
A construção atravessou uma falência precoce e só voltou a avançar entre 1907 e 1912, quando outro empresário americano assumiu o projeto.
O contrato que abriu a primeira tentativa
A construção da ferrovia na Amazônia começou com um contrato assinado em 1877 pelos irmãos Philip e Thomas Collins. O acordo marcou o início de uma obra que atravessaria uma sequência incomum de tentativa, fracasso e retomada. Naquele momento, o projeto estava associado à empresa dos dois empresários americanos, responsáveis por conduzir a primeira fase da empreitada. A assinatura do contrato transformou a ferrovia de plano em obra, mas não garantiu que ela avançasse até o fim. Dois anos depois, em janeiro de 1879, a empresa entrou em falência e a tentativa foi interrompida.
A cronologia é o ponto central dessa história. O intervalo entre o contrato e a falência foi curto, e a interrupção ocorreu ainda no começo do projeto. A obra, portanto, não seguiu uma linha contínua desde 1877. Ela passou por uma primeira experiência empresarial, parou diante da falência e permaneceu como um projeto que ainda seria retomado décadas depois. O episódio também explica por que a ferrovia aparece na memória histórica associada a uma construção marcada por mudanças de responsáveis. O apelido Ferrovia do Diabo deve ser tratado como uma expressão de época, não como o nome oficial da obra nem como uma prova isolada sobre suas condições.
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Em janeiro de 1879, a falência da empresa dos irmãos Collins encerrou a primeira etapa da construção. O dado mais importante não é apenas a data, mas a mudança de situação provocada por ela: uma ferrovia iniciada por contrato passou a depender de uma nova tentativa para seguir adiante. A falência separou claramente os dois momentos da história. Antes dela, estavam o acordo de 1877 e o trabalho conduzido pelos Collins. Depois dela, veio um longo intervalo até que outro empresário americano assumisse a retomada.
Esse intervalo impede que a ferrovia seja descrita como uma obra concluída de maneira direta pelos responsáveis originais. Philip e Thomas Collins aparecem na abertura do projeto, mas a empresa ligada aos dois não chegou ao resultado final. O fracasso empresarial de 1879 não apagou a existência do plano, porém mudou quem precisaria conduzi-lo. A história, assim, não é a de uma única administração que resistiu até terminar a construção. É a de uma obra iniciada, interrompida e reorganizada em outro momento, com uma nova liderança e uma distância de cerca de três décadas entre a assinatura do contrato e a retomada efetiva.
Percival Farquhar reabre o projeto três décadas depois
A retomada ocorreu entre 1907 e 1912, sob a condução de Percival Farquhar, outro empresário americano. A entrada de Farquhar representa a segunda grande fase da cronologia. O projeto que havia começado com os irmãos Collins em 1877 voltou a avançar sob um responsável diferente, depois da falência registrada em janeiro de 1879. Essa mudança é essencial para entender a trajetória da ferrovia: não se tratou apenas de reiniciar trabalhos paralisados, mas de reabrir uma obra cuja primeira experiência empresarial havia terminado décadas antes.
O período de 1907 a 1912 concentra a retomada e a etapa final indicada pela pauta. Em termos de tempo, são aproximadamente trinta anos entre o começo do projeto e o momento em que Farquhar assumiu a condução da obra. A diferença entre os responsáveis também ajuda a evitar uma confusão recorrente: os irmãos Philip e Thomas Collins assinaram o contrato inicial, enquanto Percival Farquhar esteve ligado à retomada posterior. A ferrovia atravessou, portanto, duas fases empresariais distintas, separadas por uma falência e por um intervalo prolongado. A transformação decisiva foi a passagem de um projeto interrompido para uma obra levada adiante por outro empresário americano.
O apelido pertence à época, mas a cronologia permanece
A expressão Ferrovia do Diabo pode ser usada para identificar o apelido associado à obra em seu contexto histórico, mas não deve substituir os fatos verificáveis da cronologia. O que os dados da pauta permitem afirmar é concreto: houve um contrato em 1877, a empresa dos irmãos Collins faliu em janeiro de 1879 e Percival Farquhar retomou o projeto entre 1907 e 1912. Esses marcos explicam a fama de uma ferrovia construída em etapas, mas não autorizam transformar o apelido em uma descrição absoluta da obra ou em uma explicação única para sua trajetória.
A história da ferrovia amazônica mostra como grandes projetos podem sobreviver à queda de seus primeiros responsáveis, sem que isso elimine o custo do tempo perdido. Entre a assinatura do contrato e a retomada por Farquhar, a obra deixou de ser uma iniciativa dos Collins e passou a representar uma continuidade construída por outra geração empresarial. O resultado final, nesse caso, não está apenas nos trilhos, mas na sequência que os precedeu: tentativa em 1877, falência em 1879 e retomada cerca de trinta anos depois, entre 1907 e 1912. A mata pode esconder vestígios de uma obra, mas a cronologia revela as rupturas que também fazem parte de sua história.
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