Lóris-de-Bangka, primata de mordida venenosa dado como possivelmente extinto, é reencontrado na Indonésia depois de quase 90 anos

Lóris-de-Bangka, primata de mordida venenosa dado como possivelmente extinto, é reencontrado na Indonésia depois de quase 90 anos
Foto: The Kukang Rescue Program/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Lóris-lento (Nycticebus coucang), parente do lóris-de-Bangka, em monitoramento noturno.

Um primata pequeno, noturno e de mordida venenosa, que não tinha registro científico desde o início da década de 1930, está vivo. O lóris-de-Bangka (Nycticebus bancanus), da ilha de Bangka, na costa sudeste de Sumatra, na Indonésia, foi confirmado em um estudo publicado na revista científica Spixiana. Entre 2015 e 2025, o centro de resgate indonésio Alobi Wildlife Rescue Center documentou mais de 90 animais da espécie em diferentes pontos da ilha, e 86 deles foram devolvidos à natureza depois de recuperados. “O lóris-de-Bangka continua vivo”, afirmou Timon Glaw, um dos autores do estudo e pós-graduando ligado ao zoológico Haus des Meeres, em Viena, na Áustria.

Uma espécie dada como perdida

Os últimos registros científicos do lóris-de-Bangka eram de 1930 a 1932. Na avaliação de 2020 da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), a espécie aparecia como criticamente ameaçada e possivelmente extinta. A organização de conservação Re:wild a incluía em sua lista de “primatas perdidos”, espécies sem registro confirmado há décadas.

Como ele foi reencontrado

O reencontro não veio de uma expedição na floresta, mas do trabalho de resgate. Os animais atendidos pelo Alobi foram encontrados em casas, quintais, plantações e estradas, muitos feridos. Com o registro sistemático desses resgates ao longo de uma década, os pesquisadores puderam confirmar a identidade da espécie e mostrar que ela ainda vive em vários pontos da ilha.

Para Glaw, o reencontro também traz esperança de que outras espécies dadas como extintas ainda sobrevivam em algum lugar.

Um primata com veneno

Os lóris estão entre os poucos mamíferos venenosos do mundo. O veneno é produzido por glândulas perto dos cotovelos. Quando ameaçado, o animal levanta os braços, lambe as glândulas e transmite a substância pela mordida. Segundo Glaw, o veneno pode provocar reações alérgicas graves em pessoas, que podem até levar à morte.

Estudos com outras espécies de lóris indicam que o veneno é usado principalmente em brigas entre os próprios lóris, e talvez também contra predadores e parasitas.

O que se sabe sobre o animal

  • é noturno e vive nas árvores;
  • a dieta ainda é pouco conhecida, mas deve incluir insetos, gomas de árvores, néctar e partes de plantas;
  • tem um “pente” de dentes na parte da frente da boca e uma segunda língua, especializada, que serve para limpar esse pente.

As ameaças

Segundo os autores, o principal risco é a perda de habitat na ilha de Bangka, causada pela mineração de estanho e pelo desmatamento para plantações de dendê. Os animais também se ferem em fios elétricos. Os pesquisadores defendem levantamentos de campo para descobrir onde a espécie ainda vive e qual o tamanho das populações.

Por que redescobertas importam

Quando uma espécie é dada como possivelmente extinta, ela costuma sair das prioridades de conservação. Confirmar que ainda existe permite planejar a proteção das áreas onde vive antes que seja tarde. No Brasil, casos parecidos de espécies reencontradas depois de décadas, como o sapo-pulga de Nova Friburgo, mostram o valor de registros de campo e de coleções científicas.

Perguntas frequentes

Onde vive o lóris-de-Bangka?

Na ilha de Bangka, na Indonésia, a sudeste de Sumatra.

Quando foi o último registro antes do reencontro?

Entre 1930 e 1932.

O lóris é mesmo venenoso?

Sim. O veneno vem de glândulas nos braços e é transmitido pela mordida.

Quantos animais foram documentados?

Mais de 90, entre 2015 e 2025, pelo Alobi Wildlife Rescue Center. 86 foram devolvidos à natureza.

Agora, o desafio dos pesquisadores é estimar quantos lóris-de-Bangka ainda vivem na ilha e proteger as florestas onde eles foram encontrados.

Com informações do estudo publicado na revista Spixiana, do Alobi Wildlife Rescue Center, da UICN e da Re:wild.

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