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Brasil e Holanda unem forças por pesquisa inovadora no Cerrado

Brasil e Holanda unem forças por pesquisa inovadora no Cerrado
Foto: gov.br

Parceria CNPq e NWO financia estudos para conciliar produção agrícola e proteção ambiental na região do Matopiba.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho de Pesquisa Holandês (NWO) anunciaram os projetos selecionados na chamada conjunta “Equilibrando agricultura e biodiversidade no Cerrado brasileiro: uma abordagem socioecológica integrada”. Esta iniciativa visa fomentar pesquisas que buscam harmonizar a expansão agrícola com a preservação ambiental, concentrando-se na região do Matopiba.

A chamada pública, resultado da colaboração entre as duas instituições, destinará recursos a propostas desenvolvidas conjuntamente por pesquisadores brasileiros e holandeses. O objetivo é inovar na busca por soluções que garantam a produtividade agrícola sem comprometer a riqueza natural do Cerrado, um bioma crucial para a biodiversidade global.

Foco na Região do Matopiba e o Desafio da Sustentabilidade

A região do Matopiba, que compreende o Tocantins e partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia, é um ponto focal para este programa. Esta área é marcada por uma forte expansão agrícola, especialmente no cultivo de grãos, iniciada a partir da segunda metade da década de 1980.

Com aproximadamente 73 milhões de hectares, o Matopiba abrange 91% do bioma Cerrado, além de porções da Floresta Amazônica (7,3%) e da Caatinga (1,7%). A importância estratégica da região é sublinhada pelos dados de 2023, que indicam que quase metade (47%) da perda de vegetação nativa no Brasil ocorreu nesta área, evidenciando a urgência de abordagens sustentáveis.

Segundo o CNPq, a colaboração internacional é vital para enfrentar os complexos desafios da região. Os projetos selecionados prometem integrar conhecimentos de diversas áreas para gerar soluções práticas e eficazes.

Abordagem Transdisciplinar e Multisetorial

Um dos requisitos fundamentais da chamada foi a formação de consórcios de pesquisa com uma abordagem interdisciplinar e transdisciplinar. Isso implica a participação de pesquisadores de ambos os países e o envolvimento de diversas partes interessadas, incluindo organizações públicas e privadas.

Os projetos devem conectar a pesquisa fundamental, aplicada e orientada para a prática, garantindo que os resultados gerados sejam mutuamente valorizados e aplicáveis na realidade local. Essa sinergia é esperada para produzir um impacto significativo no desenvolvimento sustentável do Matopiba.

Projetos Selecionados e seus Impactos Potenciais

Três projetos foram anunciados como vencedores da chamada:

CRESCER: Projetando paisagens para polinização de culturas e resiliência climática em ecossistemas do Cerrado

Liderado por Leon Marshall (Naturalis Biodiversity Center) e Luísa Carvalheiro (Universidade Federal de Goiás), o projeto CRESCER aborda a importância dos polinizadores para culturas como soja, café e algodão. Esses insetos são essenciais para a produtividade agrícola, mas estão ameaçados pelas mudanças climáticas e pela perda de habitat.

O CRESCER visa auxiliar agricultores e tomadores de decisão a criar paisagens agrícolas que apoiem os polinizadores e a produção de alimentos no Matopiba. A iniciativa combinará pesquisa ecológica, dados de satélite, modelos de mudanças climáticas e avaliações econômicas para oferecer ferramentas e orientações práticas. O consórcio inclui a Associação dos Pequenos Produtores Rurais Bezerra de Morais, DLL, Embrapa Meio-Norte, ESALQ, IFMT, Universidade de Leiden, Naturalis Biodiversity Center, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal do Maranhão e WWF-NL.

Aproveitando a biodiversidade para remodelar a produção agrícola no Cerrado brasileiro

Sob a coordenação de Jorge Sellare (Wageningen University & Research) e Sónia Maria Carvalho Ribeiro (Universidade Federal de Minas Gerais), este projeto explora a integração de espécies nativas do Cerrado, como macaúba, pequi e buriti, nos sistemas agrícolas. O objetivo é promover a biodiversidade e melhorar os meios de subsistência rurais, sem incentivar a conversão de vegetação natural.

O projeto mapeará a produção e as cadeias de valor atuais, avaliará oportunidades de negócios e estimará o potencial de renda futuro. Além disso, testará abordagens de rastreabilidade com o envolvimento de agricultores, cooperativas e empresas. O consórcio é formado pela Associação Unidos pelo Desenvolvimento Sustentável do Projeto de Assentamento Onalico Barros, Avans University of Applied Sciences, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Universidade Federal de Minas Gerais, Associação do Projeto de Assentamento Palmeirinha, Rural Tech, SENAI e Wageningen University.

Fronteiras das Paisagens do Matopiba

Coordenado por Judith Verstegen (Utrecht University) e Gilberto Câmara (Fundação Getulio Vargas – Centro de Pesquisa Agrícola), este projeto investiga como equilibrar a produção agrícola e a conservação da biodiversidade no Matopiba, considerando futuras condições climáticas e socioeconômicas.

Em uma abordagem de cocriação, o projeto envolverá diversos grupos de partes interessadas locais, incluindo povos indígenas e agricultores familiares. O objetivo é compreender suas perspectivas sobre agricultura produtiva e biodiversidade saudável. Com base nessas contribuições, serão identificadas configurações de uso da terra que mostram trade-offs e sinergias entre produção e biodiversidade, utilizando otimização espacial. Os resultados apoiarão decisões baseadas em evidências para estratégias de uso da terra sustentáveis, justas e resilientes ao clima. O consórcio inclui o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Erasmus University Rotterdam, Ministério Federal do Meio Ambiente e Mudança Climática, Universidade Federal do Piauí (UFPI), Fundação Getulio Vargas (FGV) – Centro de Pesquisa Agrícola, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Comissão Pastoral da Terra e Utrecht University.

Uma próxima etapa será a formalização dos contratos e o início efetivo das atividades de pesquisa, com previsão de duração de três a quatro anos para cada projeto.

Com informações de CNPq.

Perguntas Frequentes

O que é o Matopiba?
O Matopiba é uma região que abrange o estado do Tocantins e partes do Maranhão, Piauí e Bahia, caracterizada pela forte expansão agrícola e pela presença de biomas como Cerrado, Amazônia e Caatinga.

Qual o objetivo principal da chamada conjunta CNPq-NWO?
O objetivo é financiar projetos de pesquisa que buscam conciliar a produção agrícola com a proteção da biodiversidade na região do Matopiba, promovendo a sustentabilidade e a resiliência climática.

Quem são os participantes dos consórcios de pesquisa?
Os consórcios são formados por pesquisadores brasileiros e holandeses, além de representantes de organizações públicas e/ou privadas, garantindo uma abordagem interdisciplinar e transdisciplinar.

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