Cobras venenosas tendem a ser mais chamativas: estudo com mais de 450 espécies mostra que vermelho e amarelo funcionam como aviso de perigo

Cobras venenosas tendem a ser mais chamativas: estudo com mais de 450 espécies mostra que vermelho e amarelo funcionam como aviso de perigo
Cobra-coral-verdadeira (Micrurus corallinus), espécie peçonhenta da Mata Atlântica. Foto: Whaldener Endo, via Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

Na natureza, cores fortes muitas vezes querem dizer perigo. Vespas, sapinhos venenosos e cobras-corais são exemplos clássicos de animais que, em vez de se esconder, anunciam que são perigosos. Um estudo com mais de 450 espécies de serpentes do mundo inteiro mostrou que essa estratégia é comum entre as venenosas.

A pesquisa, da Universidade de Galway, na Irlanda, foi publicada na revista científica Journal of Animal Ecology.

Fotos de cidadãos

Para comparar as cobras no ambiente onde vivem, os pesquisadores usaram milhares de fotos enviadas por voluntários à plataforma de ciência cidadã iNaturalist. Eles mediram o quanto cada espécie se destacava do fundo natural e prestaram atenção especial ao vermelho e ao amarelo, cores ligadas a sinais de alerta no reino animal.

Feitas para serem vistas

Segundo a pesquisadora Amy Duclaux, uma das líderes do estudo, as cobras venenosas se destacam mais do ambiente natural do que as não venenosas, o que reforça a ideia de que a coloração de alerta evoluiu para avisar predadores do perigo. Em vez de se esconder, algumas parecem anunciar que são perigosas, e as cores fortes provavelmente evitam ataques antes que eles aconteçam. O vermelho e o amarelo foram especialmente eficazes para destacar as serpentes.

O estudo também confirma que muitas cobras venenosas não são coloridas. Para algumas, a camuflagem continua sendo a melhor estratégia. Mas um grande número evoluiu cores e padrões chamativos, sugerindo que veneno e cor de alerta evoluíram juntos em várias linhagens.

Para o pesquisador Kevin Healy, chefe do laboratório de macroecologia da universidade, a ciência cidadã está transformando a ecologia. As coleções de museu permitem medir a cor com precisão, mas só as fotos na natureza mostram como essas cores aparecem no ambiente onde evoluíram.

Atenção: no Brasil, cor não é regra

O resultado vale como tendência evolutiva, não como guia para identificar cobras. No Brasil, as cobras-corais-verdadeiras, do gênero Micrurus, são peçonhentas e têm anéis vermelhos, pretos e brancos ou amarelos. Mas existem as falsas-corais, sem veneno perigoso, com padrões quase idênticos. As regras populares para diferenciar uma da outra pela ordem dos anéis não funcionam bem aqui, porque há muitas espécies com padrões variados.

Ao mesmo tempo, as cobras responsáveis pela maioria dos acidentes no país, as jararacas, são marrons e camufladas no chão da mata. Ou seja, uma cobra discreta pode ser muito perigosa.

O que fazer

Diante de qualquer serpente, a recomendação é manter distância e não tentar pegar nem matar o animal. Em caso de picada, procure atendimento médico imediatamente, sem fazer torniquete, cortar ou chupar o local. Se possível, tire uma foto da cobra de longe, o que ajuda a equipe de saúde a escolher o soro certo. O soro antiofídico é distribuído gratuitamente pelo SUS.

Perguntas frequentes

Toda cobra colorida é venenosa?

Não. Há cobras coloridas sem veneno perigoso, como as falsas-corais, e cobras venenosas camufladas, como as jararacas.

Como diferenciar coral verdadeira e falsa?

No Brasil, não há regra segura pela cor. Trate toda coral como perigosa e mantenha distância.

Com informações da Universidade de Galway e do estudo publicado no Journal of Animal Ecology.

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