
O dodô, ave que vivia apenas na ilha Maurício, no oceano Índico, e foi extinto no século 17, está no centro de um projeto de “desextinção”. A empresa americana Colossal Biosciences anunciou ter cultivado, pela primeira vez, células germinativas primordiais de pombo, as células que dão origem a óvulos e espermatozoides. É um passo técnico necessário para tentar criar uma ave semelhante ao dodô. Cientistas lembram, porém, que o resultado não seria o dodô original, mas um animal parecido, editado geneticamente.
Quem era o dodô
O dodô (Raphus cucullatus) era uma ave grande, que não voava, parente dos pombos. Vivia sem predadores naturais em Maurício até a chegada dos navegadores europeus, no fim do século 16. Caçado e ameaçado por animais trazidos pelos humanos, como ratos, porcos e macacos, que comiam seus ovos, desapareceu em poucas décadas. O último registro confiável é do século 17, há mais de 360 anos. Virou símbolo mundial de extinção causada pelo ser humano.
O que a empresa diz ter feito
Segundo a Colossal, a equipe conseguiu manter culturas de células germinativas de pombo vivas por mais de dois meses, dobrando de número a cada 35 horas, depois de testar mais de 300 combinações de substâncias de crescimento. Até então, esse tipo de cultura só tinha sido feito com galinhas e gansos.
O plano da empresa tem várias etapas:
- usar como base o pombo-de-nicobar, o parente vivo mais próximo do dodô, do qual a Colossal mantém uma colônia de reprodução nos Estados Unidos;
- editar o DNA dessas células para aproximá-lo do genoma do dodô, reconstruído a partir de material de museus;
- usar galinhas modificadas, sem células reprodutivas próprias, como “barrigas de aluguel” que botariam ovos com as células editadas.
A empresa fala em um prazo de cinco a sete anos para ver uma ave semelhante ao dodô, previsão que depende de etapas ainda não demonstradas.
As críticas
Pesquisadores e organizações de conservação apontam limites. Pelas diretrizes da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o que se obtém nesses projetos é um “substituto” da espécie extinta, um animal com algumas características dela, não a espécie em si. O comportamento, aprendido em grupo e com os pais, também não pode ser recriado em laboratório.
Há ainda a questão do lugar. Maurício mudou muito desde o século 17, e as ameaças que acabaram com o dodô, como os animais invasores, continuam lá. Críticos também argumentam que o dinheiro poderia ser usado para salvar espécies que ainda existem.
A empresa responde que as tecnologias desenvolvidas, como a cultura de células de aves, podem ajudar também espécies ameaçadas, por exemplo para ampliar a diversidade genética de populações pequenas.
Uma empresa de desextinção
A Colossal ficou conhecida por projetos semelhantes com o mamute-lanoso e o tigre-da-tasmânia. Em 2025, anunciou nova rodada de investimento que elevou o valor de mercado da empresa a mais de 10 bilhões de dólares, segundo a própria companhia.
Perguntas frequentes
O dodô vai voltar a existir?
Não exatamente. Se o projeto der certo, nascerá uma ave editada geneticamente com características do dodô, não o dodô original.
Quando o dodô foi extinto?
No século 17, poucas décadas depois da chegada dos europeus à ilha Maurício.
Qual é o parente vivo mais próximo do dodô?
O pombo-de-nicobar, ave do Sudeste Asiático e de ilhas do Pacífico.
Quanto tempo levaria?
A empresa fala em cinco a sete anos, mas não há garantia de que todas as etapas funcionem.
Com informações da Colossal Biosciences e das diretrizes da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) sobre a criação de substitutos de espécies extintas.
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