
O Monte Roraima, de 2.810 metros, isolou no topo espécies que só existem ali, entre elas uma planta que dissolve insetos.
Existe um lugar na fronteira norte da Amazônia onde uma planta coberta de pelos pegajosos e de cor vermelha vibrante espera, parada, que um inseto distraído pouse nela. Esse lugar é o topo do Monte Roraima, uma montanha de paredes quase verticais, com 14 km de comprimento e 2.810 metros de altitude, na divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana.
A planta se chama Drosera kaieteurensis e é um tipo de drósera, grupo conhecido em inglês como sundew. Ela é uma das espécies mais curiosas de um ambiente que ficou isolado por tempo suficiente para criar uma vida própria.
Uma montanha que parece flutuar
O Roraima é um tepui, nome dado às montanhas de topo plano que se erguem de dentro da floresta no norte da América do Sul. Algumas sobem centenas de metros, outras passam de mil. Com frequência ficam cercadas por nuvens densas, o que dá a impressão de que flutuam sobre a mata.
Existem dezenas deles, mas o Roraima é o mais alto de todos. Sua extensão é de cerca de 14 km de comprimento por 5 km de largura, e o ponto mais elevado, na borda sul, chega a 2.810 metros.
A palavra tepui, na língua do povo indígena Pemon, significa "casa dos deuses". Diante do paredão envolto em névoa, o nome faz sentido.
Rochas entre as mais antigas do planeta
Os tepuis são feitos de arenito, e geólogos estimam que essa rocha se formou entre 1,7 e 2 bilhões de anos atrás. É uma das formações mais antigas da Terra, muito anterior ao surgimento de animais e plantas como os conhecemos.
Essa idade, somada às paredes quase verticais, transformou cada topo em uma espécie de ilha no ar. Quem vive lá em cima fica separado das espécies da floresta lá embaixo, e a evolução segue caminhos próprios.

O efeito ilha em plena floresta
O resultado é um conjunto de espécies endêmicas, isto é, que não existem em nenhum outro lugar. Entre elas há sapos, camundongos, insetos e plantas carnívoras.
Segundo a revista BBC Wildlife Discover, publicada em 17 de abril de 2026, os topos dos tepuis abrigam alguns dos animais e plantas mais raros e estranhos do planeta.
Para quem vive na região amazônica, esse cenário não é distante. O Monte Roraima fica no extremo norte do Brasil, em área que toca o estado que leva o mesmo nome, e integra o grande conjunto de paisagens do Escudo das Guianas, vizinho da floresta amazônica.
A planta que dissolve a presa
A Drosera kaieteurensis é coberta de pequenos pelos e de uma substância espessa e pegajosa. Seu vermelho vivo e as folhas com aspecto açucarado funcionam como isca para os insetos.
Quando a presa fica presa, a planta a dissolve e absorve os nutrientes. É uma estratégia comum entre plantas carnívoras, que costumam crescer em solos pobres, onde capturar insetos ajuda a compensar a falta de alimento no terreno.
O "carnívoro cabeludo" do topo do Roraima, portanto, não tem nada de monstro: é uma planta pequena, que transformou o isolamento e a escassez em uma armadilha eficiente.
O que vem pela frente
Por serem ambientes isolados e únicos, os topos dos tepuis seguem como um campo aberto para pesquisadores que estudam como a vida se adapta a lugares fechados do mundo. Cada nova expedição pode ajudar a entender melhor espécies que existem apenas ali.
Com informações de BBC Wildlife Discover.
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