Duas espécies de plantas são descobertas em floresta protegida no Peru e elevam para 36 o registro de Columnea no país

Duas espécies de plantas são descobertas em floresta protegida no Peru e elevam para 36 o registro de Columnea no país
Ilustração: Revista Amazônia

Columnea puipuense e Columnea valenzuelai foram identificadas em florestas montanhosas e nubladas da Floresta de Proteção Pui Pui

Duas plantas aparecem durante explorações na floresta

Durante explorações científicas em florestas montanhosas e nubladas da Amazônia peruana, pesquisadores identificaram duas espécies de plantas que ainda não haviam sido registradas pela ciência. As espécies receberam os nomes Columnea puipuense e Columnea valenzuelai e são endêmicas da região, o que significa que sua ocorrência está restrita à área em que foram encontradas.

A descoberta ocorreu na Floresta de Proteção de Pui Pui, uma área natural protegida localizada no departamento de Junín, no Peru. O anúncio foi divulgado em 28 de maio de 2026. A pesquisa foi desenvolvida por Rocío del Pilar Rojas Gonzáles, Rodolfo Vásquez Martínez e Elmes Pinche Shareva, do Herbário Central Oxapampa Jungle, ligado ao Jardim Botânico de Missouri, nos Estados Unidos.

O gênero Columnea ganha dois novos registros científicos

As duas espécies pertencem ao gênero Columnea, grupo incluído na família Gesneriaceae. Com a identificação, o número de espécies de Columnea registradas no Peru chegou a 36. A família à qual o gênero pertence passou a reunir 227 espécies documentadas no país, segundo as informações associadas à descoberta.

A descrição das plantas foi publicada na revista científica PhytoKeys. Em estudos botânicos, a publicação formal é a etapa que apresenta as características usadas para distinguir uma espécie de outras próximas. Nesse caso, os pesquisadores analisaram traços visíveis das folhas, das flores, da corola e das estruturas produtoras de néctar.

Columnea puipuense carrega o nome da área protegida

Uma das novas espécies foi chamada de Columnea puipuense, em referência direta à Floresta de Proteção de Pui Pui. A planta se distingue pelas folhas verde-oliva com bordas avermelhadas e pelas flores de cor creme. Esses traços ajudam a separar a espécie de outras plantas do mesmo gênero encontradas em ambientes semelhantes.

O nome também registra a relação entre a descoberta e o território protegido. Na nomenclatura científica, espécies podem receber nomes associados ao local em que foram encontradas. No caso de C. puipuense, a escolha destaca a contribuição da área natural protegida para o conhecimento da flora peruana e para o reconhecimento de sua diversidade vegetal.

Outra espécie homenageia um botânico peruano

A segunda planta foi denominada Columnea valenzuelai, em homenagem ao botânico e pesquisador peruano Luis Valenzuela Trujillo. Sua principal combinação de características inclui uma corola tubular amarela e um nectário formado por cinco glândulas livres.

O nectário é a estrutura associada à produção de néctar, recurso utilizado por animais que visitam flores. As cinco glândulas livres descritas para C. valenzuelai fazem parte do conjunto de características que diferencia a espécie de outras Columnea. A forma tubular da corola também integra a descrição científica usada para reconhecê-la.

Florestas nubladas escondem parte da diversidade

As plantas foram encontradas em florestas montanhosas e nubladas, ecossistemas considerados entre os mais biodiversos e menos estudados do Peru. Esses ambientes integram a transição andino-amazônica e reúnem condições que favorecem a ocorrência de diferentes espécies de plantas.

A identificação de duas espécies endêmicas mostra que o levantamento da flora ainda amplia o conhecimento sobre áreas protegidas já reconhecidas por sua importância. Cada descrição acrescenta uma unidade ao inventário biológico e permite nomear formas de vida que antes permaneciam fora dos registros científicos. A descoberta, porém, representa uma área específica e não uma contagem completa de toda a vegetação da região.

Pui Pui combina conservação e uso sustentável

A Floresta de Proteção Pui Pui está localizada na floresta tropical central do Peru e é administrada pelo Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado, conhecido pela sigla Sernanp. A unidade é considerada importante para a conservação da biodiversidade andino-amazônica.

Além de proteger o ecossistema, a área combina a conservação ambiental com o uso sustentável dos recursos pelas comunidades locais. Essa função aproxima a descoberta científica da gestão do território: a mesma floresta que abriga espécies ainda não registradas também sustenta práticas de uso compatíveis com a proteção da biodiversidade.

Uma descoberta que amplia o patrimônio natural conhecido

José Carlos Nieto, presidente executivo do Sernanp, afirmou que cada nova espécie identificada amplia a compreensão sobre o patrimônio natural do país. Segundo ele, o registro também destaca o valor de proteger ecossistemas que ainda abrigam riqueza biológica por descobrir.

A divulgação de C. puipuense e C. valenzuelai reforça que a conservação não depende apenas de paisagens reconhecidas, mas também do conhecimento detalhado de seus organismos. A floresta peruana ganha dois nomes científicos, o gênero Columnea chega a 36 espécies registradas no país e a pesquisa transforma uma área protegida em referência para entender quanto da vida amazônica ainda precisa ser descrito.

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