
Um levantamento conduzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) ONSEADAdapta revelou que mais da metade dos estudantes do ensino médio brasileiro estão matriculados em escolas com pouca ou nenhuma resiliência a enchentes.
Escolas sob ameaça climática
O número impressiona: cerca de 15 milhões de alunos, o equivalente a 57,6% do total. Além disso, outros 8 milhões (33,8%) estudam em instituições vulneráveis à seca.

O estudo utiliza o Índice de Segurança Hídrica (ISH), aliado a dados georreferenciados, para mapear escolas expostas a eventos extremos. Os resultados apontam que quase 5 milhões de estudantes estão em áreas com resiliência mínima a inundações e cerca de 8 milhões enfrentam diferentes níveis de vulnerabilidade à seca.
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Em 2023, mais de um milhão de alunos perderam aulas devido a eventos extremos de seca ou enchente, segundo o professor Eduardo Mario Mendiondo, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP e um dos autores da pesquisa. Um exemplo citado foi a seca severa que afetou a região amazônica, impossibilitando o transporte fluvial de alunos.
Diante desse cenário, surgem práticas adaptativas conhecidas como “resiliência pedagógica”, especialmente no Norte do país. Professores da Amazônia têm flexibilizado o calendário escolar, adaptando o currículo durante os meses mais secos, entre julho e novembro, para manter o vínculo educacional mesmo em situações adversas.

Seca, um desafio persistente
Durante uma mesa-redonda na 77ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o pesquisador José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), destacou que as secas são os eventos climáticos mais danosos no Brasil. Elas afetam não apenas o meio ambiente, mas também a economia e a organização social.
As regiões mais afetadas por secas são o Sul do país, parte do Nordeste e a Amazônia. Marengo classificou os diferentes tipos de seca — curtas, médias e longas — e alertou para a tendência crescente de eventos extremos intensos, seguidos por longos períodos secos. Esse padrão, segundo ele, já é observado tanto no Brasil quanto no exterior, como na Europa e nos Estados Unidos.
Saúde indígena em risco
Os efeitos das mudanças climáticas na educação não se limitam à perda de aulas. A seca prolongada e a poluição dos rios também têm impacto direto sobre a saúde das populações indígenas. A pesquisadora Sandra Hacon, da Fiocruz, apontou que há aumento de quadros de ansiedade e medo entre indígenas amazônicos, devido à escassez e à contaminação da água.
Queimadas agravam a situação: partículas liberadas no ar acabam sendo depositadas nos rios, levando as comunidades a evitar o consumo da água. “Isso pode gerar casos severos de desidratação, especialmente entre crianças e idosos”, alertou Hacon.
Planejamento educacional precisa considerar riscos climáticos
O cenário apresentado pelo estudo reforça a urgência de incorporar a gestão de riscos climáticos às políticas educacionais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação já prevê essa abordagem como obrigatória. Com as mudanças climáticas ganhando intensidade e frequência, a resiliência das escolas brasileiras — física, pedagógica e estrutural — precisa ser tratada como prioridade nacional.
Fonte: Agência FAPESP
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