O dever de casa que Belém deixou para Antália: as promessas da COP30 que a COP31 precisa cobrar a partir de segunda

O dever de casa que Belém deixou para Antália: as promessas da COP30 que a COP31 precisa cobrar a partir de segunda
Foto: Xuthoria/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Crianças indígenas na COP30, em Belém, em 17 de novembro de 2025.

A COP31, a conferência do clima da ONU em Antália, na Turquia, começa nesta segunda-feira, 9 de novembro, e vai até o dia 20. Ela chega com uma lista de tarefas escrita em Belém. A decisão final da COP30, chamada de Mutirão Global, criou mecanismos e fixou prazos que vencem justamente agora: a Missão Belém para 1,5 °C e o Acelerador Global de Implementação têm relatórios previstos para esta conferência, o caminho para US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático precisa avançar, e o mecanismo de transição justa acordado no Pará tem de começar a funcionar.

1. Missão Belém para 1,5 °C

A decisão do Mutirão Global lançou a Missão Belém para 1,5 °C, com relatório previsto até a COP31. A meta de limitar o aquecimento a 1,5 °C, do Acordo de Paris, está cada vez mais distante: segundo o relatório anual de emissões do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado em outubro, as políticas atuais levam o planeta a 2,8 °C, e voltar a 1,5 °C exigiria cortar as emissões em 18% até 2030 e em 45% até 2035, em relação a 2025.

2. Acelerador Global de Implementação

Em Belém, os países lançaram o Acelerador Global de Implementação, guiado pelas presidências da COP30 e da COP31, também com relatório a ser apresentado em Antália. A ideia é sair da fase de promessas e medir o que está sendo feito. O penúltimo dia da COP31, 19 de novembro, é dedicado justamente a “acelerar a implementação”.

3. O caminho para US$ 1,3 trilhão

A COP30 tomou nota do Roteiro de Baku a Belém, que aponta como chegar a pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035, e manteve a meta de US$ 300 bilhões por ano até 2035, com os países desenvolvidos à frente. A decisão também pediu esforços para pelo menos triplicar o dinheiro para adaptação até 2035. Às vésperas da COP31, o Pnuma estimou que os países em desenvolvimento vão precisar de cerca de US$ 305 bilhões por ano para se adaptar até 2035, contra um fluxo de cerca de US$ 30 bilhões em 2024.

4. Adaptação

Belém aprovou os Indicadores de Adaptação de Belém, para medir o avanço da Meta Global de Adaptação, de forma voluntária e sem criar novas obrigações financeiras. Em Antália, os negociadores analisam um documento técnico da ONU sobre esses indicadores.

5. Transição justa

Na COP30, os países concordaram em desenvolver um mecanismo de transição justa, para que a mudança para uma economia de baixo carbono não deixe trabalhadores e comunidades para trás. A Austrália, que preside as negociações da COP31, organizou um workshop sobre o tema no segundo semestre, e a operacionalização do mecanismo está na agenda de Antália.

E a floresta?

O texto do Mutirão Global menciona “o coração da Amazônia” e reafirma o objetivo de deter e reverter o desmatamento até 2030. Em 3 de novembro, a presidência da COP30 publicou dois Mapas do Caminho voluntários, um para frear o desmatamento e a degradação florestal e outro para a transição para longe dos combustíveis fósseis, que serão apresentados em Antália.

O Brasil também leva o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado em Belém, que soma US$ 7,8 bilhões em promessas depois do anúncio da Holanda, de até US$ 500 milhões em dez anos, a ser formalizado na COP31. O dia dedicado a florestas, oceanos e uso da terra na conferência é 17 de novembro.

Quem comanda a COP31

A COP31 é presidida pela Turquia, com o ministro Murat Kurum como presidente designado, e as negociações são conduzidas pela Austrália, com o ministro Chris Bowen como presidente das negociações. A conferência acontece no Antalya Expo Center, e a cúpula de líderes está marcada para 11 e 12 de novembro. A participação brasileira é coordenada pelo Itamaraty e pelo Ministério do Meio Ambiente, que monta o Pavilhão Brasil com dois auditórios, batizados de Belém e Mutirão Global.

Entenda

  • Quando: de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia.
  • O que Belém deixou: Missão 1,5 °C, Acelerador de Implementação, caminho para US$ 1,3 trilhão, indicadores de adaptação e mecanismo de transição justa.
  • Dia das florestas: 17 de novembro.
  • Brasil: Pavilhão com eventos sobre desmatamento zero, TFFF, mercado de carbono e povos indígenas.

A Revista Amazônia acompanha a COP31 dia a dia, com foco no que a conferência decide para a floresta e para quem vive nela.

Com informações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), da presidência da COP31, do Pnuma, do TFFF e do Ministério do Meio Ambiente.

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