Andorinha-do-rio caça em voo rasante sobre a água e faz o ninho em cavidades prontas

Andorinha-do-rio troca a posição na borda do bando para dormir em segurança sobre bancos de areia
Ilustração: Revista Amazônia

Ave de pequeno porte que depende de água aberta para caçar, a andorinha-do-rio faz o ninho em frestas, ocos e estruturas que já existem, sem escavar a própria galeria.

A andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) é uma das aves mais associadas aos rios e lagos de baixada da América do Sul. Segundo a ficha da espécie no WikiAves, plataforma brasileira de registros de aves, mede de 13 a 14 centímetros, pesa de 14 a 17 gramas e ocorre em quase todo o Brasil, exceto no extremo sul. Passa boa parte do dia sobre a água, onde captura insetos em pleno voo, e recorre a cavidades já existentes, como frestas entre pedras e ocos de troncos, na época de reprodução.

Caça em voo baixo sobre a água

De acordo com o WikiAves, a andorinha-do-rio forrageia rente à superfície, em voos curtos de ida e volta, e se alimenta de insetos capturados no ar. O Neotropical Birds Online, do Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, acrescenta que a ave raramente voa alto, tem voo direto e batido e, de vez em quando, caça também sobre pastos e pistas de pouso gramadas, embora fique quase sempre perto da água.

Entre uma investida e outra, ela pousa em galhos sobre a água, segundo a Cornell. O WikiAves descreve poleiros em galhos parcialmente submersos e em raízes que se projetam dos barrancos. Esses pontos de pouso permitem vigiar a superfície e retomar a caça sem se afastar do rio.

Vive sozinha, em casais ou em pequenos grupos

A espécie costuma ser vista sozinha, em casais ou em pequenos grupos, sobretudo enquanto se alimenta. Em Trinidad e Tobago, o guia de aves de ffrench (1991), citado pela Cornell, observa que raramente se veem mais de 20 indivíduos juntos. Na Amazônia, é frequente encontrá-la ao lado do peitoril (Atticora fasciata), outra andorinha de rio. A Cornell também registra que a ave tolera a aproximação de pessoas a curta distância antes de se afastar voando sobre a água.

Ninho em cavidades prontas

Para se reproduzir, a andorinha-do-rio ocupa espaços que já existem. A seção de reprodução do Neotropical Birds Online lista frestas em tocos de árvore, vãos entre rochas e blocos de pedra, paredões, beirais de casas, canos e antigos buracos de pica-pau. Há registros de ninhos em balsas em operação na Guiana Francesa e no sul do Brasil. O WikiAves acrescenta buracos em barrancos de rio, por vezes ninhos abandonados de martim-pescador. Em todos esses locais a ave usa um espaço pronto: as descrições publicadas não registram a espécie escavando a própria galeria.

Dentro da cavidade, o casal monta um ninho em forma de taça com capim seco e raízes, em geral forrado com penas de várias aves e, segundo outras descrições, com sementes. A postura é de 3 a 6 ovos brancos. De acordo com Turner e Rose (1989), citados pela Cornell, os ovos medem de 17 a 20 milímetros de comprimento por 13 a 14,6 de largura e pesam cerca de 1,9 grama.

Casais defendem o território do ninho

A Cornell informa que a andorinha-do-rio é territorial em relação a outros casais em reprodução, e por isso cada par nidifica separado, sem formar colônias. Na corte, o macho costuma inspecionar o local do ninho e levar a fêmea até ele para que o aprove. Para iniciar a cópula, pode tremer as asas, abrir a cauda e voar em torno da fêmea, que responde balançando as próprias asas. A mesma fonte ressalta que o comportamento sexual da espécie não foi estudado a fundo.

A época de reprodução varia com a região

O período de ninhos muda de acordo com o local. Os registros reunidos pela Cornell indicam filhotes em janeiro e fevereiro na Colômbia, de fevereiro a abril na região do Orinoco, na Venezuela, de abril a agosto em Trinidad, em julho e agosto na Guiana Francesa e em novembro no sul do Brasil.

A duração da incubação e do período em que os filhotes ficam no ninho não foi registrada especificamente para esta espécie. Para andorinhas em geral, a Cornell cita incubação de 11 a 20 dias, mais comumente de 14 a 16, e permanência dos filhotes no ninho de 17 a 30 dias, prazo que pode se alongar com mau tempo ou escassez de alimento. Os ovos costumam eclodir ao longo de alguns dias, e os filhotes nascem com pouca penugem.

Populações do sul migram

Embora seja tratada como residente em boa parte da área de ocorrência, a andorinha-do-rio tem populações do sul que se deslocam. Citando Belton (1985), a Cornell relata que, no Rio Grande do Sul, as aves ficam ausentes em grande parte do período entre meados de abril e meados de setembro. Para onde vão as populações mais austrais no período não reprodutivo é desconhecido, segundo Turner e Rose (1989).

Onde ocorre e situação de conservação

A distribuição vai do norte da Colômbia e da Venezuela até as Guianas e, ao sul, ao Brasil, à Bolívia, ao Paraguai e ao norte da Argentina, além de Trinidad e Tobago e do leste do Equador e do Peru, de acordo com a Cornell. A ave ocupa terras baixas junto a rios, lagos e áreas úmidas, o que inclui praias arenosas da costa, llanos alagados, savanas secas e bordas de mata ribeirinha, até cerca de 500 metros de altitude.

A BirdLife International, em avaliação de 2016 para a Lista Vermelha da IUCN, classifica a espécie como pouco preocupante, em razão da distribuição muito ampla e da população grande e aparentemente estável.

Os dados reunidos descrevem uma ave ligada a três elementos do ambiente ribeirinho: a água aberta, onde se alimenta, os galhos e raízes onde pousa, e as cavidades onde cria os filhotes. Essa combinação ajuda a entender por que a andorinha-do-rio se concentra junto a rios, lagos e áreas úmidas, e por que troncos, barrancos e pedras nas margens fazem parte da rotina da espécie.

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