Fogos de artifício assustam cães, gatos e animais de criação; veja como reduzir o estresse em casa

Fogos de artifício assustam cães, gatos e animais de criação; veja como reduzir o estresse em casa
Foto: acervo

Barulho imprevisível pode provocar fuga, tremores e até acidentes, mas preparação antecipada ajuda a proteger os animais.

Quando o primeiro rojão estoura, um animal pode desaparecer debaixo da cama, tentar atravessar um portão ou passar a tremer sem que o tutor consiga entender o motivo. Fogos de artifício assustam cães, gatos, coelhos, galinhas, cavalos e outros animais porque combinam barulho intenso, clarões e sinais impossíveis de prever. A orientação de especialistas da Nottingham Trent University é preparar o ambiente com antecedência, reduzir os estímulos e procurar atendimento veterinário quando o medo for intenso.

Para pessoas, uma queima de fogos costuma ter horário, motivo e duração conhecidos. Para os animais, cada explosão parece surgir do nada. Eles não sabem se o som vem da rua, do telhado ou de outro ponto do bairro. Essa dificuldade de identificar a origem do estímulo aumenta a sensação de ameaça.

Por que o barulho provoca uma reação tão forte

O organismo dos animais possui uma resposta automática de sobressalto. Ela aparece diante de um estímulo repentino e prepara o corpo para congelar, fugir ou reagir. Um estrondo inesperado, como o som de um escapamento, já pode ativar esse mecanismo. Os fogos repetem a experiência em sequência, com intensidade variável e sem um padrão que o animal consiga aprender.

O problema não está apenas no volume. Clarões pelas janelas, assobios, vibrações e cheiro de fumaça formam um conjunto de sinais de perigo. Restos de fogos e outros resíduos também podem criar riscos físicos para animais que circulam em quintais, ruas ou áreas abertas.

Segundo a Nottingham Trent University, fogos de artifício podem desencadear medo e ansiedade em animais por causa dos sons altos, clarões e estímulos imprevisíveis, especialmente durante eventos de celebração.

Os sinais aparecem antes da tentativa de fuga

Um animal assustado pode se esconder, vocalizar, ofegar, tremer, andar sem parar ou procurar uma saída. Também pode arranhar portas, cavar a própria cama, destruir objetos e recusar interação. Nem todo cão late, e nem todo gato corre. Alguns ficam imóveis, o que também pode indicar estresse intenso.

A tentativa de escapar é um dos maiores perigos. Cães podem pular muros, romper telas e atravessar portões. Gatos podem sair por janelas ou frestas normalmente ignoradas. Em pânico, o animal não calcula obstáculos como faria em uma situação comum e pode se ferir ou provocar acidentes.

Crianças e pessoas vulneráveis devem ficar afastadas de animais muito assustados. O medo pode alterar o comportamento de um animal dócil, principalmente quando ele se sente encurralado ou é segurado à força.

O que fazer antes da primeira explosão

A preparação começa com a segurança física. Cães e gatos devem permanecer dentro de casa durante os horários de maior movimento. Portões, janelas, telas e cercas precisam ser conferidos. A identificação do animal, com telefone atualizado, aumenta a chance de retorno caso ocorra uma fuga.

Coelhos, galinhas e outros animais mantidos do lado de fora podem ser levados para um espaço protegido, desde que a mudança não crie outro risco. Cavalos e animais de criação exigem avaliação individual. Algumas espécies ficam melhor em instalações fechadas; outras precisam de espaço para se movimentar sem encontrar cercas frágeis, objetos cortantes ou obstáculos.

Dentro de casa, um cômodo mais silencioso pode funcionar como abrigo. Uma caixa de transporte coberta, um espaço atrás do sofá ou uma área com cobertores permite que o animal se esconda. Fechar cortinas reduz os clarões. Televisão, rádio ou música podem mascarar parte dos estampidos, desde que o volume não se torne mais uma fonte de desconforto.

Treinamento gradual pode mudar a associação com o som

Animais jovens podem ser apresentados a sons variados de forma positiva e controlada. Para animais que já demonstram medo, gravações de fogos podem ser usadas em volume muito baixo, durante uma refeição, uma brincadeira ou uma sessão de recompensa. O volume só deve aumentar lentamente, desde que o animal permaneça relaxado.

Esse processo é chamado de dessensibilização. Na prática, funciona como acostumar o ouvido a um ruído distante antes de chegar a um som mais forte. A recompensa ajuda a criar uma nova associação, mostrando que aquele estímulo pode ser seguido por algo agradável. Se o animal começa a ofegar, se esconder ou tentar fugir, o treinamento avançou rápido demais.

Um profissional especializado em comportamento animal pode montar um plano de acordo com a idade, o histórico e o ambiente do animal. O treinamento não deve ser iniciado na véspera de uma grande queima de fogos com expectativa de resultado imediato.

Quando o veterinário deve ser procurado

Uma reação que surge de repente merece avaliação. Dor persistente, lesões e doenças como a osteoartrite podem aumentar a sensibilidade a ruídos. Por isso, um animal que passou a reagir mal a sons depois de anos de tolerância deve ser examinado.

O veterinário também pode avaliar medicamentos para situações pontuais. Alguns ajudam a reduzir ansiedade e tensão, mas precisam de prescrição, dose adequada e acompanhamento. A sedação isolada não substitui um plano de manejo e não deve ser feita com remédios humanos.

Suplementos e produtos vendidos como soluções rápidas nem sempre têm evidência consistente. O risco é criar a impressão de que o animal está protegido enquanto ele continua em sofrimento. Em casos persistentes, a melhor resposta costuma combinar avaliação clínica, treinamento comportamental e mudanças no ambiente.

Como agir durante e depois dos fogos

O tutor deve manter uma postura calma, sem repreender o animal e sem forçá-lo a sair do esconderijo. Se ele buscar contato, carinho e voz tranquila podem ajudar. Se preferir ficar sozinho, o abrigo deve permanecer disponível. Brincadeiras, petiscos e atividades de enriquecimento também podem distrair, desde que o animal aceite participar.

Na Amazônia, onde cães e gatos vivem tanto em áreas urbanas densas quanto em quintais próximos a matas, rios e criações domésticas, a prevenção precisa considerar rotas de fuga e cercas adaptadas ao terreno. A mesma atenção vale para festas juninas, réveillons, eventos comunitários e celebrações particulares em cidades de todos os estados da região. O cuidado não termina quando o último estampido cessa: alguns animais levam dias para voltar ao comportamento habitual.

Depois de uma noite difícil, reduza outros estímulos e permita que o animal descanse. Novas situações estressantes devem ser evitadas logo em seguida. Para os próximos eventos, o ideal é iniciar o treinamento e revisar a segurança da casa semanas ou meses antes.

As medidas mais imediatas são manter o animal seguro, oferecer um esconderijo, controlar clarões e ruídos e buscar orientação profissional quando houver risco de fuga ou sofrimento intenso. O planejamento antecipado deve ser retomado antes da próxima temporada de fogos.

Com informações de Nottingham Trent University.

Dúvidas comuns sobre animais e fogos

Devo abraçar o animal que está assustado?

Somente se ele procurar contato. Segurar à força pode aumentar a sensação de ameaça. Ofereça presença, voz tranquila e um local seguro para ele escolher onde ficar.

Posso deixar o cachorro no quintal durante os fogos?

Não é recomendado. Um cão em pânico pode escalar, cavar ou romper uma barreira. O mais seguro é mantê-lo em ambiente interno, com portas, janelas e portões protegidos.

O treinamento pode começar no dia da festa?

O treinamento gradual funciona melhor quando começa com antecedência. No dia dos fogos, concentre-se em segurança, redução de estímulos e acompanhamento do comportamento do animal.

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