
Desde filhotes, os irmãos Gary e Shaggy chamavam atenção pelas pernas compridas demais. Com o tempo, os veterinários encontraram outras alterações: problemas na estrutura dos olhos e uma aorta, a principal artéria do corpo, dilatada. O conjunto apontava para a síndrome de Marfan, uma doença genética conhecida em humanos. Os dois se tornaram os primeiros casos documentados em gatos.
O estudo, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, foi publicado na revista científica Scientific Reports e traz a primeira caracterização molecular da síndrome em gatos domésticos.
O que é a síndrome de Marfan
A síndrome de Marfan é uma doença hereditária que enfraquece o tecido conjuntivo, a estrutura que sustenta e conecta os órgãos. Afeta cerca de uma em cada 4 mil pessoas. Quem tem a síndrome costuma ser alto e magro, com braços, pernas e dedos longos, e pode ter problemas nos olhos, como deslocamento do cristalino, e no coração, sobretudo dilatação da aorta, que é a complicação mais perigosa.
O gene por trás
Para descobrir a causa dos sintomas, pesquisadores de várias áreas examinaram os gatos e analisaram o DNA. Encontraram alterações no gene FBN1, que produz a fibrilina-1. Essa proteína é essencial para o tecido conjuntivo e ajuda a sustentar vasos sanguíneos, ossos, ligamentos, pele e olhos. É o mesmo gene ligado à síndrome em pessoas.
Os testes revelaram que Gary e Shaggy tinham duas cópias alteradas do gene, uma herdada de cada pai. Isso é muito raro. Em humanos, basta uma cópia com mutação para causar a síndrome, e duas costumam provocar formas muito graves.
Por que eles sobreviveram
A variante encontrada nos irmãos teve um efeito inesperado. Ela não desligou o gene por completo. Atrapalhou a forma como as instruções do gene são processadas, mas manteve parte da atividade normal. Essa função residual ajuda a explicar por que Gary e Shaggy chegaram à idade adulta, quando uma mutação dupla poderia ter causado uma forma muito mais severa da doença.
O que muda para os gatos
Segundo a professora Jacquelyn Evans, da Faculdade de Medicina Veterinária de Cornell, autora sênior, os resultados criam uma base para melhorar o diagnóstico veterinário. Podem ajudar veterinários a reconhecer casos parecidos e, no futuro, levar ao desenvolvimento de testes genéticos.
Para os tutores, o caso é um lembrete de que características físicas incomuns, como membros muito longos, podem estar ligadas a condições de saúde. Exames de olhos e de coração ajudam a identificar problemas cedo.
Gatos e humanos, doenças em comum
Gatos compartilham com os humanos várias doenças genéticas, como alguns tipos de doença renal policística e de cardiomiopatia. Estudar esses casos ajuda a medicina veterinária e, às vezes, também a medicina humana, porque os animais vivem nos mesmos ambientes e têm genes parecidos.
Perguntas frequentes
Gato pode ter síndrome de Marfan?
Sim. Gary e Shaggy foram os primeiros casos documentados em gatos, com mutação no mesmo gene que causa a doença em pessoas.
Quais os sinais da síndrome de Marfan?
Membros longos, alterações nos olhos e dilatação da aorta, tanto em pessoas quanto, como mostra o estudo, em gatos.
Com informações da Universidade Cornell e do estudo publicado na Scientific Reports.
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