
Dados da OMS e de um geneticista evolutivo mostram como o veneno surgiu e por que ele ainda pesa na saúde pública.
Um bote rápido, duas presas e uma mistura química refinada ao longo de milhões de anos: é assim que as cobras venenosas entram nas estatísticas de saúde do planeta. Segundo a Organização Mundial da Saúde, elas picam cerca de 5,4 milhões de pessoas por ano, com entre 81 mil e 138 mil mortes.
Os números constam da ficha informativa da OMS sobre envenenamento por picada de cobra e foram retomados pela Live Science em um levantamento sobre as serpentes mais perigosas do mundo.
De onde vem o veneno
O veneno é uma mistura de substâncias tóxicas produzida em uma glândula salivar modificada. O animal o injeta na presa por meio das presas.
Segundo o geneticista evolutivo Agneesh Barua, da Universidade de Lausanne, na Suíça, o veneno surgiu há cerca de 60 milhões de anos, depois que grandes constritoras, como jiboias e pítons, se separaram das demais serpentes.
Os ancestrais sem veneno já produziam, provavelmente, proteínas levemente tóxicas nas glândulas secretoras. Isso deu a eles uma grande vantagem na hora de capturar alimento.
“Through millions of years, more and more toxins started to get incorporated into the venom”, disse Barua à Live Science, em e-mail.
Os quatro ingredientes principais
Apesar da enorme variedade de serpentes, os venenos são formados sobretudo por quatro tipos de compostos: fosfolipases, serina-proteases, metaloproteases e toxinas de três dedos. Cada um age de um jeito.
- As toxinas de três dedos bloqueiam a transmissão dos nervos.
- As fosfolipases e as metaloproteases podem digerir tecidos e provocar inchaço, morte de tecido e sangramento intenso.
Um mesmo veneno pode reunir vários desses compostos, cada um com seu efeito. Por isso, os sintomas variam tanto de uma espécie para outra.
Quem aparece na lista
O ranking da Live Science reúne 13 espécies capazes de matar um ser humano. Entre elas estão a cascavel-diamante-oriental, a víbora-da-morte comum, a cobra-marrom-oriental, a mamba-negra, a lança-de-fer (fer-de-lance), a boomslang, a cobra-tigre-oriental, a víbora-de-russell, a víbora-serra, o krait-listrado, a cobra-real, o taipan-costeiro e, no topo, o taipan-do-interior.
A cobra-real é a maior serpente venenosa do planeta em comprimento. Já a cascavel-diamante-oriental é a maior peçonhenta dos Estados Unidos e vive no sudeste do país.
O que isso significa para a Amazônia
Nenhuma dessas espécies é amazônica, mas o problema é conhecido na região. Aqui vivem serpentes peçonhentas de outros grupos, e o risco de acidentes é real para ribeirinhos, agricultores e quem trabalha na mata. A lista traz a lança-de-fer (fer-de-lance), nome ligado a víboras do gênero Bothrops, que também ocorrem em território brasileiro.
O principal recado dos dados da OMS vale para qualquer lugar: acidentes com cobras são um desafio de saúde pública, e o atendimento rápido faz diferença.
Os próximos passos dependem de mais pesquisa sobre a composição dos venenos, tema que segue ativo entre especialistas como Barua, e do acesso a atendimento médico em áreas remotas.
Com informações de Live Science.
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