
O tório é um actinídeo radioativo abundante e considerado um combustível nuclear alternativo do futuro. Símbolo Th, número atômico 90, massa atômica de 232,0 unidades. Descoberto em 1828 e batizado em homenagem a Thor, deus nórdico do trovão, está presente em areias monazíticas brasileiras, com ocorrência no litoral norte da Amazônia. A INB, Indústrias Nucleares do Brasil, atua na cadeia produtiva.
O tório como elemento
O tório foi isolado em 1828 pelo químico sueco Jöns Jacob Berzelius, mesmo cientista que isolou o selênio uma década antes. O nome vem de Thor, deus nórdico do trovão. É um actinídeo radioativo, com meia-vida de bilhões de anos, o que o torna efetivamente estável na escala de tempo humana.
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Prata amazônica: o melhor condutor elétrico do mundo aparece como subproduto silencioso do ouro e do cobreEmbora radioativo, o tório é menos perigoso de manusear que o urânio quando em forma metálica, o que historicamente permitiu seu uso em mantas de lampiões a gás (as antigas camisinhas Welsbach) que produziam luz branca brilhante. Hoje, esse uso é raro por questões de segurança e regulação.
O tório também aparece em ligas com magnésio para aplicações aeroespaciais, em catodos de tubos de elétrons e em alguns vidros ópticos de alta qualidade. Mas seu maior potencial está num uso ainda em desenvolvimento: como combustível nuclear alternativo.
Monazita amazônica: o tório do litoral norte
O Brasil tem reservas significativas de tório associadas a depósitos de areias monazíticas, mineral que também contém terras raras como cério, lantânio e neodímio. Esses depósitos ocorrem em parte do litoral norte do país, com ocorrências no Pará e em outros estados da Amazônia oriental, além de outras regiões litorâneas.
A INB, Indústrias Nucleares do Brasil, é a empresa estatal responsável pela cadeia nuclear brasileira, atuando em pesquisa, mineração e processamento de elementos como urânio e tório. A operação industrial em larga escala do tório é limitada no Brasil, em parte porque a tecnologia de reator de tório ainda não é comercial em escala global.
Tório como combustível nuclear alternativo
Reatores de tório são pesquisados há décadas como alternativa aos reatores convencionais de urânio. As vantagens potenciais são várias: o tório é mais abundante que o urânio, gera menos resíduos radioativos de longa duração e não pode ser facilmente desviado para fabricação de armas nucleares.
Países como Índia e China investem em pesquisa de reatores de sal fundido com tório. No Brasil, o tema é discutido em centros de pesquisa, embora os investimentos comerciais ainda sejam modestos. A combinação de reservas naturais com uma agência estatal específica coloca o país em posição estratégica para participar dessa eventual revolução energética.
O que isso significa para a Amazônia
O tório amazônico é um ativo silencioso do país. Não rende manchetes diárias, não é objeto de garimpo nem de polêmica ambiental imediata. Mas se a tecnologia de reatores de tório se consolidar nas próximas décadas, o Brasil pode ocupar posição estratégica no fornecimento global do combustível.
Para a Amazônia, isso significa que mesmo elementos quase invisíveis na rotina pública têm potencial econômico de longo prazo. O desafio é desenvolver capacidade tecnológica antes que outros países dominem a cadeia produtiva, perdendo a oportunidade de transformar a riqueza mineral em valor agregado.
Lampiões a gás antigos usavam mantas de tório que emitiam luz branca brilhante quando aquecidas. Ligas com magnésio em estruturas aeroespaciais aproveitam a leveza e resistência. Em laboratórios, vidros ópticos de tório têm alto índice de refração e durabilidade. A pesquisa contemporânea aponta para reatores de sal fundido como aplicação futura mais promissora.
Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia
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