Um cone de pedras de 40 metros no meio da floresta da Sibéria intriga cientistas há mais de 70 anos; meteorito, vulcão ou gelo?

Um cone de pedras de 40 metros no meio da floresta da Sibéria intriga cientistas há mais de 70 anos; meteorito, vulcão ou gelo?
Foto: Dmitry Semenov/Wikimedia Commons (CC BY 4.0). A cratera de Patom, na região de Irkutsk, na Sibéria.

No meio da taiga, a floresta de coníferas da Sibéria, existe um cone de pedras claras com cerca de 40 metros de altura, cratera no topo e um monte no centro, que intriga cientistas desde que foi descrito, em 1949. É a cratera de Patom, na região de Irkutsk, na Rússia. Ela é feita de fragmentos de calcário e tem só alguns séculos de idade, o que torna sua origem ainda mais curiosa. Meteorito, vulcão e formação pelo gelo já foram propostos como explicação.

A descoberta

A estrutura foi encontrada pelo geólogo russo Vadim Kolpakov em 1949, numa área remota do planalto de Patom, longe de cidades e estradas. Kolpakov publicou a primeira descrição em 1951. Desde então, expedições de pesquisadores russos voltaram ao local várias vezes para medir, perfurar e analisar as rochas.

Como ela é

A cratera de Patom tem a forma de um cone achatado, como um vulcão em miniatura. As medidas citadas pelos pesquisadores falam em cerca de 40 metros de altura e uma base de 100 a 160 metros de diâmetro, conforme o critério usado. No topo há uma depressão em forma de anel e, no centro dela, um monte de cerca de 12 metros.

O material não é lava. São blocos e fragmentos de calcário, uma rocha que existe nas camadas do subsolo da região e tem centenas de milhões de anos.

Jovem demais para ser antiga

O que mais surpreende é a idade. Árvores que cresceram sobre a estrutura e a análise dos anéis de crescimento de troncos danificados indicam que o cone se formou há algumas centenas de anos. Um estudo apresentado em 2012 por pesquisadores russos fala em cerca de 500 anos. Em termos geológicos, é como se tivesse surgido ontem.

As hipóteses

  • Meteorito: por muito tempo, a explicação mais popular foi o impacto de um corpo vindo do espaço. Mas não foram encontrados restos de meteorito nem as rochas derretidas típicas de grandes impactos.
  • Vulcão: a forma lembra um vulcão, mas também não há material vulcânico, como lava ou cinzas.
  • Gelo: o estudo de 2012, com sondagens geofísicas ao longo de um perfil de 5 quilômetros, encontrou uma zona de falha antiga sob a cratera e propôs um modelo criogênico. Nele, a água subterrânea congelada teria formado um grande núcleo de gelo que empurrou e quebrou as rochas acima, num processo parecido com o dos montes de gelo que se formam em regiões de solo congelado.

Outro trabalho, de pesquisadores da Academia Russa de Ciências publicado em 2008, analisou dados geológicos e geoquímicos da estrutura. A explicação definitiva, porém, ainda é debatida.

Um ímã de lendas

Pelo isolamento e pela forma estranha, a cratera de Patom virou alvo de histórias populares, que vão de explosões misteriosas a experimentos secretos. Os geólogos que estudam o local concordam em um ponto: trata-se de uma formação de origem terrestre, produzida por processos naturais ainda não totalmente entendidos.

Perguntas frequentes

Onde fica a cratera de Patom?

No planalto de Patom, na região de Irkutsk, na Sibéria, Rússia.

Quando foi descoberta?

Em 1949, pelo geólogo Vadim Kolpakov.

A cratera foi feita por um meteorito?

Não há provas disso. Não foram encontrados restos de meteorito nem rochas derretidas por impacto.

Qual a hipótese mais aceita?

Estudos recentes de pesquisadores russos apontam para uma origem ligada ao gelo subterrâneo, mas o tema segue em debate.

Com informações de estudos de pesquisadores russos publicados na revista Doklady Earth Sciences (2008) e em congresso da Associação Europeia de Geocientistas e Engenheiros (2012).

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