 30 bilhões devem ser financiamento internacional para a biodiversidade.

A questão central em Yerevan é a lacuna de implementação: como converter metas e planos nacionais em resultados mensuráveis no terreno.

Outro ponto é o Fundo Cali, mecanismo financeiro global acordado na COP16, na Colômbia. Ele foi concebido para arrecadar recursos de empresas que utilizam dados genéticos digitais e redistribuí-los para a proteção da biodiversidade e dos povos indígenas. Em Yerevan, as negociações buscam avançar nos arranjos práticos do fundo.

Medir melhor e mudar a economia

Os países também discutem como aprimorar monitoramento, dados, capacidade e cooperação, para saber se os compromissos produzem resultados reais.

Algumas das áreas mais atrasadas dependem de decisões fora dos ministérios do meio ambiente, como finanças, negócios, consumo sustentável e incentivos prejudiciais à natureza.

O que o debate significa para a Amazônia

Para a região amazônica, a pauta toca temas concretos. A conservação de grandes extensões de floresta e de rios, o papel de povos indígenas e comunidades locais e a repartição de benefícios do uso de dados genéticos de espécies estão no centro do que se negocia.

Schomaker pediu que a “energia e as ideias inexploradas” dos povos indígenas e das comunidades locais, das mulheres e dos jovens contribuíssem para as decisões. Em uma região de grande diversidade biológica e cultural, o desenho do Fundo Cali pode influenciar como esses grupos serão reconhecidos e beneficiados.

As negociações seguem até 30 de outubro, quando se saberá se os países saem de Yerevan com compromissos mais claros de financiamento e implementação para a meta de 2030.

Com informações de ONU News.

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