Cratera de meteorito escondida sob uma cidade dos Estados Unidos é 100 milhões de anos mais nova do que se pensava e pode ter relação com uma extinção em massa

Cratera de meteorito escondida sob uma cidade dos Estados Unidos é 100 milhões de anos mais nova do que se pensava e pode ter relação com uma extinção em massa
Imagem de satélite da cratera de Araguainha, entre Mato Grosso e Goiás, a maior da América do Sul. Imagem: Nasa, via Wikimedia Commons, domínio público.

Sob a pequena cidade de Ames, em Oklahoma, nos Estados Unidos, existe uma cratera de impacto de meteorito com quilômetros de extensão, hoje coberta por camadas de sedimento. Ela é importante para a ciência e também para a economia, porque produz petróleo e gás. Agora, pesquisadores da Universidade do Texas em Austin descobriram que ela é cerca de 100 milhões de anos mais nova do que se acreditava.

O estudo foi publicado na revista científica Meteoritics and Planetary Science.

A chuva de meteoros do Ordoviciano

A cratera de Ames era considerada parte de um conjunto de grandes impactos na América do Norte, com cerca de 467,5 milhões de anos, no chamado Evento de Meteoros do Ordoviciano. Como várias crateras pareciam ter a mesma idade, alguns cientistas chegaram a propor que a Terra teria tido, naquela época, um anel de detritos de asteroides, como o de Saturno.

O que os cristais mostraram

Até agora, Ames só tinha sido datada por fósseis: dentes de conodontes, animais marinhos parecidos com enguias que viveram no Ordoviciano. A equipe usou outro método. Datou cristais de zircão de um granito alterado pelo impacto, uma das técnicas mais precisas para medir idades muito antigas. Com a ajuda da Nasa, confirmou por imagens que os cristais tinham sido transformados pela colisão.

O resultado: o meteorito caiu há cerca de 370 milhões de anos, no fim do período Devoniano. Segundo a geóloga Elizabeth Catlos, autora principal, qualquer técnica usada apontava para essa idade mais jovem. Os dentes de conodonte provavelmente já eram antigos quando o asteroide caiu e foram misturados às rochas pelo impacto.

Perto de uma extinção

A nova idade coloca a cratera perto da extinção do Frasniano-Fameniano, há cerca de 372 milhões de anos, que eliminou grande parte da vida marinha da Terra. Uma das grandes questões da ciência é saber se as extinções em massa foram causadas principalmente por impactos vindos do espaço ou por processos internos, como grandes erupções vulcânicas. Para Catlos, o estudo tira uma peça do evento do Ordoviciano e a coloca no Devoniano.

O projeto começou com o estudante Andrew Parisi, que buscou as amostras e ajudou a datá-las, e que morreu antes da publicação, assim como o coautor Michael Brookfield.

A maior cratera da América do Sul

O Brasil também guarda marcas de grandes impactos. A cratera de Araguainha, na divisa entre Mato Grosso e Goiás, tem cerca de 40 quilômetros de diâmetro e é a maior da América do Sul. O impacto aconteceu há cerca de 254 milhões de anos, perto da maior extinção em massa da história da Terra, no fim do período Permiano, e pesquisadores já investigaram se ele teve algum papel no evento. Outra estrutura famosa é a cratera de Vargeão, em Santa Catarina, onde fica a cidade de mesmo nome.

Perguntas frequentes

Qual a maior cratera de meteorito do Brasil?

A de Araguainha, entre Mato Grosso e Goiás, com cerca de 40 quilômetros de diâmetro.

Como se data uma cratera antiga?

Uma das técnicas mais precisas é medir o urânio e o chumbo em cristais de zircão alterados pelo impacto.

Com informações da Universidade do Texas em Austin.

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