As árvores mais altas do mundo resistem a fogo e fungos por séculos, mas o calor extremo corta pela metade a fotossíntese das sequoias, mostra estudo

As árvores mais altas do mundo resistem a fogo e fungos por séculos, mas o calor extremo corta pela metade a fotossíntese das sequoias, mostra estudo
Sequoias-costeiras no Parque Nacional de Redwood, Califórnia. Foto: Krzysztof Ziarnek, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

As sequoias-costeiras (Sequoia sempervirens) são as árvores mais altas do planeta, com exemplares que passam de 100 metros, e famosas pela resistência: sobrevivem a incêndios, fungos e apodrecimento por séculos. Um estudo mostra que elas podem ser vulneráveis a um inimigo relativamente novo, as ondas de calor.

Em experimentos de laboratório, a fotossíntese nas folhas da espécie caiu aproximadamente pela metade quando a temperatura subiu de 30 °C para 40 °C. O trabalho foi publicado em setembro no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences.

Árvores da neblina

As sequoias-costeiras vivem apenas numa faixa estreita do litoral, do centro da Califórnia ao sul do Oregon, nos Estados Unidos, onde as temperaturas são amenas e a neblina é frequente. Mas ondas de calor recentes levaram partes dessa região a mais de 40 °C.

Segundo a ecofisiologista Lily Klinek, da Universidade da Califórnia em Davis, uma queda desse tamanho na fotossíntese costuma indicar estresse severo. Esse tipo de vulnerabilidade pode levar à morte de árvores e ameaçar um dos maiores estoques de carbono da Califórnia.

Folhas mais quentes que o ar

Entre julho de 2022 e outubro de 2024, a equipe mediu repetidamente o desempenho de folhas de sequoias no condado de Mendocino, período que incluiu duas ondas de calor. Normalmente, as árvores se resfriam pelos estômatos, pequenos poros que deixam a água evaporar e levar o calor, como o suor na pele humana. Quando fica quente e seco demais, os estômatos se fecham para segurar a água.

No calor extremo, as agulhas das sequoias chegaram a ficar até 10 °C mais quentes que o ar ao redor, porque a cor escura absorve muita luz. Isso indica que os poros estavam ao menos parcialmente fechados. O problema é que são os mesmos poros que deixam entrar o dióxido de carbono usado para produzir alimento.

Calor que atinge a máquina da folha

Medir isso no campo é difícil. Klinek coletou ramos a cerca de cinco metros de altura, subindo no teto do carro com uma tesoura de poda de cabo longo, e levou as amostras ao laboratório. Lá, aqueceu as folhas até as temperaturas das ondas de calor recentes.

Mesmo com as amostras submersas em água, com os poros abertos e todos os ingredientes da fotossíntese disponíveis, a taxa caiu. Ou seja, a queda não vinha só da falta de carbono: o calor afetava diretamente o funcionamento interno da folha.

O estudo usou sequoias jovens, porque alcançar os galhos de árvores com mais de 100 metros é quase impossível. Os pesquisadores ainda querem saber se os gigantes antigos reagem da mesma forma.

E as gigantes da Amazônia?

A Amazônia também tem suas árvores colossais, como o angelim-vermelho de 88,5 metros encontrado no Pará, a árvore mais alta conhecida da floresta. Pesquisas sobre como essas gigantes respondem às secas e ao calor recorde dos últimos anos são cada vez mais urgentes, porque elas guardam grande parte do carbono das florestas tropicais.

Perguntas frequentes

Qual a árvore mais alta do mundo?

Uma sequoia-costeira da Califórnia, com mais de 115 metros, é a árvore mais alta já medida.

O calor mata as sequoias?

O estudo mostra que o calor extremo reduz pela metade a fotossíntese, um sinal de estresse severo que pode levar à morte de árvores se as ondas de calor se repetirem.

Com informações da Universidade da Califórnia em Davis e do estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences.

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