
Na madrugada de 13 de outubro de 2026, moradores de vários estados do leste dos Estados Unidos olharam para o céu ainda escuro e viram uma forma brilhante, enorme, parecida com uma água-viva com tentáculos. Muita gente pensou em desastre. Era um foguete.
O fenômeno é conhecido como água-viva espacial e aparece em condições específicas, depois de lançamentos feitos perto do nascer ou do pôr do sol.
O sol que só o foguete via
O foguete Falcon 9 decolou às 6h33, no horário da costa leste americana, da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Segundo o Centro Espacial Kennedy, da Nasa, a água-viva surge quando a pluma de exaustão do foguete fica intensamente iluminada pela luz do sol.
A explicação está na altura. Conforme o foguete sobe para o ar mais rarefeito, os gases de escape se espalham por uma área muito maior que o próprio veículo. Nas cidades, ainda é noite. Mas o foguete já está tão alto que, lá em cima, o sol nasceu. A pluma brilha enquanto o céu ao redor continua negro, e o formato aberto dos gases lembra o corpo e os tentáculos de uma água-viva.
Houve registros da Flórida, da Geórgia, das Carolinas, do Kentucky e do Mississippi, e a Nasa pediu ao público que enviasse mais imagens. Algumas fotos mostram dois rastros brilhantes.
O que o foguete levava
O Falcon 9 carregava uma cápsula Dragon com mais de 2.800 quilos de carga para a Estação Espacial Internacional, na 35ª missão de abastecimento da SpaceX para a Nasa. Entre os experimentos estão:
- LambdaVision-1, que fabrica uma retina artificial camada por camada. Na Terra, a gravidade puxa as partículas para baixo durante a formação de cada camada. Em órbita, elas se acomodam muito menos, e as camadas podem sair mais uniformes, o que pode gerar implantes melhores para pacientes com doenças da retina sem tratamento.
- Stellar Spheroids, que cultiva pequenos modelos 3D de tecido cardíaco humano para ver se a microgravidade ajuda a formar redes de vasos sanguíneos.
- MINDS, que envia aglomerados de tecido cerebral humano cultivados em laboratório, os organoides, para estudar a inflamação ligada a Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla.
- Um experimento que derrete vidro feito de elementos incomuns para observar como o material se comporta em órbita.
Mais energia para a estação
A Dragon também levou dois painéis solares do tipo enrolável, que viajam fechados e se desenrolam na frente dos painéis antigos da estação depois de instalados pelos astronautas em caminhadas espaciais. Seis já estão em operação e elevaram a geração para mais de 250 quilowatts, um aumento de mais de 30%. Os dois últimos devem acrescentar cerca de 15 quilowatts. A energia extra ajuda em operações críticas, incluindo, no futuro, a retirada controlada da estação de órbita.
Na lista de itens menores, há até um mictório de emergência dobrável, em teste para a missão Artemis III, que pretende levar astronautas à Lua.
Dá para ver do Brasil?
O efeito depende de lançamentos feitos perto do amanhecer ou do anoitecer e de o observador estar a uma distância em que o foguete ainda apareça no céu. Lançamentos da Flórida não são visíveis do Brasil. Mas qualquer foguete lançado no crepúsculo, em qualquer parte do mundo, pode produzir o mesmo efeito para quem estiver na região.
Perguntas frequentes
O que é a água-viva espacial?
É a pluma de gases de um foguete iluminada pelo sol enquanto o céu, visto do chão, ainda está escuro. O formato lembra uma água-viva.
A água-viva espacial é perigosa?
Não. É apenas um efeito de luz nos gases de escape, a grande altitude.
Com informações da Nasa.
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