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Duas novas espécies de escorpião descobertas perto de cachoeira turística em Roraima abrem caminho para prospecção de moléculas do veneno

Em junho de 2026, a professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara, e sua equipe descreveram duas novas espécies de escorpião encontradas nas proximidades da Cachoeira do Evandro, no município de Mucajaí, a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, em Roraima. As espécies foram batizadas de Brotheas cernii e Cayooca puchus.

A descoberta foi publicada na revista científica Diversity. Os animais foram coletados em uma área de floresta próxima a uma cachoeira frequentada por turistas. Diferenças de coloração, tamanho e granulação das pinças chamaram a atenção da equipe, que iniciou uma investigação para verificar se se tratava de espécies ainda desconhecidas pela ciência.

O que a descoberta revela sobre Roraima

A pesquisadora destaca que a floresta amazônica, especialmente em estados como Roraima, ainda é pouco explorada cientificamente. “Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?”, afirma Pucca.

Além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica, o achado abre caminhos para a prospecção de novas moléculas com potencial farmacológico presentes no veneno desses artrópodes. O veneno de escorpiões é uma fonte rica de peptídeos com atividades biológicas diversas, incluindo potencial analgésico, antimicrobiano e até anticancerígeno.

Contexto da pesquisa

A equipe da Unesp tem se dedicado ao estudo de escorpiões e aranhas da Amazônia com foco tanto na taxonomia quanto no potencial biotecnológico do veneno. A descoberta de espécies novas em área de acesso relativamente fácil (próxima a uma cachoeira turística) reforça o argumento de que a biodiversidade de Roraima está subamostrada.

Os escorpiões do gênero Brotheas e o novo gênero Cayooca pertencem a grupos típicos de ambientes florestais úmidos. Sua presença em área de turismo também levanta questões sobre a necessidade de educação ambiental e de protocolos de segurança para visitantes e moradores.

Números e dados

  • Duas espécies novas: Brotheas cernii e Cayooca puchus
  • Local: Cachoeira do Evandro, Mucajaí, Roraima
  • Distância de Boa Vista: cerca de 60 km
  • Publicação: Diversity, junho de 2026
  • Instituição líder: Unesp Araraquara

 

Limitações

Ainda são necessários estudos de distribuição geográfica, densidade populacional e caracterização completa do veneno. A presença em área turística exige monitoramento para evitar conflitos entre conservação e visitação.

Significado para o Brasil

A descoberta de duas espécies novas de escorpião em Roraima em 2026 é mais uma prova de que a Amazônia brasileira continua sendo um dos maiores reservatórios de biodiversidade desconhecida do planeta. E que, mesmo em áreas relativamente acessíveis, a ciência ainda tem muito a revelar.

Detalhamento da pesquisa e perspectivas

A equipe da Unesp tem trajetória consolidada no estudo de peçonhentos da Amazônia. A descoberta de espécies novas em área de turismo reforça a necessidade de inventários mais densos em Roraima, estado que ainda possui grandes áreas pouco amostradas. O potencial farmacológico do veneno desses escorpiões será o próximo passo da pesquisa, com análises de composição de peptídeos e testes de atividade biológica.

A presença de escorpiões em áreas frequentadas por turistas também exige atenção de órgãos de saúde e de gestão ambiental. Educação sobre o comportamento desses animais e medidas de prevenção de acidentes são complementares à descoberta científica.

A publicação em Diversity coloca a pesquisa brasileira no circuito internacional e contribui para o conhecimento da biodiversidade de um dos estados amazônicos menos inventariados.

Perspectiva mais ampla e conexão com o Brasil

Essas descobertas de 2025 e 2026 se somam a um conjunto crescente de evidências de que a Amazônia brasileira ainda guarda um volume extraordinário de biodiversidade e de história humana desconhecida. Seja uma rã críptica, um caranguejo de altitude, um escorpião perto de uma cachoeira, um gafanhoto batizado com toada de Parintins, uma ave restrita a topo de serra, um conjunto de espécies novas em 12 dias de campo, um cemitério indígena ou sinais de isolados, o padrão é o mesmo: a floresta continua a surpreender.

Para o leitor brasileiro, cada uma dessas histórias traz números concretos, localidades precisas e consequências mensuráveis. Elas substituem a imagem genérica da Amazônia por uma paisagem de descobertas específicas, datadas e verificáveis. E, ao fazer isso, reforçam a urgência de proteger os territórios onde essas descobertas ainda são possíveis.

A ciência feita no Brasil, em parceria com povos indígenas e com instituições de pesquisa, continua a escrever páginas novas da história natural e cultural da maior floresta tropical do mundo.

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