
Revestimento produzido em Santa Catarina combina zinco, alumínio e magnésio para ampliar a vida útil de estruturas.
Em comunidades isoladas, onde o transporte de materiais pode exigir longos deslocamentos e o acesso para manutenção é limitado, a durabilidade da estrutura elétrica pesa tanto quanto a capacidade de gerar energia. É nesse ponto que a ArcelorMittal apresenta o Magnelis, revestimento metálico fabricado no Brasil e desenvolvido para proteger estruturas de aço em ambientes sujeitos à umidade, à salinidade e a condições ambientais agressivas.
Segundo a ArcelorMittal Brasil, o Magnelis é fabricado nacionalmente na Unidade Vega, em São Francisco do Sul (SC), em setembro de 2026. A empresa afirma que a solução oferece resistência à corrosão pelo menos três vezes superior à do aço galvanizado convencional, característica que pode reduzir intervenções e substituições em projetos de infraestrutura energética.
Uma liga pensada para ambientes agressivos
O produto recebe um revestimento formado por zinco, alumínio e magnésio. De acordo com a fabricante, a composição reúne 3,5% de alumínio e 3% de magnésio, além do zinco. A proposta é criar uma camada de proteção mais eficiente contra a corrosão, processo que compromete estruturas metálicas quando elas permanecem expostas à água, ao vapor, ao ar salino ou a variações intensas de umidade.
A necessidade é particularmente relevante no Brasil, país que concentra desde áreas litorâneas até regiões quentes, úmidas e sujeitas a chuvas intensas. Para a indústria do aço, essa diversidade transforma o território nacional em um campo de avaliação de materiais destinados a usinas solares, redes de distribuição, estruturas de apoio e outros equipamentos que precisam permanecer operacionais por muitos anos.

Como a tecnologia chega aos projetos de energia
A ArcelorMittal relaciona o desenvolvimento do Magnelis a uma rede internacional de pesquisa e desenvolvimento. Os centros da empresa compartilham informações e resultados para adaptar soluções às diferentes condições de uso. No caso brasileiro, a variedade de microclimas é apontada como um fator estratégico para testar o desempenho do revestimento.
“A pesquisa acontece de forma integrada. Nossos centros de desenvolvimento ao redor do mundo trabalham conectados e compartilham conhecimento continuamente”, afirma Sebastien Cremel, especialista em Desenvolvimento de Produtos da ArcelorMittal.
Na prática, a proteção ampliada pode ser aplicada em estruturas que sustentam painéis solares e em componentes associados à geração e à distribuição de eletricidade. Quanto maior a resistência do material, menor tende a ser a necessidade de desmontar peças, transportar equipes e substituir componentes durante a operação. A economia, nesse caso, não depende apenas do preço inicial, mas também do custo acumulado de manutenção e logística.
A empresa também destaca que o revestimento utiliza menos zinco do que soluções convencionais. A avaliação apresentada pela ArcelorMittal é que a durabilidade prolongada e o menor consumo de matérias-primas podem reduzir impactos ambientais ao longo do ciclo de vida da estrutura. Esse resultado, contudo, depende das condições de projeto, instalação, uso e manutenção de cada aplicação.

O impacto para comunidades isoladas
O argumento social aparece quando a tecnologia é associada a programas de universalização do acesso à eletricidade. Em localidades remotas, uma estrutura que exige menos reparos pode facilitar a continuidade do serviço e diminuir a frequência de operações de campo. A empresa cita a implementação de um programa voltado a comunidades isoladas da Amazônia como exemplo de aplicação para ambientes considerados extremamente exigentes.
“Precisávamos de uma alternativa que entregasse máxima durabilidade em ambientes extremamente exigentes. Quando uma estrutura dura mais e resiste ao tempo, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma intenção e passa a ser parte direta da solução para a vida das pessoas”, diz Edmilson Filho, pesquisador da ArcelorMittal.
A Amazônia reúne Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, com realidades distintas de acesso, clima e infraestrutura. Nem todo projeto de energia na região enfrenta as mesmas condições, mas a combinação de grandes distâncias, áreas alagáveis, alta umidade e dificuldade de deslocamento torna a durabilidade um critério importante para soluções instaladas fora dos grandes centros urbanos.
O que muda no ciclo de vida do aço
O ganho prometido pelo Magnelis não está restrito à resistência inicial do componente. A lógica é prolongar o período de funcionamento antes que a corrosão demande uma intervenção significativa. Isso pode reduzir a troca de peças, o consumo de novos materiais e o deslocamento de equipes até locais de difícil acesso.

Para a transição energética, o efeito é relevante porque a expansão de fontes renováveis depende de uma cadeia de equipamentos, bases, suportes e redes de conexão. Painéis solares produzem eletricidade, mas precisam de estruturas capazes de permanecer estáveis ao longo do tempo. O mesmo vale para linhas, sistemas de distribuição e instalações que conectam comunidades a programas de acesso à energia.
A ArcelorMittal informa que a fabricação do revestimento no país é resultado de colaboração global em pesquisa e desenvolvimento com adaptação ao mercado nacional. A empresa mantém unidades industriais em oito estados brasileiros, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Ceará, Bahia, São Paulo e Mato Grosso do Sul, e declara capacidade anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e 8 milhões de toneladas de minério de ferro.
O que ainda precisa ser observado
A resistência à corrosão é uma característica técnica importante, mas não elimina a necessidade de especificação correta, instalação adequada e acompanhamento da estrutura. O desempenho de qualquer material também varia conforme o ambiente, o desenho do projeto e o tipo de exposição. Por isso, a aplicação em instalações energéticas deve considerar as condições locais de cada obra.
O tema é apresentado no terceiro episódio da websérie “Feito no Brasil”, produção da ArcelorMittal dedicada a pesquisa, inovação e sustentabilidade na cadeia do aço. O episódio aborda a colaboração entre centros de desenvolvimento e a fabricação nacional do Magnelis. O conteúdo pode ser assistido no canal da ArcelorMittal no YouTube.
Os próximos passos dependem da ampliação das aplicações da tecnologia em projetos de geração e distribuição de energia, especialmente onde a durabilidade e a logística de manutenção são determinantes para manter o serviço.
Com informações de ArcelorMittal Brasil.
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