
Um morcego que pesa cerca de 8 gramas e mede uns 5 centímetros de corpo, o tamanho de um beija-flor, estava guardado em coleções de museus desde 1965 com o nome errado. Pesquisadores brasileiros mostraram que ele é uma espécie nova, uma das menores entre os morcegos que comem frutas. Foi batizada de Vampyressa villai.
A descrição foi publicada no Journal of Mammalogy por cientistas das universidades federais de Viçosa (UFV) e da Paraíba (UFPB), com colaboração da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam).
Escondido sob outro nome
Os primeiros exemplares da nova espécie foram coletados em 1965, mas identificados como Vampyressa thyone, um morcego descrito em 1909 pelo zoólogo britânico Oldfield Thomas. Por décadas, ninguém percebeu a diferença.
Para resolver a confusão, a equipe visitou 15 museus pelo mundo atrás dos poucos indivíduos coletados do gênero, entre eles o Museu Americano de História Natural, em Nova York, o Museu de História Natural, em Londres, a coleção nacional de mamíferos da Unam e, no Brasil, o Museu de Zoologia da Unicamp. Dados de DNA e análises do crânio e da pelagem de 261 morcegos adultos do gênero permitiram separar a nova espécie das parentes.
Uma surpresa entre os mamíferos
Segundo o pesquisador Guilherme Garbino, da UFV, coautor do estudo, achar uma nova espécie de mamífero é surpreendente, porque os mamíferos são o grupo de vertebrados mais conhecido. Espera-se encontrar menos novidades do que entre peixes e anfíbios, por exemplo.
O gênero também surpreendeu. Antes dessa descoberta, as últimas espécies do grupo tinham sido descritas em 1909, a Vampyressa thyone, e em 1843, a Vampyressa pusilla, pelo alemão Johann Andreas Wagner. Em 2014 e 2021 surgiram outras Vampyressa, mas de um grupo diferente, de montanhas. Com a villai, o gênero passou a ter seis espécies conhecidas.
Onde vive
A Vampyressa villai habita florestas tropicais dos estados mexicanos de Oaxaca e Guerrero, e possivelmente de Veracruz. A área de ocorrência é restrita, uma faixa do oeste do México que inclui regiões que viraram destinos turísticos, como Acapulco. Por isso os pesquisadores defendem estratégias de conservação para a região, lembrando que o México, mesmo menor que o Brasil, está entre os países com mais espécies de mamíferos do mundo.
O gênero Vampyressa se distribui do sudoeste do México até a América do Sul, incluindo Brasil, Bolívia e Argentina. As parentes mais próximas da nova espécie, Vampyressa pusilla e Vampyressa thyone, também ocorrem em território brasileiro.
Apesar do nome, não é vampiro
O nome Vampyressa engana. Esses morcegos não se alimentam de sangue: comem frutas e ajudam a espalhar sementes pela floresta, um papel importante na regeneração das matas tropicais. Os três morcegos-vampiros verdadeiros pertencem a outros gêneros.
Próximos passos
A equipe quer investigar se há outras espécies de morcegos escondidas sob nomes antigos e coletar mais dados sobre o gênero no Brasil, onde ainda se sabe pouco sobre essas espécies pequenas e discretas.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho da Vampyressa villai?
Pesa cerca de 8 gramas e mede uns 5 centímetros de corpo, o tamanho de um beija-flor.
Vampyressa chupa sangue?
Não. Apesar do nome, os morcegos desse gênero comem frutas.
Com informações da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do estudo publicado no Journal of Mammalogy.
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