
Estudantes brasileiras criam retardante biológico que promete revolucionar combate a incêndios e proteger a natureza.
Imagine uma solução que combate incêndios florestais sem poluir, e ainda ajuda a natureza a se recuperar. Pois é exatamente isso que duas estudantes brasileiras de Biotecnologia, Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), conseguiram criar. Elas são as mentes por trás do BIODEFENSER®, um retardante biológico que pode mudar o jogo no combate ao fogo na Amazônia e em ecossistemas de todo o mundo.
O BIODEFENSER® é um composto natural inovador que age contendo as chamas de maneira eficaz, sem os prejuízos ambientais causados por métodos tradicionais. Mais do que isso, ele foi projetado para favorecer a recuperação do solo e da vegetação após o incidente. Essa promissora tecnologia não só protege o meio ambiente, como também coloca o Brasil no centro das discussões sobre inovação sustentável.
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⭐ Adicionar Revista AmazôniaReconhecimento Global: Da Universidade ao Hult Prize
O impacto do BIODEFENSER® já transcendeu as paredes da universidade. A inovação rendeu a Mariah e Taciane uma vaga na etapa internacional do Hult Prize 2026, a maior competição de empreendedorismo estudantil do mundo. Este evento premia a equipe vencedora com um investimento de US$ 1 milhão, um capital que poderia impulsionar a tecnologia a um novo patamar.
As estudantes são as únicas representantes do Brasil entre as 90 melhores equipes selecionadas, superando cerca de 18 mil concorrentes em todo o planeta. O Hult Prize, organizado pela Hult International Business School, desafia universitários a criar startups que não apenas resolvam problemas globais, mas que também sejam lucrativas e escaláveis. Em setembro, será divulgado o resultado do prêmio principal, após a seleção das 20 melhores para mentorias em Londres, e das oito finalistas.
A Jornada do Desenvolvimento e os Próximos Passos
O desenvolvimento do BIODEFENSER® começou no final de 2024, durante o Health Innovation PUC-PR (HIPUC), um evento promovido pela Escola de Medicina e Ciências da Vida da universidade. A proposta foi vencedora e integrada ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), com orientação do professor Luiz Fernando Bianchini. Sem pesquisas similares existentes, Mariah construiu praticamente toda a tecnologia do zero, utilizando os laboratórios da universidade para seus experimentos.
O primeiro impulso financeiro veio através do Programa Institucional de Bolsas de Empreendedorismo e Pesquisa (PIBEP), onde Mariah conquistou o primeiro lugar e uma verba de R$ 10 mil para adquirir equipamentos e materiais, culminando na fabricação dos primeiros protótipos. Em 2025, Taciane Beatriz Ferreira, colega de graduação e amiga de Mariah, juntou-se à equipe, motivada pelo interesse mútuo em criar soluções com benefícios coletivos.
Testes e Parcerias Estratégicas para o Futuro do Produto
Os testes laboratoriais iniciais foram um sucesso, demonstrando a capacidade do BIODEFENSER® de extinguir chamas em ambiente controlado. A próxima fase envolve experimentos em escala maior, e as pesquisadoras esperam levar a tecnologia ao mercado ainda no segundo semestre deste ano. O processo de registro de patente já foi iniciado, tanto no Brasil quanto internacionalmente, para proteger a inovação e possibilitar sua aplicação global, dado que os incêndios florestais são um problema sem fronteiras.

Novos testes estão previstos em parceria com instituições de peso, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Embrapa Florestas, por exemplo, demonstrou interesse em realizar testes de campo e avaliar o comportamento dos resíduos do produto no solo. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) prestará suporte com uma câmara de combustão para verificar a eficiência do retardante em condições mais próximas da realidade.
Essas parcerias e a conclusão dos testes de estabilidade da formulação e eficácia são cruciais para atrair investidores privados. A intenção é que a produção do BIODEFENSER® seja feita por uma startup das próprias pesquisadoras, mas a possibilidade de licenciar a tecnologia para empresas ou laboratórios já estabelecidos também está sendo considerada.
O Impacto do BIODEFENSER® na Preservação da Amazônia
A ameaça dos incêndios florestais na Amazônia e em outros biomas é um desafio crescente. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Brasil registrou 10.442 focos de incêndio entre janeiro e abril de 2026. Globalmente, mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram queimados no mesmo período, conforme levantamento da World Weather Attribution (WWA). O relatório State of Wildfires indica que, em 2024, os incêndios florestais emitiram 8,6 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), causando prejuízos superiores a US$ 250 bilhões em todo o mundo. O BIODEFENSER® oferece uma esperança de reverter esses dados alarmantes.
Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), a tecnologia do BIODEFENSER® cria uma barreira térmica que não só reduz a propagação das chamas, mas permanece ativa após a aplicação, formando uma camada bioativa sobre o solo e a vegetação. Esta película não apenas dificulta o surgimento de novos focos de incêndio, mas também contribui para a recuperação ambiental, enriquece o solo, evita contaminação e reduz significativamente o consumo de água, aspecto vital para regiões como a Amazônia, onde a água é um recurso fundamental para a vida.
A expectativa é que o BIODEFENSER® possa em breve ser um aliado fundamental na preservação dos biomas brasileiros, especialmente a Amazônia, e contribuir para a redução dos danos ambientais e econômicos causados pelos incêndios florestais em escala global.
Perguntas Frequentes
O que é o BIODEFENSER®?
É um retardante biológico inovador, desenvolvido por estudantes brasileiras, que utiliza um composto natural para conter incêndios florestais sem agredir o meio ambiente e favorecendo a recuperação das áreas atingidas.
Como o BIODEFENSER® contribui para o meio ambiente?
Além de apagar o fogo, ele forma uma camada bioativa no solo que dificulta novos incêndios, contribui para a recuperação ambiental, enriquece o solo, não contamina e reduz o consumo de água no combate.
Quando o BIODEFENSER® estará disponível no mercado?
As pesquisadoras têm como expectativa levar a tecnologia ao mercado ainda no segundo semestre de 2026, após a conclusão de testes e a atração de investidores.
Com informações de Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
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