
“A Amazônia é o pulmão do mundo.” A frase atravessa décadas, livros didáticos e discursos políticos. Mas, do ponto de vista da química do oxigênio, ela merece nuance. Símbolo O, número atômico 8, massa atômica de 16,00 unidades. O oxigênio é o elemento mais abundante da crosta terrestre e fundamental para a vida aeróbia. A floresta amazônica produz oxigênio em escala colossal, mas o balanço líquido é mais complexo do que o slogan sugere.
O oxigênio como elemento
O oxigênio foi isolado de forma independente por Carl Wilhelm Scheele e Joseph Priestley nos anos 1770. Antoine Lavoisier, pouco depois, foi quem deu o nome e mostrou seu papel central nas reações de combustão. Compõe cerca de 21% da atmosfera e mais de 60% do corpo humano em massa. Sem ele, a respiração celular como conhecemos não funcionaria, e a vida dos animais terrestres seria impossível.
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Silício de Alter do Chão: o Caribe Amazônico em forma de quartzo branco no TapajósÉ o elemento mais reativo entre os abundantes. Reage com quase tudo que toca, formando óxidos, sulfatos, água e milhares de outras substâncias. A ferrugem do ferro, o esmaecimento de tintas e a deterioração de alimentos são todas reações de oxidação. A própria vida moderna depende de uma química do oxigênio cuidadosamente equilibrada.
O mito do pulmão do mundo: o que está certo e o que está errado
Plantas verdes produzem oxigênio pela fotossíntese. A Amazônia, por sua escala, produz uma quantidade enorme. Esse fato é incontestável. O que poucos lembram é que a floresta também consome oxigênio. Árvores respiram à noite. Microrganismos do solo decompõem matéria orgânica usando oxigênio. Animais e fungos respiram o tempo todo. Em florestas maduras e em equilíbrio, a produção e o consumo tendem a se aproximar.
Pesquisadores em ecologia estimam que o balanço líquido de oxigênio da Amazônia é próximo a zero, não significativamente positivo. Uma parte importante do oxigênio que respiramos vem do fitoplâncton dos oceanos, organismos microscópicos que fazem fotossíntese em escala planetária. Algumas estimativas indicam que metade ou mais do oxigênio atmosférico tem origem oceânica.
Isso não diminui a Amazônia. Apenas ajusta a narrativa para a verdade científica.
Por que a Amazônia é fundamental mesmo assim
Mesmo sem ser o pulmão único do planeta, a Amazônia é insubstituível. Ela armazena bilhões de toneladas de carbono. Quando desmatada e queimada, libera esse carbono na atmosfera, alimentando o aquecimento global. Ela regula chuvas continentais por meio dos rios voadores. Abriga uma biodiversidade que não existe em nenhum outro lugar do planeta. Sustenta povos indígenas e comunidades que dependem dela há milênios.
O valor da Amazônia não está em produzir oxigênio que ninguém precisaria pagar. Está em estabilizar o clima, proteger biodiversidade e abrigar conhecimento ancestral. Esses são serviços ecossistêmicos sem substituto tecnológico viável.
O que isso significa para a Amazônia
Defender a Amazônia com argumentos verdadeiros é mais eficiente do que repetir mitos. Quando alguém descobre que o pulmão do mundo é uma simplificação, pode descartar todo o resto. Mas quando entende que a floresta regula o clima, sequestra carbono e abriga vida única, vê uma razão muito mais forte para protegê-la.
O oxigênio amazônico é parte do todo. A química real é mais sutil e mais bonita. A Amazônia respira como um organismo vivo, e nesse ciclo de respiração e fotossíntese se constrói o equilíbrio que sustenta a vida na Terra.
O fitoplâncton oceânico produz uma fração significativa do oxigênio atmosférico. Cianobactérias começaram a oxigenar a atmosfera há cerca de 2,4 bilhões de anos, num evento chamado Grande Evento de Oxidação. Antes disso, a atmosfera não tinha oxigênio livre, e a vida era restrita a microrganismos anaeróbios. O oxigênio que respiramos hoje é o legado de bilhões de anos de fotossíntese acumulada.
Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia
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