Mais de 80 mil filhotes de tartaruga-da-amazônia nasceram numa só temporada no rio Trombetas, no Pará, dez vezes mais que em 2023

Mais de 80 mil filhotes de tartaruga-da-amazônia nasceram numa só temporada no rio Trombetas, no Pará, dez vezes mais que em 2023
Equipes protegem tartarugas-da-amazônia em tabuleiro de desova no Pará. Foto: Ibama, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.

Na Reserva Biológica do Rio Trombetas, em Oriximiná, no oeste do Pará, a última temporada de reprodução da tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) terminou com um número histórico. Mais de 80 mil filhotes nasceram nos tabuleiros de desova protegidos, dez vezes mais do que no ciclo de 2023, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O encerramento da temporada foi marcado pela soltura de cerca de 8 mil filhotes, acompanhada por aproximadamente 250 pessoas das comunidades do entorno.

Vigilância dia e noite

A tartaruga-da-amazônia desova nos tabuleiros, as praias de areia que aparecem quando o rio baixa. Ali, os ovos ficam expostos à coleta ilegal e a predadores como jacarés e gaviões. Por isso, agentes do ICMBio fazem vigilância 24 horas nos locais de desova durante toda a temporada.

A equipe acompanha o processo desde a postura dos ovos. Depois do nascimento, os filhotes são reunidos em viveiros de quarentena e soltos em pontos estratégicos do rio Trombetas. Como a reserva é uma unidade de conservação federal de proteção integral, a pesca e a captura de quelônios são proibidas ali.

Para a coordenadora do Programa de Quelônios da Rebio, Maria Bárbara de Sousa, o resultado é um marco histórico, fruto do trabalho conjunto de servidores, fiscais, agentes temporários, voluntários e comunitários.

Comunidade como guardiã

Boa parte do trabalho é feita por agentes temporários ambientais, moradores da região contratados para a temporada. O mais antigo deles, conhecido como Seu Maneco, celebrou o resultado como fruto de longos anos de dedicação. Envolver as comunidades é considerado essencial: quem mora perto do rio conhece os tabuleiros, percebe movimentos estranhos e ajuda a transformar a tartaruga de alvo de caça em motivo de orgulho local.

A maior tartaruga de água doce da América do Sul

A tartaruga-da-amazônia é o maior quelônio de água doce da América do Sul. As fêmeas adultas podem passar de 70 centímetros de casco e reúnem-se aos milhares nas praias para desovar, num espetáculo que já foi muito mais comum nos rios amazônicos.

Durante séculos, a espécie foi intensamente explorada pela carne e pelos ovos, usados até para fazer óleo de iluminação no período colonial. A caça e a coleta reduziram drasticamente as populações em muitos rios. Programas de proteção de tabuleiros, iniciados pelo governo federal nos anos 1970, ajudaram a recuperar a espécie em vários pontos da Amazônia.

Uma conta de longo prazo

Só uma pequena parte dos filhotes chega à idade adulta, que pode levar mais de uma década. Peixes, aves e jacarés comem muitos deles nos primeiros meses. Por isso, cada temporada com muitos nascimentos aumenta a chance de que, anos depois, mais fêmeas voltem às mesmas praias para desovar.

Em outros pontos da Amazônia, como o Tabuleiro do Embaubal, no rio Xingu, e o rio Guaporé, em Rondônia, programas parecidos soltam centenas de milhares de filhotes por ano.

Perguntas frequentes

Onde a tartaruga-da-amazônia desova?

Em praias de areia que surgem na vazante dos rios, chamadas tabuleiros.

É proibido pescar tartaruga-da-amazônia?

Sim. A captura de quelônios silvestres é proibida, salvo em casos autorizados de manejo, e em reservas biológicas qualquer pesca é vetada.

Com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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