Atum-azul sai da lista de ameaçados, lince-ibérico sobe de 94 para mais de 2 mil e baleias-jubarte passam de 100 mil

Atum-azul sai da lista de ameaçados, lince-ibérico sobe de 94 para mais de 2 mil e baleias-jubarte passam de 100 mil
Foto: acervo

Sete espécies mostram que proteção funciona quando governos, cientistas e comunidades locais agem juntos, mas nenhuma está totalmente fora de perigo.

Em 2002, restavam apenas 94 linces-ibéricos na natureza. Hoje, são mais de 2 mil. Esse salto é um dos exemplos de uma lista de sete espécies ameaçadas que voltaram a crescer graças a ações de conservação, segundo levantamento publicado pelo autor Patrick Omoake em outubro de 2026. Há ainda atuns, elefantes, gorilas, baleias, tigres e tartarugas nessa história.

O recado vale para a Amazônia, onde tartarugas, peixes e grandes mamíferos também dependem de regras claras, fiscalização e apoio de quem vive perto deles.

O lince que saiu de 94 para mais de 2 mil

No início do século, o lince-ibérico era um dos felinos mais ameaçados do planeta. Em 2002, havia só 94 indivíduos, divididos em duas populações isoladas no sul da Espanha. Atropelamentos, caça ilegal, perda de habitat e a queda dos coelhos silvestres, seu alimento principal, empurravam a espécie para o fim.

Espanha e Portugal apostaram em reprodução em cativeiro, recuperação de áreas e reintrodução dos animais. Também trabalharam para reconstruir as populações de coelhos e incentivaram agricultores a manter corredores para a fauna.

Em junho de 2024, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou o lince de Em Perigo para Vulnerável. A espécie ainda exige monitoramento constante.

Gorilas: de cerca de 250 a mais de mil

Nos anos 1980, restavam cerca de 250 gorilas-da-montanha nas florestas de Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo. Caça, destruição do habitat, doenças e instabilidade política ameaçavam o grupo.

Patrulhas de guardas removeram armadilhas, veterinários trataram animais feridos e organizações trabalharam com as comunidades vizinhas. O turismo controlado, com visitas a famílias de gorilas habituadas à presença humana, gerou renda e empregos.

O censo de 2018 no maciço de Virunga contou 604 gorilas, e o de 2019 em Bwindi-Sarambwe registrou outros 459. Somados, são 1.063 animais. Em 2018, a IUCN mudou a classificação da espécie de Criticamente em Perigo para Em Perigo.

Elefantes e o papel das comunidades

A África chegou a abrigar cerca de 5 milhões de elefantes na década de 1930. Hoje, a população do continente é estimada em aproximadamente 415 mil, ainda pressionada por caça, perda de habitat e conflitos com pessoas.

A Namíbia seguiu outro caminho. Em 1996, uma lei permitiu que comunidades rurais criassem áreas de conservação comunitárias, com direito de manejar a fauna e lucrar com atividades como o turismo. A ideia era simples: quem convive com os animais também deve ganhar com a proteção deles.

Atum-azul sai da lista de ameaçados, lince-ibérico sobe de 94 para mais de 2 mil e baleias-jubarte passam de 100 mil
Foto: Patrick Omoake

De quatro áreas em 1998, o programa passou de 80. A população de elefantes subiu de cerca de 7.500 em meados dos anos 1990 para mais de 16 mil em 2008 e mais de 23 mil em estimativas nacionais recentes. Os conflitos, como danos a plantações, continuam sendo parte do desafio.

Atum-azul e jubartes: o mar dá sinais de reação

O atum-azul do Atlântico sofreu décadas de pesca intensiva e, no início dos anos 2010, estava classificado como Em Perigo. Cotas menores, proteção a filhotes, manejo de áreas de desova no Mediterrâneo e no Golfo do México, e fiscalização mais forte da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT) mudaram o quadro.

Em 2021, a IUCN reclassificou a espécie para Pouco Preocupante. O atum-azul do Pacífico, porém, ainda enfrenta sérias dificuldades.

Com as jubartes, o ponto de virada foi a moratória global à caça comercial de baleias, de 1986. Estimativas apontam cerca de 1.400 animais nos anos 1960. Hoje, o número global passa de 100 mil, e algumas avaliações falam em mais de 135 mil. A recuperação não é uniforme entre os oceanos.

Tigres e tartarugas-verdes

Em 2010, estimava-se que restassem cerca de 3.200 tigres selvagens. Naquele ano, países com a espécie se reuniram em São Petersburgo, na Rússia, e prometeram dobrar o número até 2022. A meta global não foi cumprida, mas o compromisso reforçou áreas protegidas, patrulhas contra caça e corredores ecológicos.

A Índia concentra hoje a maioria dos tigres do mundo. As estimativas globais passam de 5.500 animais, e a espécie segue em perigo.

As tartarugas-verdes enfrentam coleta de ovos, caça, ocupação de praias, pesca e poluição por plástico. A luz artificial na orla também desorienta os filhotes, que usam a claridade natural para achar o mar.

Praias de desova monitoradas, restrições à coleta de ovos, transferência de ninhos em risco e dispositivos que evitam a captura em redes de arrasto de camarão ajudaram. Várias populações de desova cresceram, mas a situação varia muito entre regiões.

O que isso diz para a Amazônia

Os casos têm pontos em comum: regras claras, fiscalização, ciência acompanhando os números e benefícios reais para quem vive perto da fauna. O modelo das áreas comunitárias da Namíbia e o turismo controlado com gorilas mostram que a proteção pode gerar renda local.

Esse raciocínio dialoga com a realidade amazônica, onde ribeirinhos e povos indígenas convivem com espécies como tartarugas e peixes de grande porte. Os exemplos não se aplicam automaticamente, mas indicam caminhos já testados em outros lugares.

Segundo a IUCN, o lince-ibérico passou de Em Perigo para Vulnerável em junho de 2024. O desafio agora é manter o monitoramento e o apoio às comunidades para que essas curvas de recuperação continuem subindo.

Com informações de IUCN.

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