
Criaturas semelhantes a alienígenas
Pinturas rupestres pré-históricas descobertas no interior da floresta amazônica retratam híbridos entre humanos e animais, além de criaturas que lembram alienígenas.
Em vez de indicar a existência de seres paranormais, pesquisadores acreditam que os curiosos desenhos revelam como os antigos habitantes da Amazônia “compreendiam o mundo ao seu redor”. Segundo um novo estudo da Universidade de Exeter, em colaboração com outras instituições, a Amazônia colombiana abriga uma das coleções mais ricas de arte rupestre do mundo.
Essas pinturas, encontradas nas paredes rochosas de Cerro Azul, são estimadas em até 10.500 a.C., embora ainda não tenham sido datadas formalmente.
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De onde vem o açaí que você toma na tigela? Veja como ele nasce e cresceAs imagens mostram veados, pássaros, lagartos, tartarugas, antas e outros animais, pintados com pigmentos de ocre vermelho. Alguns desses animais, no entanto, possuem características humanas, como pênis, e estão retratados de pé, em posição semelhante à humana, com braços estendidos.
“Os pênis, frequentemente representados em figuras humanas, estão praticamente ausentes nas figuras de animais”, observaram os pesquisadores em seu estudo. “Entretanto, os únicos exemplos de pênis em figuras de animais aparecem em possíveis teriantropos, que combinam componentes humanos e animais.”
Teriantropos referem-se a seres que podem se transformar entre formas humanas e animais, conceitos comuns em mitologias e folclores. Esse tipo de representação híbrida era comum em toda a Amazônia, especialmente no Cerro Azul, onde os pesquisadores realizaram escavações. Imagens de humanos-aviários foram encontradas em Las Dantas, além de lagartos com cabeças humanas em Currunchos.
Desenhos de híbridos entre pássaros, plantas e humanos, bem como de veados-humanos, também foram descobertos em Principal. Já em Demoledores, foram encontrados gravuras de humanos-preguiça, e em Reserva, uma criatura quadrúpede desconhecida com cauda e pênis foi identificada.
“Essas descobertas certamente acrescentam nuances à nossa compreensão do poder dos mitos nas comunidades indígenas”, afirmou José Iriarte, professor da Universidade de Exeter e um dos pesquisadores do estudo, em comunicado. “Elas são particularmente reveladoras quando se trata de aspectos cosmológicos da vida amazônica, como o que é considerado tabu, onde reside o poder e como eram feitas as negociações com o sobrenatural.”
Os pesquisadores encontraram restos de animais nas proximidades e os compararam com as pinturas, concluindo que os artistas não pintaram apenas o que comiam. Havia muitos restos de peixes na área, mas esses quase não aparecem nas pinturas. Grandes felinos, que provavelmente eram abundantes na floresta, também estão ausentes nas representações. Os pesquisadores acreditam que esses antigos humanos talvez não se aproximassem o suficiente dos predadores para representá-los frequentemente.
“A arte é um incrível vislumbre de como esses primeiros habitantes compreendiam seu lugar no mundo e como formavam relações com os animais”, disse o Dr. Mark Robinson, professor associado de Arqueologia na Universidade de Exeter. Os pesquisadores também observaram que os xamãs e anciãos das comunidades locais, responsáveis por classificar a flora e fauna, tinham categorizações ‘ambíguas’ e ‘fluídas’ de animais e pessoas. Isso pode ter levado às representações sobrenaturais de humanos e animais na arte.
“Esses sítios de arte rupestre incluem as primeiras evidências de humanos na Amazônia ocidental, datando de 12.500 anos atrás”, acrescentou o Dr. Mark Robinson. “Como tal, a arte oferece uma visão impressionante de como esses primeiros colonos entendiam seu lugar no mundo e como formavam suas relações com os animais. O contexto demonstra a complexidade das relações amazônicas com os animais, tanto como fonte de alimento quanto como seres reverenciados, que tinham conexões sobrenaturais e exigiam negociações complexas por parte dos especialistas rituais.”
Fonte: News Group Newspapers
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