
Na BR-101, entre Casimiro de Abreu e Rio Bonito, no Rio de Janeiro, um corredor ecológico de 72 quilômetros com 37 estruturas de travessia para animais já registrou a passagem de mais de 103 espécies. Entre elas está o mico-leão-dourado, primata ameaçado que só existe naquela região da Mata Atlântica: foram mais de 1,3 mil travessias registradas, segundo a concessionária Arteris, que administra o trecho.
Agora, o modelo chega ao interior de São Paulo. A primeira passagem aérea de fauna da região de Ribeirão Preto foi instalada no km 47,4 da SP-255, em Guatapará.
Uma ponte a seis metros de altura
A estrutura fica a seis metros do chão e tem plataformas de madeira com telas laterais, que evitam quedas e fugas e conduzem os animais de um lado ao outro da pista. Foi posicionada perto do Rio Mogi-Guaçu, em um trecho de grande biodiversidade, onde o Cerrado faz transição para a Mata Atlântica e há mata ciliar.
O alvo são os animais que se deslocam pelas copas e evitam descer ao chão, como macacos-prego, bugios e saguis-de-tufo-preto. Quatis e gambás, comuns na região, também podem usar a travessia. A passagem aérea faz parte de um conjunto que inclui mais de 50 passagens inferiores, por baixo da pista, instaladas nos trechos em duplicação da rodovia.
Por que pontes para bicho funcionam
Rodovias cortam fragmentos de mata e isolam populações. Para animais de copa, atravessar o asfalto significa descer ao chão, onde ficam expostos a atropelamentos e a predadores. As pontes de dossel recriam a continuidade das árvores, e as passagens inferiores, combinadas a cercas que conduzem os animais até elas, protegem os bichos que andam pelo chão.
Segundo Richardson Costa de Faria, gerente de meio ambiente da Arteris, as estruturas restabelecem a conectividade entre áreas naturais separadas pela rodovia e unem engenharia, segurança viária e conservação.
Menos acidentes na estrada
A empresa afirma ter mais de 260 passagens de fauna nos trechos que administra em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Santa Catarina, além de mais de 200 quilômetros de cercas que direcionam os animais às travessias. Segundo a concessionária, o conjunto contribuiu para reduzir em 27% os acidentes envolvendo fauna silvestre nos últimos cinco anos.
A segurança também é humana: colisões com animais de médio e grande porte, como capivaras e antas, causam acidentes graves nas estradas brasileiras.
O caso do mico-leão-dourado
O corredor da BR-101 se tornou referência nacional por causa do mico-leão-dourado. A espécie, que chegou a poucas centenas de indivíduos no século 20, se recuperou com décadas de trabalho de conservação, reintrodução e reconexão de florestas na bacia do Rio São João. A rodovia era uma barreira no meio desse território. As pontes de dossel e um viaduto vegetado permitiram que grupos voltassem a circular entre os dois lados.
Cada travessia registrada por câmeras é a prova de que a estrutura funciona. Para uma espécie que depende de trocas entre grupos para manter a diversidade genética, poder cruzar a estrada faz diferença no longo prazo.
O que você pode fazer na estrada
Respeitar os limites de velocidade em trechos sinalizados com placas de travessia de animais é a medida mais simples. Ao ver um animal atropelado ou ferido, a orientação é avisar a concessionária ou a polícia rodoviária, sem tentar manusear o bicho.
Perguntas frequentes
O que é uma passagem aérea de fauna?
É uma ponte instalada sobre a rodovia, ligando as copas das árvores dos dois lados, para que animais arborícolas atravessem sem descer ao chão.
Os animais usam mesmo as passagens?
Sim. No corredor da BR-101 no Rio de Janeiro, mais de 103 espécies e mais de 1,3 mil travessias de micos-leões-dourados foram registradas.
Com informações da concessionária Arteris.
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