
O FIINSA 2026 acontece de 3 a 5 de novembro, com visitas de campo, painéis e rodadas de negócios voltados à bioeconomia amazônica.
Antes de qualquer painel no centro de convenções, a edição de 2026 do Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) começa dentro do território: no dia 3 de novembro, participantes visitam ruínas às margens do Rio Negro, sítios de agrofloresta e um bairro de periferia de Manaus. O evento acontece de 3 a 5 de novembro, no Manaus Plaza Centro de Convenções, e reúne empreendedores, investidores, lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes dos setores público e privado.
A organização é do Impact Hub Manaus e do Idesam. O lema da edição é “O futuro aponta para o Norte”.
Primeiro dia é de campo, com oito imersões
A terça-feira, 3 de novembro, é dedicada a experiências em comunidades ribeirinhas, iniciativas de bioeconomia de base comunitária e projetos de inovação em Manaus e arredores. As vagas são dedicadas ao ingresso Raiz.
Entre as opções estão Paricatuba, com debate sobre patrimônio, turismo e economia local entre ruínas e o Rio Negro, e o Sítio PANC, guiado pelo professor Valdely Kinupp, sobre plantas alimentícias não convencionais e agrofloresta. Há ainda a Remata, que apresenta modelos agroflorestais para recuperar áreas degradadas, e o circuito CIDE + CBA, pelos bastidores de incubação de negócios, biopesquisa e tecnologias de transporte regional.
A lista inclui também o Museu da Amazônia (MUSA), com trilha guiada e torre de observação, e o Soul do Monte, que mostra como uma comunidade da periferia articula cultura, educação e renda. Duas vivências fecham o cardápio: uma oficina de música com bioinstrumentos da floresta e outra que reúne yoga, cacau cerimonial e banho de cheiro.
Seis trilhas organizam a programação
Para 2026, o festival se organiza em seis trilhas temáticas:
- Enraizar, sobre negócios comunitários, com associações, cooperativas e empreendedores ribeirinhos, indígenas e quilombolas;
- Escalar, para empreendimentos de impacto que buscam crescer sem abrir mão da missão e acessar capital;
- Regenerar, que trata de clima, pagamento por serviços ambientais, carbono e novos marcos regulatórios;
- Inovar, com foco em tecnologia, rastreabilidade, dados e pesquisa aplicada;
- Estruturar, sobre políticas públicas, governança e articulação entre poder público, sociedade civil e iniciativa privada;
- Encantar, que coloca economia criativa, turismo e cultura como atividades econômicas reais.
Quem fala no dia 4 de novembro
O segundo dia, batizado de “Pingos nos is”, começa com credenciamento e café às 8h30. A abertura na Plenária Banzeiro é às 9h30. Às 10h15, o painel “Pontos de partida: o futuro aponta para o Norte” reúne Manoel Cunha (CNS e ICMBio), Macaulay Abreu (Navegam), Natalie Unterstell (Talanoa), Pi Suruí (Metareilá e Carbono Paiter Suruí), Valcleia Lima (FAS) e Marlena Soares (Instituto Regatão).

Das 11h30 às 13h, painéis simultâneos ocupam seis espaços. Na Sala Terra Firme, o debate é sobre o que falta para produtos amazônicos competirem em novos mercados, com representantes de Natura Ingredientes, 100% Amazônia e Flor de Jambu, entre outros. Na Sala Igarapé, a pergunta é quanto vale manter a floresta em pé e quem recebe por isso, a partir de experiências de pagamento por serviços ambientais (PSA).
Há ainda uma conversa sobre capital de longo prazo na Sala Rebojo, outra sobre moda ancestral no Centro Comunitário, com a liderança Baré Valda Barreto, e uma sobre cultura como produto no Palco Olho d’Água.
À tarde, a partir das 14h15, os debates tratam de escala de negócios amazônicos, capital filantrópico para empreendimentos comunitários e cinco anos de apoio a negócios de impacto, com mediação do Fundo Vale. No Centro Comunitário, representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional discutem quem faz o quê pela bioeconomia. No Palco Olho d’Água ocorre o lançamento do Atlas da Sociobioeconomia Quilombola, com a CONAQ. A Sala Igapó terá uma sala de trabalho fechada para convidados.
Do fórum de 2018 ao festival atual
Segundo o FIINSA, o evento nasceu em 2018 como fórum e se transformou em festival. Os números divulgados pela organização mostram a oscilação ao longo das edições:
- 2018: 252 participantes, 64 palestrantes, 17 painéis, rodas de conversa e oficinas, e R$ 14 mil em valores comercializados;
- 2022, após a pandemia: 430 participantes, 56 palestrantes, 9 atividades e R$ 11,5 mil comercializados;
- 2024: 833 participantes, 115 palestrantes, 29 atividades e R$ 115 mil comercializados;
- 2025, edição especial na COP30, em Belém (PA): 572 participantes, 134 palestrantes, 29 atividades e R$ 62 mil comercializados.
Segundo a organização, a edição de 2025 em Belém ampliou o diálogo entre a Amazônia e o cenário global, com a defesa de uma economia guiada pelo território, pelos saberes locais e pela sociobiodiversidade.
O que muda para a região
Ao reunir cooperativas, empresas de ingredientes, fundos e órgãos federais no mesmo programa, o festival coloca em debate gargalos recorrentes da bioeconomia amazônica: acesso a capital, entrada em mercados e regras para serviços ambientais. Para quem empreende na região, a agenda funciona como espaço de contato direto com quem financia e regula esses negócios. A organização espera que os encontros de novembro rendam novas conexões e negócios, com resultados a serem consolidados após o evento.
Como participar
Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla, com meia-entrada conforme a legislação vigente. Informações completas e a programação estão no site oficial do FIINSA.
Com informações de FIINSA, Impact Hub Manaus e Idesam.
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