Numa ilha quilombola do Maranhão que some sob a maré, pesquisadores acharam o maior dinossauro carnívoro do Brasil, com até 14 metros

Numa ilha quilombola do Maranhão que some sob a maré, pesquisadores acharam o maior dinossauro carnívoro do Brasil, com até 14 metros
Reconstrução artística do Oxalaia quilombensis. Ilustração: PaleoGeekSquared, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Na Ilha do Cajual, na baía de São Marcos, no Maranhão, existe um sítio fossilífero que só pode ser visitado na maré baixa. Na cheia, a Laje do Coringa fica até dois metros debaixo d’água. Foi ali que pesquisadores encontraram os ossos do Oxalaia quilombensis, o maior dinossauro carnívoro já descoberto no Brasil.

A espécie foi apresentada em 2011 por pesquisadores do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a partir de partes do focinho e da mandíbula superior.

Um parente do espinossauro

O Oxalaia pertence aos espinossaurídeos, a família do famoso Spinosaurus, da África. Eram carnívoros de focinho longo, parecido com o de um crocodilo, especializados em pescar. As estimativas indicam um animal de 12 a 14 metros de comprimento e 5 a 7 toneladas, porte que, segundo o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional, só perde para os maiores tiranossauros e para poucas outras espécies.

O fóssil principal, formado pelos ossos da ponta do focinho, foi encontrado ainda na posição original na rocha, algo raro na Laje do Coringa, onde as marés fortes costumam espalhar e desgastar os ossos.

Um nome com história

O nome Oxalaia homenageia Oxalá, divindade das religiões de matriz africana. Quilombensis faz referência aos quilombos que existiram na ilha. Até hoje, Cajual é uma comunidade quilombola, com cerca de 54 famílias que vivem da agricultura e da pesca. A energia elétrica só chegou à ilha no fim de 2023.

Um dos maiores campos de fósseis do país

A Laje do Coringa é uma das áreas com maior quantidade de fósseis de dinossauros do Brasil. As pesquisas começaram em 1994, quando foi localizado um sítio pequeno, mas muito rico, onde afloram ossos de dinossauros, crocodilos, peixes de água doce e troncos petrificados. Desde então, equipes das universidades federais do Maranhão (UFMA) e do Rio de Janeiro fazem coletas sistemáticas.

As rochas são do Cretáceo Superior, com cerca de 95 milhões de anos. Na época, a América do Sul e a África tinham acabado de se separar, e a fauna do Maranhão era muito parecida com a do norte da África, o que explica a presença de espinossaurídeos dos dois lados do Atlântico.

Patrimônio sob ameaça

Por estar exposto às marés, o sítio sofre erosão natural constante. Organizações locais também alertam que grandes obras portuárias previstas para a região podem mudar correntes e sedimentação e comprometer a jazida. Para os pesquisadores, coletar e estudar o material com rapidez é a única forma de garantir que essa história não se perca no mar.

Perguntas frequentes

Qual o maior dinossauro carnívoro do Brasil?

O Oxalaia quilombensis, espinossaurídeo de 12 a 14 metros descrito a partir de fósseis da Ilha do Cajual, no Maranhão.

Dá para visitar a Laje do Coringa?

O sítio só aparece na maré baixa e é área de pesquisa. Visitas dependem de autorização e de acompanhamento local.

Com informações do Museu Nacional (UFRJ) e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA