
Um novo estudo publicado na revista PLOS ONE revela uma potencial estratégia de combate ao vírus Zika (ZIKV), desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O artigo descreve os resultados de testes in vitro que indicam o efeito antiviral de uma nanoemulsão de óleo de copaíba (Copaifera officinalis), uma planta amplamente utilizada por indígenas na região amazônica para tratar doenças de pele.
Há cerca de oito anos, o Zika emergiu como uma ameaça global, especialmente preocupante devido à sua capacidade de causar síndrome congênita em bebês, resultando em alterações visuais, auditivas e neuropsicomotoras. Além disso, o vírus pode desencadear transtornos neurológicos graves em adultos, como a síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, não existem vacinas específicas ou tratamentos direcionados para essa infecção.
Leia também
Prodígio aos nove anos e futuro neurocirurgião infantil Aiden Wilkins redefine os limites da inteligência e da neurociência na faculdade
Como a vacinação de 1 milhão de grávidas pelo SUS derrubou as mortes infantis por bronquiolite no Brasil
Vacinação de profissionais de saúde reforça proteção dentro dos hospitaisO Brasil foi um dos países mais afetados pelo Zika, com mais de 250 mil casos suspeitos registrados apenas em 2016. Embora o pior momento da epidemia tenha passado, o vírus continua circulando no país. Em 2024, embora não tenha havido registros de mortes relacionadas ao Zika, houve um aumento de cerca de 16% nos casos suspeitos nos três primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período do ano anterior, com mais de 1,3 mil casos, principalmente no Espírito Santo, conforme dados do Ministério da Saúde divulgados recentemente pela Agência Brasil.
Marilia de Freitas Calmon, pesquisadora do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, campus de São José do Rio Preto, destaca a importância do estudo como uma potencial fonte para o desenvolvimento de terapias contra uma doença negligenciada. Ela ressalta que o óleo de copaíba é uma fonte natural, o que pode facilitar o desenvolvimento de futuros medicamentos, especialmente se utilizado em pequenas quantidades.
O estudo, financiado pela FAPESP, começou com ensaios que confirmaram a estabilidade das nanoemulsões por 60 dias quando armazenadas a 4°C, bem como sua capacidade de serem internalizadas pelas células infectadas pelo vírus. Posteriormente, foram realizados tratamentos simultâneos com a nanoemulsão em uma concentração máxima não tóxica de 180 microgramas por mililitro (μg/mL). Os resultados mostraram uma inibição viral de 80% para a versão contendo o óleo de copaíba e de 70% para a versão sem o óleo, indicando que tanto a estrutura da nanoemulsão quanto sua associação com o óleo apresentaram atividade antiviral.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam a necessidade de estudos adicionais para compreender completamente os mecanismos de ação da nanoemulsão. Ainda assim, a prevenção continua sendo a melhor maneira de combater o Zika, conforme recomendações do Ministério da Saúde, que enfatiza a importância de eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
O artigo completo, intitulado “Synthesis of copaiba (Copaifera officinalis) oil nanoemulsion and the potential against Zika virus: An in vitro study”, está disponível em: [link].
Nunca perca uma notícia da AmazôniaControle o que você vê no Google
O Google lançou as Fontes Preferenciais: escolha os veículos que aparecem com prioridade. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de "Principais Notícias"
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!















