Espada de mais de 3 mil anos sai do fundo de um lago na Itália com a lâmina ainda afiada, ao lado de uma vila de palafitas submersa

Espada de mais de 3 mil anos sai do fundo de um lago na Itália com a lâmina ainda afiada, ao lado de uma vila de palafitas submersa
Foto: Soprintendenza Archeologia, Belle Arti e Paesaggio per la provincia di Viterbo e per l'Etruria Meridionale/Divulgação. A espada no fundo do lago de Mezzano, antes da retirada.

Uma espada de bronze com mais de 3 mil anos foi retirada do fundo do lago de Mezzano, no centro da Itália, com a lâmina ainda afiada. A peça é do século 13 a.C. e foi encontrada por arqueólogos subaquáticos da Soprintendenza Archeologia, Belle Arti e Paesaggio per la provincia di Viterbo e per l’Etruria Meridionale, órgão do Ministério da Cultura italiano, durante a campanha de pesquisa encerrada no início de outubro de 2026. É a terceira espada achada no local desde os anos 1970.

O lago fica em Valentano, na província de Viterbo, região conhecida como Tuscia, e ocupa a cratera de um antigo vulcão. Debaixo da água está uma vila de palafitas, casas erguidas sobre estacas de madeira, que foi habitada entre cerca de 1700 e 1150 a.C., na Idade do Bronze.

Uma lâmina que ainda corta

Segundo a Soprintendenza, o estado de conservação é o que mais chama atenção: mesmo depois de milhares de anos submersa, a lâmina conserva o fio cortante. A espada pertence ao chamado Bronze Recente e, pelas características de forma e de época, se encaixa na produção de metais da Itália central no fim da Idade do Bronze.

O bronze é uma liga de cobre e estanho e não enferruja como o ferro. Ele forma uma camada de corrosão na superfície, mas, quando fica protegido no sedimento, pode chegar ao presente com detalhes de fabricação preservados.

A peça apareceu na margem sul do lago, um setor que até agora tinha sido pouco investigado. A equipe trabalhou com o Serviço de Arqueologia Subaquática da Soprintendenza, dirigida por Margherita Eichberg, e com mergulhadores do Núcleo Subaquático dos Carabinieri de Roma, que ajudaram na prospecção, no registro e na segurança das operações.

Machados, punhais e uma navalha

A espada não veio sozinha. Na mesma campanha, os arqueólogos recuperaram vasos de cerâmica inteiros e vários objetos de bronze: machados, pontas de flecha, punhais, pontas de lança, alfinetes e uma navalha.

Em áreas onde os metais estavam acima da camada arqueológica principal, a equipe usou detectores de metal para localizar as peças e evitar saques. Restauradores especializados em materiais que passaram séculos debaixo da água fizeram a estabilização imediata dos achados, para que não se deteriorem ao entrar em contato com o ar.

Oferenda às águas?

Armas e objetos de metal em lagos aparecem em vários sítios europeus da Idade do Bronze. Em muitos casos, os arqueólogos interpretam esses achados como depósitos intencionais, feitos em rituais ligados à água, e não como objetos perdidos por acaso.

Em Mezzano, a Soprintendenza destaca um detalhe: a nova espada estava perto da navalha de bronze. Essa combinação já foi registrada em outros contextos da pré-história europeia e costuma ser associada a pessoas de alta posição social, provavelmente da elite guerreira. Na época, uma espada não servia só para o combate. Era também sinal de prestígio, identidade e poder.

Outro dado intriga os pesquisadores. Os objetos de metal estavam em profundidades muito parecidas em diferentes setores da área estudada. Essa regularidade deve ajudar a reconstruir como o depósito arqueológico se formou e a testar os modelos que explicam o que aconteceu no lago.

Mais de 600 estacas mapeadas

As pesquisas subaquáticas em Mezzano foram retomadas em 2025, depois de um longo período parado. Naquele ano, a equipe fez o mapeamento do fundo de toda a bacia e registrou mais de 600 estacas de madeira cravadas no leito argiloso, em cerca de um terço da área conhecida da vila.

Essas estacas eram a base das casas. Contadas e posicionadas em mapa, elas permitem reconstruir o desenho do povoado e aspectos do dia a dia de uma comunidade que viveu ali séculos antes do surgimento da civilização etrusca.

Casas sobre esteios não são novidade para quem conhece a Amazônia. As palafitas continuam comuns nas várzeas e nas beiras de rio da região, onde a água sobe e desce ao longo do ano. Em Mezzano, a solução de 3.500 anos atrás ficou guardada debaixo do lago.

Entenda

A Idade do Bronze é o período em que as sociedades passaram a fabricar ferramentas e armas com a liga de cobre e estanho, antes da difusão do ferro. Na Itália central, ela vai de cerca de 2300 a.C. ao início do primeiro milênio a.C. Palafitas são construções apoiadas em estacas, erguidas sobre a água ou sobre terrenos alagáveis.

Perguntas frequentes

Onde a espada foi encontrada?

No lago de Mezzano, em Valentano, província de Viterbo, no centro da Itália.

Qual é a idade da espada?

Ela é do século 13 a.C., ou seja, tem mais de 3.200 anos, segundo a Soprintendenza.

Por que a lâmina ainda está afiada?

O bronze não enferruja como o ferro e a peça ficou protegida no sedimento do lago, o que preservou o fio.

A espada vai ser exposta?

A Soprintendenza prevê uma exposição dedicada aos bronzes de Mezzano, com a nova espada e os outros objetos recuperados.

As próximas campanhas devem escavar o depósito submerso camada por camada, com novas tecnologias de registro, para entender como as armas e os vasos foram parar no fundo do lago.

Com informações da Soprintendenza Archeologia, Belle Arti e Paesaggio per la provincia di Viterbo e per l’Etruria Meridionale, do Ministério da Cultura da Itália.

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