Hydro busca sócia em parque eólico para levar 120 MW médios à eletrificação da Alunorte em Barcarena

Hydro busca sócia em parque eólico para levar 120 MW médios à eletrificação da Alunorte em Barcarena
Foto: Laurel and Michael Evans / Unsplash

A iniciativa acompanha a troca de caldeiras a carvão por equipamentos elétricos e prevê energia contratada a partir de 2029.

A refinaria de alumina Alunorte, em Barcarena, no Pará, prepara uma nova etapa para reduzir o uso de combustíveis fósseis em sua operação. A Hydro abriu uma concorrência para comprar cerca de 30% de uma empresa proprietária de parque eólico e contratar aproximadamente 120 megawatts-médios de energia, com previsão de início do fornecimento em 2029. A negociação está ligada à eletrificação das caldeiras usadas na produção de vapor da unidade paraense.

O volume procurado equivale, em termos anuais, ao consumo de aproximadamente 700 mil residências populares brasileiras. Para a indústria, porém, a contratação não representa apenas uma compra convencional de eletricidade. A estrutura prevista combina participação societária em uma usina com um contrato de fornecimento de longo prazo, modelo conhecido no setor como autoprodução.

Participação na usina deve ser combinada com contrato de longo prazo

Segundo a apuração da CNN Brasil, a Hydro já mantém conversas com os principais grupos de geração eólica que atuam no país. A empresa pretende associar a aquisição da participação no parque a um PPA, sigla em inglês para contrato de compra de energia, firmado com a Hydro Rein, braço de geração renovável do grupo.

A Hydro Rein tem como acionistas a própria Hydro, com 50,1% do capital, e a australiana Macquarie Asset Management, com 49,9%. Caso a operação avance, a participação de aproximadamente 30% deverá ser adquirida na companhia responsável pelo parque eólico, e não necessariamente em uma usina isolada, conforme o desenho em negociação.

Na autoprodução, o consumidor participa da sociedade que controla o empreendimento e direciona parte da energia gerada para o próprio consumo. Esse arranjo pode reduzir determinados encargos setoriais e oferecer maior previsibilidade para o orçamento de eletricidade, algo relevante para uma operação industrial que funciona em escala contínua.

Eletrificação das caldeiras aumenta a necessidade de energia

A busca por uma nova fonte contratada ocorre enquanto a Alunorte amplia a substituição de caldeiras movidas a carvão por equipamentos elétricos. A refinaria já colocou em operação três unidades elétricas. A primeira entrou em funcionamento em 2022, enquanto outras duas começaram a operar em janeiro de 2025.

As duas caldeiras mais recentes receberam investimento de R$ 318 milhões. De acordo com a Hydro, as três unidades, quando consideradas em conjunto, podem evitar a emissão de até 550 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. A mudança altera a composição da demanda energética da refinaria, porque parte do combustível antes queimado passa a ser substituída por eletricidade.

Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, o consumo atual da Alunorte supera 800 MW médios e tende a crescer com a conversão de outras caldeiras. A contratação em análise, de 120 MW médios, não cobriria toda a carga da refinaria, mas representaria uma parcela relevante do suprimento necessário para a continuidade do processo de eletrificação.

O que muda para Barcarena e para a matriz elétrica amazônica

Barcarena concentra uma das principais operações industriais do Pará e tem papel estratégico na cadeia do alumínio. A Alunorte transforma bauxita em alumina, matéria-prima usada na produção do alumínio metálico. Por isso, decisões sobre energia na refinaria influenciam não apenas os custos da unidade, mas também a demanda por infraestrutura elétrica e por novos projetos de geração na Amazônia.

Segundo a Hydro, a Alunorte está entre as operações que já utilizam contratos de longo prazo com fontes renováveis. A empresa possui acordos com a usina solar de Mendubim, no Rio Grande do Norte, e com o complexo eólico Ventos de São Zacarias, localizado na divisa entre Pernambuco e Piauí.

O movimento também ajuda a explicar por que grandes consumidores instalados na região amazônica procuram participar diretamente de projetos de geração. No Pará, no Amazonas, no Acre, em Rondônia, em Roraima, no Amapá e no Tocantins, a expansão industrial e a necessidade de confiabilidade do sistema convivem com distâncias entre centros de consumo e áreas de geração. No caso de Barcarena, a contratação de energia renovável se conecta diretamente à estratégia de descarbonização de uma planta industrial já existente.

Autoprodução reduz custos para a empresa, mas mantém debate sobre encargos

O modelo em avaliação pode beneficiar a Hydro ao diminuir a exposição a oscilações de preços e permitir planejamento de longo prazo. A participação na usina também vincula parte do suprimento à expansão de uma fonte renovável, em vez de deixar toda a compra dependente do mercado de curto prazo.

Há, porém, um efeito setorial que costuma acompanhar esse tipo de contrato. Alguns encargos deixam de incidir sobre consumidores que aderem à autoprodução, mas as despesas financiadas por esses mecanismos continuam existindo. Com uma base menor de pagadores, a parcela restante pode se concentrar nos demais consumidores, pressionando as tarifas de energia.

Segundo a CNN Brasil, a Hydro não comentou a abertura da concorrência. A contratação ainda depende da escolha do projeto, da negociação societária e da formalização do contrato de fornecimento. A previsão apresentada nas tratativas é que a energia comece a ser entregue em 2029, acompanhando a próxima fase de eletrificação das caldeiras da Alunorte.

Com informações de CNN Brasil.

Respostas rápidas sobre a contratação

Quanto de energia a Hydro pretende contratar?

A empresa busca aproximadamente 120 MW médios, volume que poderia corresponder ao consumo anual de cerca de 700 mil residências populares no Brasil.

Onde a energia será utilizada?

O fornecimento será destinado à operação da Alunorte, refinaria de alumina localizada em Barcarena, no Pará, especialmente no contexto da eletrificação das caldeiras.

Quando o fornecimento pode começar?

A previsão em discussão é que a entrega da energia tenha início em 2029, depois da conclusão das negociações e da estruturação do parque eólico.

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