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Expedição na Serra do Imeri coleta 12 espécies novas de répteis e anfíbios em 12 dias de campo

Em expedição liderada pelo professor Miguel Trefaut Rodrigues, da USP, realizada na Serra do Imeri (Parque Nacional do Pico da Neblina), pesquisadores coletaram 285 animais de 41 espécies. Pelo menos 12 delas (cerca de 30%) são inéditas para a ciência: cinco anfíbios, quatro lagartos e três aves.

A equipe de 14 pesquisadores trabalhou 12 dias no campo. O isolamento biogeográfico da região dos tepuis explica a alta taxa de endemismo. Nenhuma das 20 espécies coletadas em Santa Isabel do Rio Negro era nova, enquanto quase todas as 12 da Serra do Imeri são inéditas e endêmicas.

A descoberta reforça que as montanhas isoladas do norte da Amazônia ainda são páginas em branco da biodiversidade brasileira.

O que a taxa de 30% de espécies novas significa

Encontrar 12 espécies novas em apenas 12 dias de campo é um número excepcional. Ele indica que a Serra do Imeri ainda é, em grande parte, terra científica desconhecida. O contraste com a área de terra firme de Santa Isabel do Rio Negro, onde nenhuma espécie nova foi encontrada, reforça o papel do isolamento de altitude.

O professor Miguel Trefaut Rodrigues resumiu o sentimento da equipe: “Estamos preenchendo uma página em branco na história da biodiversidade brasileira”. A expedição também coletou plantas e outros grupos, ampliando o inventário geral da região.

A descoberta de tantas espécies endêmicas fortalece os argumentos pela manutenção e pelo fortalecimento do Parque Nacional do Pico da Neblina e pela proteção do território Yanomami.

Perspectiva mais ampla e conexão com o Brasil

Essas descobertas de 2025 e 2026 se somam a um conjunto crescente de evidências de que a Amazônia brasileira ainda guarda um volume extraordinário de biodiversidade e de história humana desconhecida. Seja uma rã críptica, um caranguejo de altitude, um escorpião perto de uma cachoeira, um gafanhoto batizado com toada de Parintins, uma ave restrita a topo de serra, um conjunto de espécies novas em 12 dias de campo, um cemitério indígena ou sinais de isolados, o padrão é o mesmo: a floresta continua a surpreender.

Para o leitor brasileiro, cada uma dessas histórias traz números concretos, localidades precisas e consequências mensuráveis. Elas substituem a imagem genérica da Amazônia por uma paisagem de descobertas específicas, datadas e verificáveis. E, ao fazer isso, reforçam a urgência de proteger os territórios onde essas descobertas ainda são possíveis.

A ciência feita no Brasil, em parceria com povos indígenas e com instituições de pesquisa, continua a escrever páginas novas da história natural e cultural da maior floresta tropical do mundo.

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