
Estudo aponta avanço acelerado da mineração em dois parques protegidos da bacia do rio Juruena, em Mato Grosso.
O garimpo ilegal fez a área desmatada crescer 660% no Parque Nacional do Juruena, em Mato Grosso, entre agosto de 2025 e abril de 2026. O avanço foi identificado por um estudo da Amazon Conservation e do Instituto Centro de Vida, divulgado nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, com base em alertas de satélite e dados públicos de fiscalização.
No período analisado, a área afetada pela mineração passou de 10,5 hectares para 79,5 hectares dentro da unidade de conservação federal. A pressão também aumentou no Parque Estadual Igarapés do Juruena, onde a área desmatada saltou de 8,6 hectares para 43,7 hectares, uma alta de 408% entre junho de 2025 e março de 2026.
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O Parque Nacional do Juruena concentra a maior parte dos alertas na região sudoeste da unidade. Já no Parque Estadual Igarapés do Juruena, os focos de degradação aparecem principalmente no centro-sul da área protegida.
As duas unidades integram um mosaico de áreas protegidas na bacia do rio Juruena, na porção amazônica de Mato Grosso. O conjunto ajuda a conservar florestas, rios, habitats de espécies e serviços ecossistêmicos importantes para comunidades locais e para o equilíbrio ambiental do sul da Amazônia.
Segundo a Amazon Conservation, a expansão foi rápida e está associada à abertura de acessos, ao uso de maquinário pesado e à instalação de acampamentos. A atividade remove a cobertura vegetal e altera o solo, deixando marcas que podem permanecer mesmo após a retirada dos equipamentos.
Como os dados foram obtidos
A análise utilizou alertas de desmatamento por mineração produzidos pela iniciativa MAAP, sigla em inglês para Monitoring of the Andes Amazon Program. Os alertas foram interpretados a partir de imagens de satélite de alta resolução espacial.
As áreas identificadas foram calculadas e cruzadas com informações geoespaciais públicas, além de autos de infração e embargos registrados por Ibama, ICMBio e Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso.
“Os alertas de desmatamento para garimpo são validados com base em imagens de satélite com elevadíssimo nível de detalhe e as áreas impactadas são mapeadas e têm suas extensões calculadas”, afirmou Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida.
O cruzamento permite verificar se houve ações de fiscalização nas áreas afetadas. A metodologia, porém, identifica a alteração na cobertura do solo e não substitui a apuração oficial sobre autoria, operação, licenciamento ou responsabilidade criminal.
Impactos atingem rios e comunidades
O desmatamento para extração de ouro pode provocar assoreamento, aumento da carga de sedimentos e alteração da matéria orgânica nos cursos d’água. A movimentação do solo também eleva o risco de contaminação por mercúrio, substância associada ao processamento de minério em garimpos.
Esses impactos ameaçam a biodiversidade aquática e terrestre, além de afetarem a segurança alimentar de comunidades que dependem dos rios para pesca, abastecimento e deslocamento. Na bacia do Juruena, os efeitos podem alcançar áreas conectadas por cursos d’água e corredores florestais.
Segundo o estudo da Amazon Conservation e do Instituto Centro de Vida, a degradação em áreas protegidas reduz os benefícios ambientais esperados dessas unidades e expõe limites dos mecanismos de controle do Estado.
Entenda o caso
O Parque Nacional do Juruena é uma unidade de conservação federal localizada na região amazônica de Mato Grosso. O Parque Estadual Igarapés do Juruena é administrado pelo governo estadual.
Ambas as áreas têm restrições legais à exploração mineral. O estudo aponta que, apesar da proteção formal, o garimpo abriu novas áreas desmatadas em poucos meses.
Segundo o levantamento, 15 operações de combate à mineração foram realizadas pelo ICMBio e pelo Ibama no Parque Nacional do Juruena desde 2010. No parque estadual, a Sema de Mato Grosso registrou ações de fiscalização em 2020, 2025 e 2026.
Fiscalização precisa conectar alertas a ações
A recorrência das operações e o crescimento recente dos alertas indicam que a presença do poder público ainda enfrenta dificuldades para impedir a reabertura de áreas e a expansão de novos pontos de extração.
Para Matt Finer, diretor da iniciativa MAAP e pesquisador sênior da Amazon Conservation, o monitoramento por satélite já é uma ferramenta essencial. A prioridade, segundo ele, é conectar os alertas a informações atualizadas sobre concessões minerárias e limites de áreas protegidas.
“O próximo passo é conectar esses alertas a informações atualizadas sobre concessões minerárias e aos limites de áreas protegidas, fortalecendo a capacidade de resposta das autoridades e tornando as ações de fiscalização ainda mais eficientes”, afirmou Matt Finer.
Segundo a Amazon Conservation, o relatório completo sobre o garimpo ilegal na bacia do rio Juruena foi disponibilizado em português e inglês em 6 de agosto de 2026. O documento pode ser consultado no site da iniciativa MAAP.
O que pode acontecer agora
Os dados devem orientar novas verificações de campo, operações de fiscalização e medidas de responsabilização ambiental nas áreas apontadas pelos alertas. A confirmação de danos, autores e sanções depende da atuação dos órgãos competentes e de investigações oficiais.
O acompanhamento por imagens de satélite deve continuar nos dois parques, com atenção especial às regiões sudoeste do Parque Nacional do Juruena e centro-sul do Parque Estadual Igarapés do Juruena.
Perguntas frequentes
Onde ocorreu o maior aumento?
O maior crescimento proporcional ocorreu no Parque Nacional do Juruena, onde a área desmatada pelo garimpo passou de 10,5 para 79,5 hectares, alta de 660%.
O que foi analisado no estudo?
O levantamento analisou alertas de desmatamento por mineração, imagens de satélite, dados geoespaciais públicos, autos de infração e embargos ambientais.
Quais são os principais riscos ambientais?
Entre os riscos estão a perda de floresta, o assoreamento de rios, o aumento de sedimentos e a possível contaminação por mercúrio, com efeitos sobre a biodiversidade e as comunidades locais.
As próximas ações de monitoramento e fiscalização deverão indicar se o avanço identificado será contido ou continuará pressionando as áreas protegidas da bacia do rio Juruena.
Com informações de Amazon Conservation e Instituto Centro de Vida.
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