
Enquanto o Brasil se prepara para receber a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o setor mineral busca redefinir seu papel nas soluções climáticas globais. Em um encontro virtual realizado nesta quinta-feira (16/10), o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) reuniu associados, conselheiros e as principais lideranças da conferência — o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, e a diretora-executiva Ana Toni — para debater as expectativas, desafios e legados do evento.
Mais do que um diálogo institucional, a conversa simbolizou um marco estratégico: a mineração brasileira quer se firmar como parte ativa da transição climática global, não apenas como fornecedora de recursos críticos, mas como protagonista em inovação, responsabilidade ambiental e compromisso de longo prazo.
O diretor-presidente do IBRAM, Raul Jungmann, destacou que o setor está determinado a apresentar compromissos concretos e mensuráveis na COP30. “Esta será a COP da ação, da implementação”, afirmou. “Estamos construindo metas com base em dados, incluindo o mapeamento da pegada de carbono e a contribuição da mineração para a descarbonização de outros setores produtivos.”
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A mineração na economia de baixo carbono
O encontro evidenciou o esforço do setor mineral para se integrar à agenda global de clima, em linha com os objetivos do Acordo de Paris e das metas de neutralidade de carbono até 2050. O IBRAM tem articulado junto a seus associados a incorporação de práticas de economia circular, monitoramento de emissões e transição energética interna, impulsionando investimentos em energias renováveis e tecnologias de baixo impacto ambiental.
O embaixador André Corrêa do Lago, que preside a COP30, elogiou o amadurecimento do setor e o trabalho do IBRAM na defesa de uma mineração legal e sustentável. “O setor mineral brasileiro já está muito avançado, e isso se deve em parte ao papel firme do Instituto em separar o que é legal do que é ilegal, e em comunicar essa distinção à sociedade. Esse compromisso é fundamental para mudar percepções e fortalecer a credibilidade internacional do país”, afirmou.
Para Corrêa do Lago, a COP30 representa não apenas uma oportunidade de posicionar o Brasil como líder de soluções climáticas, mas também de reformular a imagem pública de setores historicamente vistos com desconfiança, como a mineração e a agropecuária. “Essas áreas são vitais para a transição energética. Elas devem ser reconhecidas por sua contribuição concreta e por sua capacidade de transformação sustentável”, destacou.
O legado e a continuidade da COP30
A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, reforçou que o maior desafio das conferências climáticas é garantir que os compromissos firmados se traduzam em ações efetivas. “As COPs mobilizam atenção global, mas o grande desafio é o pós-evento. Precisamos manter o engajamento, consolidar os avanços e garantir que o legado se traduza em políticas e práticas duradouras”, explicou.
Ana lembrou que o Brasil permanecerá na presidência da COP até o fim de 2026, o que amplia o horizonte de atuação e a responsabilidade do país. “Esse período é estratégico para aprofundar o diálogo com setores-chave, como o mineral, e ampliar a presença brasileira em discussões internacionais sobre financiamento climático, inovação tecnológica e transição justa.”
Ela defendeu ainda que o debate sobre mineração e clima vá além da compensação de emissões, abordando de forma integrada os temas de governança, justiça ambiental e inclusão de comunidades nos territórios mineradores. “A transição precisa ser justa e sustentável. Isso significa incluir todos os atores e pensar nas populações diretamente afetadas pelas cadeias de produção.”
Uma nova narrativa para a mineração
A reunião entre o IBRAM, Corrêa do Lago e Ana Toni consolidou uma visão de futuro em que a mineração brasileira busca se apresentar como parte da solução — e não do problema — na luta contra as mudanças climáticas. Com investimentos em rastreabilidade, energia limpa e inovação social, o setor pretende transformar sua imagem global, mostrando que a extração mineral pode caminhar lado a lado com a conservação ambiental.
“Queremos que a COP30 seja o início de uma nova fase”, resumiu Jungmann. “Uma fase em que o setor mineral é reconhecido por sua contribuição à transição energética, pela transparência e pelo compromisso com um futuro climático mais seguro.”
O encontro também reforçou o papel do Brasil como mediador entre desenvolvimento e sustentabilidade. À medida que Belém se prepara para receber delegações de todo o mundo, a mensagem é clara: o país não quer apenas sediar a COP30, quer liderar o debate global sobre a economia verde — e a mineração pretende estar entre os protagonistas dessa transformação.
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