
Na ilha grega de Creta, uma árvore milenar continua viva e produz azeitonas apesar do tronco oco.
Na vila de Vouves, no oeste da ilha de Creta, na Grécia, a Oliveira Monumental de Vouves continua viva e produzindo azeitonas depois de milhares de anos. A idade mais conhecida da árvore é estimada em mais de 4 mil anos, embora não exista uma datação exata que confirme esse número. Com cerca de 12,5 metros de circunferência e 4,6 metros de diâmetro, o exemplar se tornou monumento natural protegido, atração turística e símbolo da relação histórica entre os cretenses e a oliveira.
O tronco retorcido e parcialmente oco é o aspecto que mais chama a atenção dos visitantes. A aparência resulta da perda do cerne original, a parte central e mais antiga da madeira, ao longo dos séculos. Mesmo assim, tecidos vivos, brotos e partes renovadas da planta permanecem ativos. É essa estrutura que permite à árvore continuar produzindo frutos.
🌿 Receba nossas notícias no Google
⭐ Adicionar Revista AmazôniaPor que a idade da árvore não pode ser comprovada?
A expressão “oliveira de 4 mil anos” representa uma estimativa, e não uma idade determinada por método direto. Em árvores muito antigas, a análise dos anéis de crescimento pode ser prejudicada quando o núcleo original desaparece. No caso de Vouves, o cerne não está preservado em toda a extensão do tronco.
Análises de anéis indicaram que a árvore tem pelo menos cerca de 2 mil anos. Pesquisadores ligados à Universidade de Creta, por outro lado, chegaram à estimativa de mais de 4 mil anos. Vestígios arqueológicos encontrados nas proximidades também reforçam a possibilidade de que a oliveira tenha surgido em um período muito remoto.
Dois cemitérios associados ao chamado período geométrico da Grécia, entre aproximadamente os séculos 9 e 7 antes de Cristo, foram identificados na região. Esses achados não datam diretamente a árvore, mas ajudam a demonstrar que Vouves é ocupada há muitos séculos.
Entenda o caso
A Oliveira de Vouves não é considerada uma árvore convencional com um único tronco intacto. Sua estrutura atual reúne partes antigas, tecidos regenerados e sinais de intervenções humanas realizadas ao longo do tempo.
Um estudo genético publicado em 2021 encontrou diferenças entre amostras da base e da parte superior da planta. O resultado indica que a árvore foi enxertada pelo menos uma vez. A descoberta ajuda a explicar sua capacidade de regeneração, mas também reforça a dificuldade de estabelecer uma idade única e exata.
Segundo a Universidade de Creta, a Oliveira de Vouves tem idade estimada em mais de 4 mil anos, mas a ausência do cerne original impede uma confirmação direta por métodos tradicionais de contagem dos anéis.
Como uma árvore tão antiga ainda produz azeitonas?
As oliveiras estão entre as espécies conhecidas pela longevidade e pela capacidade de renovação vegetativa. Mesmo quando o tronco envelhece, partes da planta podem permanecer vivas e gerar novos brotos. Esses tecidos mantêm o transporte de água e nutrientes, além da produção de folhas, flores e frutos.
Na Oliveira de Vouves, o desaparecimento de parte do núcleo não significou a morte de toda a planta. Brotos e regiões periféricas do tronco continuam funcionando. Por isso, a árvore ainda produz azeitonas, embora sua forma atual seja muito diferente da estrutura que provavelmente tinha milhares de anos atrás.
A longevidade da espécie também está relacionada à capacidade de sobreviver a podas, danos e mudanças ambientais. Em uma região como Creta, marcada por verões secos e pela presença histórica de olivais, essa resistência ajudou a transformar a oliveira em elemento central da paisagem e da cultura local.
Oliveira virou símbolo da história de Creta
A oliveira acompanha a história da ilha há milhares de anos. Evidências arqueológicas mostram que as populações cretenses antigas já utilizavam a planta para produzir azeite, alimento, combustível e produtos empregados em atividades cotidianas.
Na Grécia Antiga, a espécie também ganhou forte significado simbólico. Seus ramos eram associados à vitória e usados na confecção das coroas entregues aos vencedores dos Jogos Olímpicos. A tradição foi retomada nos Jogos de Atenas, em 2004, quando ramos da Oliveira de Vouves foram usados para produzir coroas destinadas aos campeões.
O reconhecimento oficial veio em 1997, quando a árvore foi declarada monumento natural protegido pelas autoridades gregas. Em outubro de 2009, foi inaugurado nas proximidades o Museu da Oliveira de Vouves, instalado em uma construção tradicional do século 19.
O museu reúne ferramentas utilizadas na produção de azeite e apresenta métodos tradicionais de cultivo, colheita e processamento das azeitonas. A visita permite compreender como a árvore está ligada não apenas à paisagem, mas também à economia e à identidade da ilha.
Turismo e preservação
A transformação da árvore em patrimônio natural alterou a relação da pequena comunidade com o turismo. Vouves passou a receber visitantes interessados na longevidade da oliveira, nos olivais do oeste de Creta e na história da produção de azeite no Mediterrâneo.
O caso também guarda uma conexão com a Amazônia. Embora a oliveira não seja uma espécie nativa da região amazônica, árvores monumentais, sistemas agroflorestais e plantas cultivadas por comunidades tradicionais nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins também mostram como a longevidade vegetal pode carregar memória, alimento e identidade cultural.
A Oliveira de Vouves funciona, assim, como uma testemunha viva de diferentes períodos da história mediterrânea. A proteção do monumento e a manutenção do museu devem continuar orientando as visitas e as ações de conservação nos próximos anos.
Perguntas frequentes
A Oliveira de Vouves tem realmente 4 mil anos?
Essa é uma estimativa aceita por pesquisadores, mas não uma idade comprovada por datação direta. Análises indicam que a árvore tem pelo menos cerca de 2 mil anos.
Onde fica a Oliveira de Vouves?
A árvore fica na vila de Vouves, no oeste da ilha de Creta, na Grécia. O local abriga também o Museu da Oliveira de Vouves.
A árvore ainda produz azeitonas?
Sim. Apesar do tronco oco e retorcido, partes vivas da planta continuam produzindo brotos, flores e azeitonas.
Com informações da Universidade de Creta.
Nunca perca uma notícia da AmazôniaControle o que você vê no Google
O Google lançou as Fontes Preferenciais: escolha os veículos que aparecem com prioridade. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de "Principais Notícias"
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!




