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Fitoterápicos amazônicos de unha-de-gato e carapanaúba avançam em pesquisas e testes para o tratamento de doenças neurodegenerativas

Os extratos purificados da unha-de-gato (Uncaria tomentosa) e da carapanaúba (Aspidosperma carapanauba), plantas medicinais consagradas pela etnobotânica das comunidades tradicionais da Amazônia, emergiram como fronteiras promissoras na indústria farmacêutica global devido à sua capacidade de atuar na proteção do sistema nervoso central.

À medida que a expectativa de vida global avança, o crescimento exponencial de doenças neurodegenerativas — como o Mal de Alzheimer, a doença de Parkinson e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) — converteu-se em um dos maiores e mais complexos desafios de saúde pública. Sem cura definitiva na medicina alopática convencional, os tratamentos atuais limitam-se, em sua maioria, a atenuar os sintomas sem conter o avanço progressivo da morte neuronal. Diante desse cenário clínico desafiador, laboratórios de ponta e centros de pesquisa neurológica estão direcionando seus esforços para a bioprospecção molecular na maior floresta tropical do planeta. Ensaios avançados indicam que os princípios ativos da unha-de-gato e da carapanaúba possuem a rara capacidade de intervir diretamente nos mecanismos fisiopatológicos de degeneração celular, oferecendo uma nova esperança terapêutica.

A unha-de-gato, uma trepadeira lenhosa (cipó) que recebe esse nome devido aos espinhos curvos que ostenta em seu caule, possui um arsenal fitoquímico amplamente investigado pela ciência. O foco principal das investigações neurológicas reside nos alcaloides oxindólicos pentacíclicos (AOPs) contidos na casca e nas raízes da planta. No cérebro de pacientes acometidos pelo Alzheimer, ocorre o acúmulo patológico de fragmentos de proteínas conhecidas como placas beta-amiloides e emaranhados neurofibrilares da proteína tau. Essas estruturas moleculares anormais sufocam as conexões sinápticas e desencadeiam um processo inflamatório crônico destrutivo. Os testes com o extrato padronizado de Uncaria tomentosa demonstraram que os AOPs não apenas impedem a agregação inicial dessas placas proteicas nocivas, mas atuam de forma ativa estimulando as células da microglia a fagocitarem e limparem os detritos amiloides já depositados no tecido cerebral.

Mecanismo de Ação: A ação anti-inflamatória e antioxidante desses compostos reduz a neuroinflamação crônica, que é um dos principais combustíveis para a progressão acelerada da morte celular no cérebro.

Paralelamente, a carapanaúba — uma árvore de grande porte da família Apocynaceae cujas cascas de sabor intensamente amargo são utilizadas historicamente na medicina tradicional para combater inflamações e febres tropicais — revelou-se uma fonte excepcional de alcaloides indólicos funcionais. Nas pesquisas focadas na doença de Parkinson, cujo gatilho principal envolve a perda progressiva dos neurônios dopaminérgicos na substância negra do cérebro devido ao estresse oxidativo e à disfunção mitocondrial, os extratos de carapanaúba demonstraram uma potente atividade neuroprotetora. Os bioativos da planta agem modulando as vias de sinalização celular que inibem a apoptose (morte celular programada) dos neurônios e atenuam de forma severa a liberação de citocinas pró-inflamatórias pelos astrócitos, bloqueando a cascata inflamatória que destrói a coordenação motora dos pacientes.

Um dos maiores desafios biofarmacêuticos enfrentados pelos cientistas nos ensaios clínicos de fitoterápicos voltados para o sistema nervoso é a barreira hematoencefálica (BHE) — uma membrana altamente seletiva que protege o cérebro contra substâncias estranhas presentes no sangue, mas que também impede a entrada da grande maioria dos medicamentos convencionais. Os ensaios de farmacocinética e biodisponibilidade revelaram que tanto os alcaloides da unha-de-gato quanto os compostos isolados da carapanaúba possuem estruturas moleculares de baixo peso molecular e afinidade lipofílica adequadas. Essa característica física permite que os princípios ativos atravessem a BHE de forma eficiente, atingindo concentrações terapêuticas ótimas diretamente no parênquima cerebral após a administração dos fitomedicamentos.

Os ensaios científicos utilizam técnicas avançadas de neuroimagem, como a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET-scan) e exames de ressonância magnética funcional, para monitorar em tempo real a densidade das placas beta-amiloides e a integridade das vias dopaminérgicas nos modelos de estudo. Os dados indicam que os grupos tratados com os fitoterápicos amazônicos purificados apresentam uma estabilização significativa nos testes de avaliação cognitiva e de memória, além de uma redução expressiva nos marcadores biológicos de estresse oxidativo no líquido cefalorraquidiano, quando comparados aos grupos de controle que receberam placebo.

Impacto na Bioeconomia e Conservação

O avanço dessas plantas das matas amazônicas para as bancadas dos laboratórios de ensaios farmacêuticos recoloca em pauta a relevância estratégica da preservação da biodiversidade e do combate à biopirataria no Brasil. A unha-de-gato e a carapanaúba deixaram de ser recursos de uso restrito do extrativismo de subsistência para se transformarem em ativos de altíssimo valor científico e econômico agregado. Proteger as patentes biológicas nacionais e garantir que os lucros decorrentes da comercialização futura desses novos medicamentos retornem de forma justa para as comunidades tradicionais é uma exigência ética amparada por tratados internacionais, como o Protocolo de Nagoya.

Garantir o fornecimento regular e sustentável de matérias-primas padronizadas para a indústria farmacêutica exige a consolidação de cadeias de valor da sociobiodiversidade estruturadas na região Norte. O plantio dessas espécies através de Sistemas Agroflorestais (SAFs), em vez do extrativismo predatório desenfreado em florestas nativas primárias, impede o esgotamento das populações selvagens e estimula a regeneração de áreas degradadas por pastagens antigas. Esse modelo de bioeconomia florestal integrada prova que manter a Amazônia em pé e protegida é muito mais lucrativo e estratégico para o desenvolvimento científico do país do que sua conversão em áreas de monocultura ou pecuária.

A jornada da unha-de-gato e da carapanaúba em direção à farmácia do futuro demonstra que as respostas para algumas das doenças mais devastadoras da humanidade podem estar guardadas na sabedoria milenar das comunidades da floresta e na complexidade molecular dos nossos biomas. Apoiar a pesquisa científica nacional e garantir investimentos contínuos em laboratórios de biotecnologia instalados na Amazônia é o único caminho para transformar o potencial biológico do Brasil em riqueza socioeconômica e soberania tecnológica. Ao desvendarmos os mecanismos de neuroproteção dessas plantas nativas, provamos que o futuro da medicina global caminha de mãos dadas com a conservação das nossas florestas tropicais.

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