Pescadores fisgaram dois atuns de mais de dois metros perto de Melbourne, e o DNA revelou uma espécie que veio do outro lado do Pacífico

Pescadores fisgaram dois atuns de mais de dois metros perto de Melbourne, e o DNA revelou uma espécie que veio do outro lado do Pacífico
Atum-azul-do-Pacífico em aquário no Japão. Foto: aes256, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.1 JP.

Em julho de 2026, pescadores amadores fisgaram, com poucos dias de diferença, dois atuns enormes no estreito de Bass, ao largo da baía de Western Port, perto de Melbourne, na Austrália. Um pesava cerca de 165 quilos e media 2,12 metros. O outro, 131,6 quilos e 2,02 metros. Todos acharam que eram atuns-do-sul, espécie comum na região. O DNA mostrou outra coisa.

Algo diferente

O cientista Jonah Yick, do programa Tuna Champions, e o pescador experiente Dave Standing notaram detalhes incomuns nos peixes. Segundo Yick, as duas espécies são muito parecidas a olho nu, mas há diferenças sutis no comprimento das nadadeiras anal e segunda dorsal, nas marcas da pele, no formato do corpo e no tamanho médio. Os peixes também foram pegos muito perto da costa, a menos de 10 quilômetros, praticamente na porta de Melbourne.

Standing coordenou a coleta de amostras de músculo, enviadas ao geneticista Peter Grewe, da agência científica australiana CSIRO, em Hobart. Um teste rápido de identificação apontou que os dois eram atuns-azuis-do-Pacífico. Um sequenciamento mais detalhado confirmou. Segundo Grewe, a confiança no resultado é total.

Primeira confirmação

Atuns-azuis-do-Pacífico já tinham sido pescados por barcos comerciais em Victoria, mas em águas muito profundas e longe da costa. Esta é a primeira confirmação genética da espécie por pescadores amadores no estado. Meses depois, pescadores de Lakes Entrance, também em Victoria, começaram a pegar muitos atuns de 130 a 217 quilos, que podem ser da mesma espécie e estão sendo testados.

A descoberta sugere que a espécie pode ser mais comum no sul da Austrália do que se pensava. E mostra como é difícil diferenciar as espécies só pela aparência: sem o teste genético, os dois peixes teriam sido registrados como atuns-do-sul.

Viajantes do Pacífico

O atum-azul-do-Pacífico é um dos maiores e mais fortes atuns do mundo. Pode chegar a quase três metros e 450 quilos. Ele se reproduz em águas quentes perto do Japão. No primeiro ano de vida, muitos atravessam o Pacífico, numa viagem de mais de 8 mil quilômetros até a costa da Califórnia. Outros nadam cerca de 5 mil quilômetros para o sul, até a Nova Zelândia. Adultos voltam ao local de nascimento para desovar.

Peixe de luxo

O atum-azul é um dos peixes mais valiosos do mundo, muito procurado por restaurantes de alto padrão no Japão, onde é a estrela do sushi e do sashimi. Exemplares grandes chegam a ser vendidos por valores milionários nos leilões de Ano-Novo em Tóquio. A pesca excessiva reduziu muito as populações nas últimas décadas, e hoje há cotas internacionais para tentar recuperá-las.

E no Brasil?

No Brasil, a pesca de atuns é feita principalmente em alto-mar e se concentra em espécies como a albacora-laje, a albacora-bandolim e o bonito-listrado, este último a base da indústria de atum em lata no Sul e no Sudeste.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho máximo do atum-azul?

O atum-azul-do-Pacífico pode chegar a quase três metros e cerca de 450 quilos.

Por que o atum-azul é tão caro?

Pela carne muito valorizada no Japão e pela redução das populações, que limita a pesca.

Com informações da CSIRO e do programa Tuna Champions.

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