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“A floresta não é o pulmão do mundo”: a verdadeira…

Eu olhei para uma árvore de 100 metros e descobri que a ciência ainda discute como a água consegue chegar até o topo

Uma árvore parece imóvel quando é observada de fora. O tronco permanece no mesmo lugar, os galhos se movem apenas com o vento e as raízes ficam escondidas sob o solo.

Por dentro, entretanto, existe uma movimentação constante.

Água e substâncias dissolvidas percorrem caminhos extremamente estreitos, saindo das raízes e chegando às folhas. Em algumas árvores gigantes, essa viagem pode alcançar dezenas de metros.

Em casos excepcionais, a água precisa chegar a copas localizadas a aproximadamente 100 metros do solo.

A pergunta parece simples: como ela consegue subir tanto contra a gravidade?

A resposta é mais complexa do que parece.

A capilaridade não explica tudo

Uma das explicações mais conhecidas é a capilaridade.

Esse fenômeno permite que líquidos subam por espaços muito estreitos. É possível observá-lo quando a água avança por um pedaço de papel ou quando o líquido sobe levemente nas bordas de um recipiente.

Os vasos que transportam água dentro das árvores são muito finos. Isso favorece a subida do líquido.

O problema, segundo Peter Wohlleben em A Vida Secreta das Árvores, é que a capilaridade sozinha não seria capaz de levar a água até uma copa situada a mais de 100 metros de altura.

Ela ajuda, mas não resolve todo o mistério.

As folhas puxam água para cima

Outro processo importante é a transpiração.

Quando a água evapora pelas folhas, cria-se uma tensão na coluna líquida existente dentro da planta. Como as moléculas de água permanecem unidas, a saída de uma parte delas contribui para puxar outras para cima.

É como se uma sequência microscópica de moléculas fosse deslocada em direção à copa.

Durante períodos quentes, uma árvore adulta pode liberar centenas de litros de vapor por dia. Para repor essa perda, mais água precisa ser retirada do solo.

A árvore também trabalha quando quase não transpira

O mistério aumenta quando se observa a movimentação de água em períodos nos quais a árvore possui poucas folhas ou transpira muito pouco.

Wohlleben destaca que a pressão dentro do tronco pode aumentar antes do surgimento das folhas. Em algumas árvores, o movimento da água pode até ser percebido com instrumentos de escuta.

Nesse momento, a transpiração ainda não seria suficiente para explicar o bombeamento.

A osmose, as diferenças de pressão e outras propriedades físicas também participam do processo. Mesmo assim, o livro argumenta que o mecanismo completo não é tão simples quanto frequentemente aparece nos materiais escolares.

Um sistema escondido dentro da madeira

O mais curioso é que todo esse movimento acontece sem coração, músculos ou uma bomba semelhante às encontradas em máquinas.

A árvore utiliza diferenças de pressão, propriedades da água, estruturas microscópicas e a perda de vapor pelas folhas.

O tronco que parece maciço é atravessado por uma rede de transporte.

Quando se observa uma árvore amazônica gigante, portanto, não se está diante de um organismo parado. Há água subindo continuamente, nutrientes sendo distribuídos e células reagindo às condições do ambiente.

Talvez a parte mais surpreendente seja justamente esta: um dos processos mais comuns da floresta ainda contém perguntas que a ciência continua investigando.

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