Ciclone Arnab chega à Índia com ventos de 130 km/h em plena temporada de El Niño e leva 84 mil pessoas a abrigos

Ciclone Arnab chega à Índia com ventos de 130 km/h em plena temporada de El Niño e leva 84 mil pessoas a abrigos
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A tempestade que se formou em outubro, bem depois do período usual, mostra como um ano de El Niño pode mudar o ritmo dos ciclones sem eliminar o risco.

Uma tempestade que nasceu fora de época atravessou a baía de Bengala e, na madrugada de 28 de outubro de 2026, chegou à costa leste da Índia com ventos sustentados de 130 quilômetros por hora. Batizado de Arnab (pronuncia-se “Or-nab”), o primeiro ciclone nomeado da temporada 2026 no norte do Oceano Índico atingiu o litoral de Andhra Pradesh e de Yanam, segundo o Observatório da Terra da Nasa.

Uma noite vista do espaço

O sensor VIIRS, instalado no satélite NOAA-20, registrou o ciclone em imagem noturna às 20h12 no horário universal de 26 de outubro, o que corresponde a 1h42 do dia 27 no horário da Índia. Naquele momento, segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), os ventos sustentados eram de cerca de 140 km/h.

O ciclone havia surgido na baía de Bengala em 25 de outubro. Para uma bacia que costuma ter seus ciclones nomeados em abril ou maio, a estreia da temporada foi tardia.

Onde a tempestade tocou o continente

Arnab entrou em terra entre Bapatla e Visakhapatnam, faixa densamente povoada, com grandes cidades, lavouras e comunidades de pescadores. Com 130 km/h, o IMD o classifica como “tempestade ciclônica muito severa”, categoria equivalente a um furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson.

De acordo com reportagens citadas pela Nasa, o ciclone derrubou árvores, alagou plantações e casas, limitou a pesca e prejudicou transportes e redes de energia. A Associated Press informou que houve 3 mortes. O jornal The Indian Express relatou que mais de 84 mil pessoas foram levadas a abrigos antes da chegada da tempestade, e as autoridades indianas retiraram dezenas de milhares de moradores de áreas costeiras vulneráveis.

O que o El Niño tem a ver com isso

Arnab surgiu no meio de um El Niño, fenômeno marcado por águas mais quentes que o normal em partes do Pacífico equatorial e que se repete a cada dois a sete anos. Esse aquecimento altera a atmosfera e redistribui chuvas, ventos, ciclones tropicais, incêndios e inundações pelo planeta.

Na baía de Bengala, algumas pesquisas associam o El Niño a menos atividade de ciclones tropicais. Segundo estudo de Bhardwaj e colegas publicado em 2019 no International Journal of Climatology, a bacia tem ciclones menos frequentes e menos intensos nesses anos.

Isso ajuda a entender o início tardio da temporada, mas não garante proteção: uma redução na média não impede que uma tempestade forte atinja uma costa muito habitada.

O recado para quem vive na Amazônia

A Amazônia não está na rota de ciclones tropicais, mas conhece bem o outro lado do El Niño. Na região, o fenômeno costuma ser associado a secas mais severas e a maior risco de incêndios, enquanto em outras partes do mundo ele reduz ou desloca tempestades. O caso indiano mostra como um mesmo padrão climático produz efeitos opostos em lugares distantes, e por que acompanhar o Pacífico interessa a quem vive nos rios e florestas do Norte.

Para quem quiser consultar a fonte meteorológica oficial indiana, o boletim nacional do Departamento Meteorológico da Índia traz os dados de monitoramento do ciclone.

O balanço completo dos danos em Andhra Pradesh ainda depende dos levantamentos das autoridades locais, e o IMD segue publicando boletins sobre o sistema e a temporada de ciclones na bacia.

Com informações de NASA Earth Observatory.

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