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Lidar encontra formas geométricas sob a floresta amazônica e estudo…

Escavações iniciadas em 1990 encontram pigmento nas camadas profundas da Caverna da Pedra Pintada e revelam pinturas de cerca de 13 mil anos

Escavações iniciadas em 1990 encontram pigmento nas camadas profundas da Caverna da Pedra Pintada e revelam pinturas de cerca de 13 mil anos
Ilustração: IA

Em Monte Alegre, no Pará, vestígios preservados no interior da caverna indicam que grupos humanos já ocupavam a floresta muito antes do que se imaginava.

O pigmento apareceu no fundo da caverna

Nas camadas mais profundas da Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre, no Pará, a terra guardava uma pista sobre a presença humana na Amazônia. As escavações encontraram pigmento associado às camadas mais antigas do sítio, com datação em torno de 13 mil anos antes do presente. O material não estava apenas na superfície visível da rocha. Ele fazia parte do registro enterrado no interior da caverna, preservado entre sedimentos acumulados ao longo de milhares de anos.

A descoberta ajudou a sustentar uma interpretação importante sobre o passado da floresta: grupos humanos já ocupavam aquela região em um período muito antigo. O pigmento encontrado nas escavações também foi relacionado à prática de pintar a rocha. Assim, a Caverna da Pedra Pintada reúne dois sinais complementares de presença humana, a ocupação do abrigo e o uso de materiais coloridos em atividades que deixaram marcas no local. O achado deslocou o debate sobre quando a Amazônia começou a ser ocupada.

Anna Roosevelt conduziu as escavações a partir de 1990

As escavações na Caverna da Pedra Pintada foram lideradas pela arqueóloga Anna Roosevelt a partir de 1990. O trabalho examinou diferentes camadas do solo e procurou identificar como os vestígios se distribuíam no tempo. Em arqueologia, essa sequência é essencial porque as camadas mais profundas costumam registrar momentos mais antigos que as superiores, desde que não tenham sido revolvidas posteriormente. Foi nesse contexto que o pigmento apareceu associado às camadas antigas do sítio paraense.

A cronologia em torno de 13 mil anos antes do presente não nasceu da aparência das pinturas nem de uma comparação visual com outros abrigos. Ela está ligada à datação das camadas em que o pigmento foi encontrado. Essa diferença é relevante porque uma pintura visível pode ser difícil de datar diretamente. O sedimento preservado abaixo ou ao redor de um vestígio oferece outro caminho para reconstruir a antiguidade da ocupação. No caso da Pedra Pintada, a escavação transformou uma marca de cor em evidência dentro de uma sequência arqueológica.

O achado contrariou uma antiga ideia sobre a floresta

Durante parte do debate arqueológico, a floresta tropical foi tratada como um ambiente que poderia ter sido ocupado mais tarde ou com menor intensidade do que outras regiões. A vegetação densa, a umidade e a dificuldade de preservar materiais orgânicos alimentavam dúvidas sobre a antiguidade da presença humana na Amazônia. O registro da Caverna da Pedra Pintada contrariou essa expectativa ao apontar para uma ocupação muito anterior, acompanhada do uso de pigmento e da pintura da rocha.

O impacto da descoberta não depende de transformar a caverna em prova de que toda a Amazônia era ocupada da mesma maneira naquele período. O dado é mais específico. Ele mostra que, em Monte Alegre, pessoas chegaram e utilizaram aquele abrigo há cerca de 13 mil anos, deixando um vestígio associado a pigmento nas camadas mais antigas. A consequência mais ampla é abrir espaço para uma história humana da floresta que começa antes dos períodos tradicionalmente destacados pela arqueologia amazônica.

As camadas preservaram mais do que uma marca de cor

Uma caverna pode funcionar como arquivo porque protege parte do solo e das superfícies contra a remoção contínua causada pelo vento, pela chuva e pela circulação de pessoas. Ainda assim, a preservação nunca deve ser presumida como perfeita. As escavações precisam separar os níveis, registrar a posição dos materiais e avaliar a relação entre cada vestígio e o sedimento ao redor. Na Pedra Pintada, o pigmento encontrado nas camadas antigas ganhou importância justamente por estar inserido nesse contexto arqueológico.

O material colorido não deve ser descrito como uma lata de tinta ou como uma substância moderna enterrada por acidente. O termo pigmento se refere ao material que produziu cor e que foi identificado no registro escavado. A interpretação apresentada para o sítio relaciona esse pigmento à pintura da rocha, atividade que acrescenta uma dimensão simbólica à ocupação. O vestígio, portanto, não informa apenas que havia pessoas na caverna. Ele sugere que essas pessoas também alteravam visualmente o espaço em que viviam ou circulavam.

O que a datação permite afirmar sobre Monte Alegre

A informação mais segura é temporal e territorial. A Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre, apresenta pigmento nas camadas mais antigas escavadas, e a datação dessas camadas fica em torno de 13 mil anos antes do presente. As escavações começaram em 1990 sob liderança de Anna Roosevelt. Esses dados permitem afirmar que a região já era frequentada por grupos humanos naquele horizonte cronológico e que a pintura da rocha fazia parte do conjunto de evidências interpretado no sítio.

O resultado não informa, sozinho, quantas pessoas estiveram na caverna, por quanto tempo cada grupo permaneceu ali ou qual era o significado de cada pintura. Também não permite atribuir automaticamente o pigmento a uma única comunidade ou reconstruir toda a vida social daquele período. Essas limitações são importantes porque a arqueologia trabalha com fragmentos. Uma camada preservada oferece uma janela para o passado, mas não transforma um sítio isolado em retrato completo de uma população amazônica.

Uma história antiga que ainda depende do contexto

A Caverna da Pedra Pintada ajuda a aproximar a Amazônia de uma história de ocupação humana profunda, mas não elimina todas as discussões sobre datação, preservação e interpretação. O valor do achado está na combinação entre escavação, sequência de camadas, presença de pigmento e cronologia em torno de 13 mil anos. A hipótese concorrente mais cautelosa não precisa negar a presença humana. Ela apenas lembra que pigmento e pintura devem ser analisados dentro do contexto específico de cada camada, sem generalizações para toda a floresta.

A história foi divulgada no Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ciências Humanas, a partir dos resultados das escavações lideradas por Anna Roosevelt desde 1990. A data associada ao vestígio é de cerca de 13 mil anos antes do presente, e o acontecimento arqueológico se situa em Monte Alegre, no Pará. Quando uma camada profunda preserva uma pequena quantidade de cor, ela não entrega todos os detalhes de uma sociedade, mas muda a pergunta central: a floresta não era apenas um cenário a ser ocupado muito depois, e sim parte de uma paisagem já percorrida, usada e transformada por pessoas antigas.

Com informações do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ciências Humanas.

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