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Tatu-canastra cava túneis tão grandes que suas tocas viram um “ar-condicionado” usado por outros animais

O tatu-canastra passa grande parte da vida longe dos olhos humanos. Possui hábitos principalmente noturnos, vive de maneira solitária e permanece muito tempo em ambientes subterrâneos.

Mesmo escondido, ele modifica a paisagem.

Suas escavações formam estruturas profundas e espaçosas que podem ser utilizados por diversas outras espécies. Em regiões de calor intenso, o interior dessas tocas oferece condições mais amenas do que a superfície.

Por isso, o tatu-canastra é considerado um verdadeiro engenheiro do ecossistema.

O maior tatu existente no planeta

O tatu-canastra é a maior espécie viva de tatu. Seu corpo é protegido por uma carapaça formada por placas, mas isso não o transforma em um animal lento e desajeitado.

Ele consegue correr rapidamente e possui garras extremamente desenvolvidas para cavar.

Essas garras são usadas tanto na construção de abrigos quanto na busca por alimento. Cupins e formigas representam uma parte importante de sua dieta.

O animal pode percorrer vários quilômetros durante suas atividades. Como precisa de áreas amplas, é particularmente sensível à fragmentação de habitats.

Por que a toca é comparada a um ar-condicionado?

Debaixo do solo, a variação de temperatura tende a ser menor do que na superfície.

Durante os períodos mais quentes, o interior de uma toca pode oferecer:

  • sombra completa;
  • temperatura mais estável;
  • proteção contra o vento;
  • umidade diferente da encontrada externamente;
  • abrigo contra ameaças.

Depois que o tatu-canastra deixa uma escavação, outros animais podem ocupar o espaço ou utilizá-lo temporariamente.

A comparação com um ar-condicionado não deve ser tomada literalmente. O tatu não controla a temperatura nem constrói abrigos com a intenção de ajudar outras espécies.

O benefício surge como consequência de seu comportamento natural.

Quem pode usar as escavações?

A resposta varia conforme o bioma e os animais presentes em cada região. Pequenos e médios mamíferos, aves, répteis e outros organismos podem investigar ou utilizar as estruturas.

Alguns entram para descansar. Outros procuram alimento. Há ainda animais que usam a toca como proteção temporária.

Ao cavar, o tatu-canastra também movimenta grandes quantidades de solo. Isso pode alterar a infiltração de água, expor materiais subterrâneos e formar pequenos ambientes diferentes ao redor da entrada.

Essas transformações explicam o conceito de engenheiro do ecossistema: um animal que modifica fisicamente o habitat e, com isso, interfere na vida de outras espécies.

A toca não é abandonada por acaso

O tatu-canastra utiliza diferentes locais ao longo de seus deslocamentos. Uma escavação pode deixar de ser usada continuamente pelo indivíduo que a construiu, mas permanecer disponível na paisagem.

Para pesquisadores, as tocas também oferecem pistas sobre a presença da espécie.

Como avistar diretamente o animal é difícil, marcas no solo, escavações, pegadas e registros feitos por câmeras automáticas ajudam a compreender onde ele vive.

Um gigante vulnerável às estradas

O tatu-canastra precisa circular por áreas extensas. Quando estradas cortam seus territórios, aumenta o risco de atropelamento.

A perda de vegetação também reduz a quantidade de locais adequados para alimentação e abrigo. Incêndios, expansão agropecuária e ocupação humana podem separar populações.

O problema é agravado pelo ritmo reprodutivo. Espécies que produzem poucos filhotes e demoram para atingir a maturidade têm mais dificuldade para recuperar rapidamente as perdas.

Proteger o tatu significa preservar os abrigos que ele deixa

O desaparecimento do tatu-canastra não representaria apenas a perda de um grande mamífero.

Também reduziria a formação das estruturas subterrâneas associadas a ele. Os animais que aproveitam essas tocas perderiam uma fonte importante de abrigo em determinadas paisagens.

Na floresta e no Pantanal, uma escavação aparentemente vazia pode ser um espaço compartilhado por diferentes formas de vida.

O construtor talvez já tenha partido, mas sua obra continua ativa.

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