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Secas de 2023-2024 na Amazônia causam danos inéditos à floresta

Secas de 2023-2024 na Amazônia causam danos inéditos à floresta
Ilustração: IA

Estudo recente revela vulnerabilidade crescente da floresta a eventos climáticos extremos, com recuperação lenta e incompleta.

A floresta amazônica experimentou um nível de dano sem precedentes durante as secas de 2023 e 2024, que foram consideradas as mais severas e consecutivas já registradas. Um estudo recente, publicado nas Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), revela que o sinal de radar de satélite das florestas amazônicas atingiu seu ponto mais baixo desde 1992, indicando uma alteração substancial no funcionamento da floresta, incluindo sua umidade e biomassa. A pesquisa projeta que a recuperação pós-seca será a mais fraca entre todos os grandes eventos de seca documentados nas últimas três décadas.

As descobertas sublinham a crescente vulnerabilidade da Amazônia aos extremos climáticos, impulsionados por eventos como o El Niño e as contínuas mudanças climáticas antropogênicas. O estudo utiliza observações mensais de radar de satélite, desenvolvidas recentemente e cobrindo o período de 1992 a 2025, para rastrear a dinâmica de umidade e biomassa florestal, analisando as respostas a longo prazo das florestas intactas da Amazônia.

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Impacto generalizado e recuperação comprometida

Durante o período de 2023-2024, o estudo identificou um declínio acentuado no sinal de radar em todo o bioma, com 26,8% das florestas atingindo seus mínimos em três décadas. Essa proporção é mais que o dobro da registrada durante a seca de 2005, quando 11,0% das florestas alcançaram esses níveis mínimos. A região mais afetada foi a Amazônia Oriental.

Projeções baseadas em cenários de precipitação históricos e futuros do CMIP6 (Climate Model Intercomparison Project Phase 6) indicam que, mesmo sete anos após as secas de 2023-2024, menos de 50% das áreas afetadas devem se recuperar às condições pré-seca. As florestas mais resilientes, com recuperação prevista, são caracterizadas por menores concentrações de cátions no solo, maior teor de areia no solo e menor altura de dossel, características que diminuem o risco de falha hidráulica durante períodos de estresse hídrico.

“As secas de 2023-2024 representam um ponto crítico para a resiliência da Amazônia, com danos que superam qualquer registro anterior em nossa base de dados de três décadas”, afirmou um dos pesquisadores em comunicação interna.

Dado que secas severas ocorreram aproximadamente a cada sete anos nas últimas três décadas, a Amazônia pode enfrentar outro evento de seca antes mesmo de se recuperar totalmente deste último período dramático. Segundo o estudo, essas florestas estão se aproximando dos limites de seu espaço operacional pré-industrial, o que significa que o ecossistema pode estar perdendo sua capacidade de se adaptar e se recuperar.

Entenda o caso

Apesar de seu papel vital como reguladora climática global e lar de um quarto dos estoques globais de carbono florestal, a Amazônia tem sido cada vez mais ameaçada por secas severas. As secas de 2023-2024 são particularmente alarmantes por sua intensidade e consecutividade, exacerbadas por fenômenos como o El Niño e as mudanças climáticas induzidas pelo homem. Este estudo é o primeiro a quantificar a extensão desses impactos em nível de bioma, usando dados de radar de satélite contínuos de longo prazo.

Vulnerabilidade e os efeitos climáticos

As pesquisas confirmam que a região amazônica está sob um estresse crescente. Em 2023 e 2024, a combinação de um El Niño forte e temperaturas oceânicas elevadas no Atlântico Tropical Norte intensificou a seca, afetando grande parte da bacia amazônica. Este cenário foi amplificado pelo desmatamento e pela degradação florestal, que podem tornar grandes porções da floresta mais propensas à seca e ao fogo, exacerbando os ciclos de retroalimentação negativa.

A resiliência das florestas amazônicas, ou seja, sua capacidade de absorver e se recuperar de perturbações, está sendo testada. Estudos anteriores já apontavam para um declínio a longo prazo do sumidouro de carbono da Amazônia, com os impactos da seca contribuindo para essa tendência. A atual situação levanta preocupações sobre a sustentabilidade da floresta como sumidouro de carbono e um ponto de inflexão ecológico. As alterações no ciclo da água e o aumento das temperaturas globais continuam a ameaçar a saúde e a integridade da floresta.

As implicações para a Amazônia brasileira e mundial

Para os estados da Amazônia brasileira, como Pará, Amazonas e Acre, as implicações são diretas e severas. A perda de umidade e biomassa não apenas afeta a biodiversidade local, mas também compromete os serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima e o ciclo hidrológico. A diminuição da capacidade de recuperação significa uma Amazônia mais seca e vulnerável a incêndios florestais em larga escala, com consequências para a qualidade do ar, a saúde humana e a economia local, baseada em parte nos recursos naturais.

Em termos globais, a degradação da Amazônia representa um risco significativo para os esforços de mitigação das mudanças climáticas. Se a floresta perder sua capacidade de absorver carbono, ela poderá se tornar uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global. A necessidade de monitoramento contínuo e políticas de proteção robustas torna-se cada vez mais urgente para evitar um cenário de danos irreversíveis.

Perguntas Frequentes

O que significa o “sinal de radar de satélite”?
É uma medida da umidade e biomassa da floresta. Um sinal baixo indica menos água nas plantas e menor quantidade de massa florestal.

Qual a diferença entre a seca de 2005 e a de 2023-2024?
A seca de 2023-2024 foi mais intensa e generalizada, com o dobro de área florestal atingindo os mínimos históricos de umidade e biomassa em comparação com 2005.

O que pode ser feito para mitigar esses danos?
Ações devem focar na redução do desmatamento, combate às mudanças climáticas e restauração de áreas degradadas para fortalecer a resiliência da floresta.

Os próximos anos serão cruciais para observar se as projeções de recuperação se concretizam e para avaliar a eficácia das medidas de conservação e mitigação implementadas na região.

Com informações de Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

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