Mora em prédio? Estudo em Manaus acha ovos de mosquito da dengue a 10,8 metros do chão, a altura de um quarto andar

Mora em prédio? Estudo em Manaus acha ovos de mosquito da dengue a 10,8 metros do chão, a altura de um quarto andar
Fêmea de Aedes albopictus se alimentando de sangue humano. Foto: James Gathany/CDC, via Wikimedia Commons, domínio público.

Quem mora em apartamento costuma achar que está longe do alcance dos mosquitos. Um estudo feito em Manaus mostra que não é bem assim. Pesquisadores encontraram ovos de Aedes albopictus, mosquito do mesmo gênero do Aedes aegypti e capaz de transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela, a 10,8 metros do solo, em uma torre de seis andares.

O trabalho foi publicado na revista científica EntomoBrasilis em 9 de outubro de 2026. Reúne o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e as universidades federais do Maranhão (UFMA) e do Paraná (UFPR), além da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

30 armadilhas e mais de 35 mil ovos

A equipe instalou 30 armadilhas para ovos em diferentes alturas de uma torre localizada em um fragmento de floresta urbana de Manaus. Durante 10 semanas, divididas entre a estação seca e a chuvosa, as armadilhas foram monitoradas. No total, foram coletados mais de 35 mil ovos.

A maior concentração ficou nos níveis mais baixos, até cerca de 4 metros. Mas havia ovos em todos os andares avaliados, até o topo. Na estação seca, dias com mais umidade do ar tiveram mais ovos. Na chuvosa, umidade, temperatura e chuva não mostraram efeito significativo.

O risco dentro de casa

Segundo Adriano Nobre Arcos, pesquisador do Inpa e um dos autores, a presença do mosquito nos andares altos significa que moradores de apartamento não estão livres das picadas. Prédios oferecem tudo o que o inseto procura: lugares para descansar, recipientes com água para pôr ovos, como vasos de plantas e calhas, além de pessoas e animais de estimação como fonte de sangue.

O pesquisador aponta um ponto cego no controle: os serviços de combate a endemias concentram as vistorias em quintais e no térreo. Os andares altos acabam funcionando como reservatórios invisíveis, que mantêm o mosquito circulando na cidade. A recomendação dos autores é ampliar o monitoramento para além do nível do chão.

Albopictus transmite dengue no Brasil?

O Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, está amplamente espalhado no Brasil, sobretudo em áreas rurais e na periferia das cidades. É abundante em Manaus, onde circula entre a mata e as áreas ocupadas.

Até hoje não há registro de transmissão de dengue por ele no país. Segundo Arcos, já foi registrada infecção natural de um albopictus pelo vírus da dengue tipo 1, o que mostra que o mosquito pode se infectar. Populações brasileiras também transmitiram o vírus em testes de laboratório. Por isso ele continua sob vigilância como vetor secundário. O principal transmissor da dengue no Brasil segue sendo o Aedes aegypti.

Como reconhecer

O albopictus é preto com listras brancas nas pernas, como o aegypti. A diferença mais visível está no dorso: o albopictus tem uma única faixa branca no meio, enquanto o aegypti tem um desenho em forma de lira. Os dois picam principalmente de dia.

O que fazer em apartamento

Os cuidados são os mesmos de uma casa térrea. Tirar a água dos pratos de vasos ou enchê-los com areia, manter ralos fechados ou limpos, verificar calhas, tampar caixas d’água e reservatórios, lavar com escova os bebedouros de animais e não deixar garrafas ou baldes acumulando água na varanda. Os ovos grudam na parede dos recipientes e resistem meses secos, por isso esfregar é tão importante quanto esvaziar.

Perguntas frequentes

Mosquito da dengue chega ao décimo andar?

O estudo de Manaus encontrou ovos de Aedes albopictus até 10,8 metros, a altura máxima avaliada. Isso indica que morar no alto não elimina o risco.

Qual a diferença entre Aedes aegypti e Aedes albopictus?

Os dois são do mesmo gênero. O aegypti é o principal transmissor de dengue no Brasil. O albopictus é considerado vetor secundário e tem uma faixa branca única no dorso.

Com informações do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do estudo publicado na revista EntomoBrasilis.

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