×
Próxima ▸
Super El Niño se forma no Pacífico e Brasil precisa…

Chance de super El Niño no fim do ano sobe para 81%

Chance de super El Niño no fim do ano sobe para 81%
Foto: www1.folha.uol.com.br
Chance de super El Niño no fim do ano sobe para 81%
Foto: www1.folha.uol.com.br

Fenômeno pode se tornar um dos mais intensos desde 1950 e vai intensificar secas e chuvas extremas no Brasil.

A chance de um super El Niño no final de 2026 subiu para 81%. A atualização foi divulgada nesta quinta-feira (9) pela Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos. Em junho, a projeção era de 63% de probabilidade de um evento muito forte entre novembro deste ano e janeiro de 2027.

O órgão confirmou no mês passado o início do fenômeno climático, que se caracteriza pelo aquecimento acima da média das águas do oceano Pacífico equatorial. Agora, a Noaa reforça: “O El Niño se intensificou no último mês”. A agência estima que o evento pode ser um dos mais intensos desde 1950, quando começaram os registros sistemáticos.

A previsão aponta que o fenômeno deve durar até abril de 2027, no início do outono do hemisfério sul. Um El Niño classificado como “muito forte” significa que a temperatura da superfície do Pacífico tropical está 2°C ou mais acima da média histórica. Atualmente, a região Niño-3.4, usada como referência, registra 1,2°C acima do normal, próximo ao limiar de transição de moderado para forte.

O que muda com um El Niño mais intenso

Um El Niño mais forte não significa automaticamente que as consequências serão mais graves em todos os lugares. Mas a classificação eleva a probabilidade de que os impactos mais característicos do fenômeno se intensifiquem: tempestades, secas ou ondas de calor mais severas, dependendo da região do planeta.

“O El Niño acaba favorecendo essa intensidade em algumas regiões que são mais sensíveis à mudança de circulação atmosférica que ele gera”, explica Tércio Ambrizzi, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEA-USP) e pesquisador do fenômeno. “Ele também acaba favorecendo o aumento do número de ondas de calor, embora o próprio aquecimento global já esteja contribuindo para isso.”

No Brasil, o El Niño tende a provocar seca nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste. Ao mesmo tempo, aumenta o volume de chuvas na região Sul. Com a nova previsão da Noaa, cresce a chance de um verão 2026/2027 excepcionalmente quente em grande parte do território nacional.

Governo federal aciona estados para prevenção de incêndios

Diante do cenário de seca amplificada, o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo publicou no Diário Oficial da União, na quarta-feira (8), uma recomendação dando prazo de 30 dias para que estados adotem medidas concretas de prevenção a incêndios florestais.

A resolução, assinada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança Climática, João Paulo Capobianco, determina que as unidades da Federação e o Distrito Federal informem áreas prioritárias para prevenção e combate a incêndios, elaborem planos de manejo do fogo e aprovem regulamentação para preparação de imóveis rurais.

Impactos na Amazônia e desafios regionais

A região amazônica é uma das mais vulneráveis ao El Niño. O fenômeno reduz drasticamente o regime de chuvas na bacia, provocando secas severas que afetam comunidades ribeirinhas, navegação fluvial, pesca e abastecimento de água em cidades isoladas. No último evento de El Niño (2023-2024), rios como o Maués-Açu, no Amazonas, atingiram níveis críticos, deixando barcos encalhados e populações sem acesso a alimentos e combustível.

Segundo Ambrizzi, a intensificação do El Niño em um mundo aquecido pela crise climática pode amplificar ainda mais esses efeitos. “Agora ele ocorre em um mundo alterado pela crise climática, o que pode amplificar seus impactos”, destaca o pesquisador. A combinação de seca prolongada e altas temperaturas eleva o risco de incêndios florestais descontrolados, que ameaçam tanto a floresta quanto comunidades indígenas e tradicionais.

Entenda o El Niño

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima da média da superfície do oceano Pacífico equatorial, diferente da La Niña, quando as águas ficam mais frias. Ele está relacionado ao enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente empurram águas quentes em direção à Ásia. Quando esses ventos perdem força, alteram padrões globais de chuva e temperatura. A Noaa classifica o fenômeno pela intensidade do aquecimento: fraco (0,5°C a 1°C), moderado (1°C a 1,5°C), forte (1,5°C a 2°C) e muito forte (acima de 2°C).

Próximos passos e monitoramento

A Noaa continuará atualizando mensalmente as previsões do El Niño. A próxima divulgação oficial está marcada para agosto de 2026. Enquanto isso, instituições brasileiras como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) monitoram de perto o comportamento do fenômeno e seus efeitos regionais, emitindo alertas de seca, ondas de calor e eventos extremos conforme necessário.

Ambrizzi recomenda que gestores públicos de estados mais vulneráveis, especialmente na Amazônia Legal, antecipem planos de contingência para estiagem prolongada, garantindo abastecimento de água, saúde pública e prevenção de queimadas. “A janela para agir é agora”, afirma o meteorologista.

Perguntas frequentes

O que significa um El Niño “muito forte”?

É quando a temperatura da superfície do Pacífico tropical sobe 2°C ou mais acima da média histórica. Esse nível de intensidade aumenta a probabilidade de eventos climáticos extremos.

Quando o El Niño de 2026 deve terminar?

Segundo a Noaa, o fenômeno deve durar, no mínimo, até abril de 2027, início do outono no hemisfério sul. Novas atualizações podem revisar esse prazo.

Quais regiões do Brasil serão mais afetadas?

Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste devem ter seca e calor intenso. A região Sul tende a registrar mais chuvas. A Amazônia é a área mais vulnerável à estiagem prolongada.

Com informações da Noaa.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA