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Urânio brasileiro: as minas de Caetité que sustentam a energia nuclear nacional sob a INB

O urânio é o combustível das usinas nucleares. Símbolo U, número atômico 92, massa atômica de 238,0 unidades. As principais minas brasileiras estão em Caetité (BA) e em Itataia (CE), operadas pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil). O combustível enriquecido abastece as usinas de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

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O urânio como elemento

O urânio foi isolado em 1789 pelo químico alemão Martin Heinrich Klaproth, que o batizou em homenagem ao planeta Urano, descoberto pouco antes. É um actinídeo radioativo natural, encontrado em rochas e solos em concentrações pequenas mas espalhadas por todo o globo.

Existem três isótopos naturais. O urânio-238 é o mais abundante (mais de 99% do urânio natural). O urânio-235 é o que sustenta reações em cadeia nas usinas nucleares e em armas atômicas, mas representa menos de 1% do total natural. Por isso, o urânio precisa ser enriquecido em centrífugas para uso como combustível em reatores comerciais.

Caetité e Itataia: o urânio brasileiro

Caetité, no sudoeste da Bahia, é a única mina de urânio em operação ativa no Brasil. Operada pela INB, a empresa estatal responsável pela cadeia nuclear nacional, fornece concentrado de urânio para enriquecimento. Itataia, no Ceará, tem reservas significativas e está em fase de licenciamento e desenvolvimento, com previsão de operar nos próximos anos.

O Brasil tem reservas significativas de urânio comparadas a outros países. Mas a exploração comercial é limitada por escolha estratégica e pelo modelo regulatório. A INB detém o monopólio constitucional sobre a mineração e o ciclo do combustível nuclear no país.

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Angra e o ciclo nuclear nacional

As usinas Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), geram parte da energia elétrica do país e são abastecidas com combustível derivado, em parte, do urânio brasileiro. Angra 3, em construção há décadas, deve ampliar a capacidade quando concluída. O programa nuclear inclui também aplicações médicas (radiofármacos) e pesquisa científica em reatores experimentais.

O Brasil é um dos poucos países do mundo que dominam todo o ciclo do combustível nuclear, da mineração ao enriquecimento. A tecnologia foi desenvolvida pela Marinha em parceria com universidades, num esforço estratégico de soberania nacional. A produção em escala industrial de urânio enriquecido é meta perseguida há décadas.

O que isso significa para o mundo

A energia nuclear divide opiniões. Defensores apontam baixíssima emissão de carbono e capacidade de fornecimento contínuo, vantagens diante das mudanças climáticas. Críticos ressaltam riscos de acidentes, gestão de resíduos por milhares de anos e proliferação militar. O urânio fica no centro desse debate.

Países como China, Rússia, França e Coreia do Sul investem fortemente em novos reatores. A energia nuclear pode ter papel relevante na transição energética global, especialmente em países sem matriz hidrelétrica forte. Para o Brasil, com reservas próprias e ciclo dominado, o urânio é ativo estratégico de longo prazo.

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Urânio além das usinasEm medicina, radiofármacos derivados do urânio e seus produtos de decaimento são usados em diagnóstico por imagem e tratamento de câncer. Em datação geológica, a relação entre urânio e seus produtos de decaimento permite estimar idades de rochas com bilhões de anos, técnica usada para datar a formação da Terra. Vidros e cerâmicas antigas (até a primeira metade do século XX) usavam compostos de urânio para colorir, tradição abandonada por questões de segurança.

Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia

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