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Economia circular: 4 em cada 10 buscam mais conhecimento no Brasil

Economia circular: 4 em cada 10 buscam mais conhecimento no Brasil
Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

Pesquisa recente revela desafios na compreensão e engajamento da população com práticas sustentáveis e reciclagem no país.

Um estudo recente aponta que a compreensão sobre economia circular ainda é um desafio significativo no Brasil. Quatro em cada dez brasileiros, ou 39% da população, nunca ouviram falar sobre o conceito. Os dados, de uma pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao QualiBest, divulgados em julho de 2026, mostram que, embora 57% da população já tenha tido algum contato com o tema, o conhecimento permanece superficial.

A economia circular propõe um modelo de gestão de recursos onde produtos e materiais são reutilizados, recuperados e reinseridos no ciclo produtivo. Esta abordagem contrasta diretamente com o modelo linear tradicional de ‘extrair, produzir, usar e descartar’, que predomina ainda em muitas indústrias e sistemas de consumo. De acordo com o levantamento, apenas 12% dos entrevistados declararam conhecer bem o conceito, enquanto 45% afirmaram ter ouvido falar, mas sem detalhes.

Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, sublinha a necessidade de aprofundamento. “Isso é um ponto que ainda precisa ser trabalhado, porque não adianta nada você conhecer se você não tem um aprofundamento do tema, e isso que a gente precisa tentar trabalhar”, afirma. Para ela, a ampliação do conhecimento deve ser um esforço conjunto de escolas, governos, empresas e organizações sociais, com foco especial em crianças e adolescentes. Segundo Geraldes, “a gente entende que eles são os nossos principais vetores de comunicação com suas famílias, com a comunidade do entorno. Então isso é superimportante para poder fazê-los entender e para levarem esse exemplo para casa.”

Hábitos e percepções sobre reciclagem

A pesquisa, intitulada ‘Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População’, ouviu 834 pessoas com mais de 18 anos entre 30 de abril e 8 de maio de 2026, e comparou os resultados com uma edição anterior de 2025. Um dado encorajador é que 74% dos entrevistados demonstraram disposição para mudar hábitos de consumo a fim de gerar menos resíduos. Contudo, 23% afirmaram não ter essa disposição, e 3% declararam que talvez mudariam.

A responsabilidade pela reciclagem é percebida como compartilhada. A pesquisa revela que 78% dos pesquisados atribuem essa responsabilidade principalmente à população, 63% ao governo e 55% às empresas. Em comparação com o levantamento de 2025, a responsabilização da população cresceu três pontos percentuais, enquanto a cobrança por atuação do governo e empresas aumentou quatro e seis pontos percentuais, respectivamente. Escolas (35%) e organizações não governamentais (ONGs) (30%) também foram mencionadas como atores importantes nesse processo.

Logística reversa e confiança na reciclagem

A logística reversa, que envolve a devolução de produtos ao fabricante após o uso para reinserção na cadeia produtiva, também foi analisada. O estudo indica que 42% dos entrevistados já devolveram algum produto ao menos uma vez, e 14% fazem isso com frequência. Este número sinaliza um potencial de engajamento que pode ser melhor explorado.

Quanto ao acesso à coleta seletiva, 55% dos entrevistados afirmam ter o serviço disponível em casa ou na rua. No entanto, 11% separam os resíduos, mas não os levam aos pontos de coleta. Deste grupo, 63% entregam material reciclável e orgânico juntos ao caminhão de coleta comum, e 36% entregam o material já separado a catadores. A confiança na reciclagem dos resíduos separados é notavelmente alta: mais da metade (54%) da população acredita que seus resíduos são efetivamente reciclados, enquanto apenas 6% expressam desconfiança no processo.

Marlene Treuk, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, destacou que, apesar da necessidade de aprofundar o conhecimento, já se observa uma “transformação na prática”. Segundo ela, “existe uma percepção clara sobre a importância da reciclagem e uma disposição crescente para adotar comportamentos mais sustentáveis.” Para a Amazônia, onde a pressão sobre os recursos naturais é imensa, a implementação e o entendimento da economia circular são cruciais. Iniciativas de educação ambiental e programas de logística reversa podem não apenas gerar valor econômico, mas também proteger a vasta biodiversidade da região.

Perguntas Frequentes sobre Economia Circular

O que é economia circular?
É um modelo econômico que busca manter produtos, componentes e materiais em seu ciclo de uso e valor pelo maior tempo possível, eliminando a geração de resíduos e utilizando energias renováveis.

Qual a diferença entre economia linear e circular?
A economia linear segue o modelo de extrair, produzir, usar e descartar, enquanto a economia circular foca na reutilização, recuperação e reciclagem para manter os recursos em uso.

Quem é responsável pela reciclagem no Brasil?
A população, o governo e as empresas são os principais responsáveis pela reciclagem, conforme a percepção dos entrevistados, com escolas e ONGs também desempenhando um papel importante.

O avanço no conhecimento e engajamento com a economia circular representará um passo fundamental para o Brasil em direção a um futuro mais sustentável, com reflexos positivos para a preservação ambiental em regiões vulneráveis como a Amazônia.

Com informações de Agência Brasil.

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