Abelhas-europeias expulsam outros polinizadores das flores, mas uma pequena abelha recém-chegada à Inglaterra resolveu enfrentá-las

Abelhas-europeias expulsam outros polinizadores das flores, mas uma pequena abelha recém-chegada à Inglaterra resolveu enfrentá-las
Abelha-da-hera (Colletes hederae) macho em Oxfordshire, Inglaterra. Foto: Charles J. Sharp, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Abelhas-europeias, as abelhas de colmeia criadas para produzir mel, são vistas como aliadas da natureza. Mas, em grande número, podem atrapalhar outros polinizadores. Um estudo da Universidade Anglia Ruskin, no Reino Unido, observou a disputa por flores e encontrou um padrão claro: quanto mais abelhas de colmeia, menos espaço para os outros. Só uma espécie reagiu.

O trabalho foi publicado na revista científica Ecological Entomology.

93 horas de observação

Durante dois anos, pesquisadores observaram insetos em cinco locais em Cambridge e arredores, todos a menos de 300 metros de colmeias conhecidas. O foco foram flores de amora-silvestre e de hera, ricas em néctar e pólen. Os visitantes foram divididos em abelhas de colmeia, mamangavas, abelhas solitárias, moscas-das-flores e outros, como borboletas, besouros e vespas.

Em 93 horas, a equipe registrou todas as vezes em que um polinizador atrapalhou ou impediu outro de chegar a uma flor, classificando cada encontro como vitória, derrota ou compartilhamento.

Quem ganha a briga

Densidades maiores de abelhas de colmeia estavam ligadas a menos polinizadores de outros grupos e a mais disputas. Na amora, dobrar a densidade de abelhas de colmeia esteve associado a 14% menos mamangavas. Na hera, mais abelhas de colmeia significaram menos abelhas solitárias e moscas-das-flores.

As abelhas de colmeia venceram a maioria dos encontros e, muitas vezes, provocaram a briga, perseguindo os outros insetos. Foram evitadas pelos demais em 28% das interações na amora e 36% na hera, e expulsaram fisicamente rivais em pelo menos uma de cada cinco vitórias.

A única que revidou

Quase não houve agressões que não partissem das abelhas de colmeia. A exceção foi a abelha-da-hera (Colletes hederae), uma abelha solitária registrada pela primeira vez na Grã-Bretanha em 2001. Ela defendeu sua fonte de alimento, afastando e perseguindo as abelhas de colmeia das flores de hera, sua planta preferida.

Colmeias demais?

O estudo faz parte de um projeto sobre competição entre polinizadores. O número de apicultores registrados no Reino Unido passou de 19 mil, em 2010, para 47 mil no ano passado. Os pesquisadores alertam que, onde há muitas colmeias, abelhas nativas e outros polinizadores podem perder acesso às flores, e a mudança do clima pode agravar essa competição.

E no Brasil?

No Brasil, a abelha de colmeia mais comum é a africanizada, um híbrido da abelha-europeia. O país também tem centenas de espécies de abelhas nativas, entre elas as sem ferrão, como jataí e uruçu, e muitas solitárias. Pesquisadores brasileiros também estudam como a grande quantidade de abelhas africanizadas pode competir com as nativas por flores, sobretudo em áreas com poucas plantas. Plantar espécies nativas variadas e manter áreas de vegetação ajuda todos os polinizadores.

Perguntas frequentes

Abelhas de colmeia prejudicam abelhas nativas?

Em grande número, podem competir por flores e afastar outros polinizadores, segundo o estudo inglês.

O que é a abelha-da-hera?

Uma abelha solitária europeia que se alimenta principalmente de flores de hera e chegou à Grã-Bretanha em 2001.

Com informações da Universidade Anglia Ruskin e do estudo publicado na Ecological Entomology.

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